{"id":5961,"date":"2018-04-10T11:02:42","date_gmt":"2018-04-10T14:02:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5961"},"modified":"2018-04-10T11:27:53","modified_gmt":"2018-04-10T14:27:53","slug":"claudio-de-moura-castro-comentarios-a-base-nacional-do-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/claudio-de-moura-castro-comentarios-a-base-nacional-do-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Claudio de Moura Castro: Coment\u00e1rios \u00e0 Base Nacional do Ensino M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Finalmente temos uma nova orienta\u00e7\u00e3o para o Ensino M\u00e9dio. No geral, o documento apresentado ao CNE caminha na boa dire\u00e7\u00e3o, mantendo a ideia de diversifica\u00e7\u00e3o, seja das disciplinas, seja admitindo as grandes diferen\u00e7as individuais e entre os grupos que frequentam esse n\u00edvel de ensino.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, tenho coment\u00e1rios e obje\u00e7\u00f5es a diferentes aspectos da sua reda\u00e7\u00e3o. Come\u00e7o com observa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e, em seguida, passo para outras mais espec\u00edficas a cada um dos seus grandes componentes (Linguagem, Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias Naturais e Ci\u00eancias Humanas e Sociais).<\/p>\n<p>1. Um documento de pol\u00edtica (seja educacional ou em outros campos), deve tratar os assuntos em pauta de forma diferente, conforme seja a inclina\u00e7\u00e3o da sociedade para a qual se dirige. Assim sendo, nas \u00e1reas em que a sociedade tende a andar espontaneamente, em linha com o proposto, o tratamento deve ser breve. Afinal, \u00e9 o que iria acontecer sem a exist\u00eancia do documento. Em contraste, a sua \u00eanfase ou for\u00e7a deve ser colimada para aqueles temas em dire\u00e7\u00e3o aos quais a sociedade \u201cn\u00e3o gosta de ir\u201d. Ou seja, bater forte onde h\u00e1 resist\u00eancias e oposi\u00e7\u00e3o, diante de uma orienta\u00e7\u00e3o importante, mas na contram\u00e3o das gentes. \u00a0Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 isso que se observa, como ilustrado adiante, quando entramos no espec\u00edfico. Pelo contr\u00e1rio mais espa\u00e7o \u00e9 devotado ao que est\u00e1 na moda do que nas dire\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, mas pouco simp\u00e1ticas \u00e0 maioria.<\/p>\n<p>2. O texto \u00e9 demasiadamente longo e frequentemente obscuro, valendo-se de termos pouco conhecidos e contendo proposi\u00e7\u00f5es indecifr\u00e1veis. Ora, o objetivo \u00e9 orientar o Ensino M\u00e9dio e n\u00e3o deixar patente a erudi\u00e7\u00e3o dos seus autores. Sendo assim, opacidade \u00e9 a estrat\u00e9gia errada. (Por exemplo: \u201co trabalho \u00e9 o princ\u00edpio educativo \u00e0 medida que proporciona compreens\u00e3o do processo hist\u00f3rico de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica, como conhecimentos desenvolvidos e apropriados socialmente para a transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es naturais da vida e a amplia\u00e7\u00e3o das capacidades, das potencialidades e sentido humanos . . . \u00a0Nesse sentido, procura-se oferecer ferramentas de transforma\u00e7\u00e3o social por meio da apropria\u00e7\u00e3o dos letramentos da letra e dos novos e multiletramentos. Os quais sup\u00f5em maior protagonismo dos estudantes, orientados pela dimens\u00e3o \u00e9tica, est\u00e9tica e pol\u00edtica\u201d). Como j\u00e1 aconteceu antes, ser\u00e1 necess\u00e1rio que algu\u00e9m o traduza em uma linguagem acess\u00edvel para o grande p\u00fablico e mesmo para pessoas n\u00e3o necessariamente versadas em certos assuntos, como \u00e9 o meu caso. O or\u00e1culo de Delfos pontificava com palavras enigm\u00e1ticas, precisando de algu\u00e9m que as decifrassem. Estamos mais ou menos na mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3. Para os usos a que parece destinado, \u00e9 um documento grande demais e que se espraia em detalhes de menor import\u00e2ncia, diluindo o foco que deveriam merecer aspectos particularmente cr\u00edticos. Como est\u00e1, por exemplo, a preocupa\u00e7\u00e3o central de desenvolver compet\u00eancia no uso do Portugu\u00eas est\u00e1 dilu\u00edda em in\u00fameras piruetas sobre novas m\u00eddias, Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e outros assuntos menos cr\u00edticos. Ilustrando, se fosse eu a \u00a0redigir o texto, falaria de desenvolver capacidade anal\u00edtica de leitura e ler os cl\u00e1ssicos como temas centrais, destacados dos outros. O resto \u00e9 o resto. H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de lidar com assimetria de import\u00e2ncias. Uma delas seria ter um documento s\u00edntese, chamando a aten\u00e7\u00e3o para os pontos mais centrais, seguido de outro, com os detalhes e complementos. Talvez outra alternativa mais palat\u00e1vel seja dar um destaque especial para o que \u00e9 verdadeiramente importante, diante de outros aspectos mais complementares do que essenciais. Como est\u00e1, falta foco e centralidade naquilo que \u00e9 fundamental, pois est\u00e1 dilu\u00eddo em meio a assuntos perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>4. \u00c9 correto que se estabele\u00e7a o que o estudante ser\u00e1 capaz de realizar, ao terminar este ciclo de ensino. De fato, este \u00e9 o esp\u00edrito de uma proposta deste tipo. Mas o nexo dessa compet\u00eancia com o curr\u00edculo que se plasmar\u00e1 nos livros texto emerge de forma muito t\u00eanue. Em Matem\u00e1tica chega-se mais perto. Mas em outras \u00e1reas, ser\u00e1 um esfinge indecifr\u00e1vel, mesmo para os autores de livros e outros interessados.<\/p>\n<p>5. Nesta mesma linha, permanece uma grande ambiguidade o como ensinar os conte\u00fados com \u201cintegra\u00e7\u00e3o e Interdisciplinaridade\u201d. Afirma-se que \u00e9 preciso romper com a \u201ccentralidade das disciplinas\u201d. Mas como se chega l\u00e1, na pr\u00e1tica, \u00e9 assunto brumoso. F\u00edsica \u00e9 F\u00edsica, \u00e9 preciso aprender suas leis e princ\u00edpios dentro da disciplinaridade que gerou suas espl\u00eandidas realiza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o d\u00e1 para misturar o estudo met\u00f3dico da mec\u00e2nica newtoniana com qu\u00edmica e biologia. \u00a0Para ilustrar como se ensina alhures, podemos consultar os curr\u00edculos de Ensino M\u00e9dio da Phillips Academy e da escola Louis Le Grand, respectivamente, a melhor dos Estados Unidos e da Fran\u00e7a. Em ambas, os cursos s\u00e3o oferecidos na forma disciplinar tradicional. N\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o a ofertas interdisciplinares. Ser\u00e1 por que s\u00e3o escolas da \u201cvelha guarda\u201d? Ou n\u00e3o se descobriu forma melhor de ensinar? Tanto quanto entendo, a interdisciplinaridade \u2013 ou que termos queiramos utilizar \u2013 vem depois, nas aplica\u00e7\u00f5es e projetos. O documento \u00e9 reticente, sen\u00e3o infeliz, ao n\u00e3o esclarecer esse ponto. Se est\u00e1 propondo uma revolu\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o vislumbrada pelos pa\u00edses no topo do PISA, \u00e9 bom que todos saibam desta ambi\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o \u00e9 isso, e a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas nos projetos, tamb\u00e9m precisamos saber.<\/p>\n<p>6. O documento fala da import\u00e2ncia de \u201cpreparar para o trabalho\u201d, uma preocupa\u00e7\u00e3o mais do que leg\u00edtima. Mas trata-se de um objetivo amplamente nebuloso. O que \u00e9 preparar para o trabalho em um programa acad\u00eamico? As belas propostas das escolas Sloyd, na Escandin\u00e1via, foram uma f\u00f3rmula inteligente de introduzir trabalhos feitos com as m\u00e3os em escolas acad\u00eamicas. N\u00e3o visavam ensinar um of\u00edcio mas a usar manualidades para enriquecer a educa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. No passado tivemos uma caricatura desta linha, nos malfadados Trabalhos Manuais. \u00c9 disso que estamos falando? Por que n\u00e3o? De certa maneira, a nova moda dos programas na linha STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) recupera o mesmo esp\u00edrito do Sloyd, com novas roupagens. De uma outra perspectiva, h\u00e1 quem diga que a melhor prepara\u00e7\u00e3o para o trabalho \u00e9 uma excelente educa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Com efeito, \u00e9 dif\u00edcil imaginar algo mais \u00fatil para a vida profissional do que ler bem, entender, escrever escorreitamente, usar n\u00fameros para lidar com problemas do cotidiano, pensar com bom rigor anal\u00edtico e ter uma ampla vis\u00e3o de mundo. O resto \u00e9 detalhe. Mas pensando bem, esta \u00e9 tamb\u00e9m a ess\u00eancia de uma s\u00f3lida educa\u00e7\u00e3o geral. Se isso \u00e9 correto, o que se estar\u00e1 querendo dizer ao falar de \u201cpreparar para o trabalho\u201d? Ser\u00e1 algo diferente do que a escola se prop\u00f5e a fazer no seu curr\u00edculo? Note-se que esta discuss\u00e3o passa longe do Ensino T\u00e9cnico, assunto cujo conte\u00fado n\u00e3o pertence \u00e0 Base Curricular.<\/p>\n<p><strong>Linguagens<\/strong><\/p>\n<p>Esta parte \u00e9 demasiado longa e perde-se em detalhes e modismos. Deveria ser muito mais concisa e com foco no mais importante. Na verdade, h\u00e1 um desequil\u00edbrio essencial na sua estrutura. Se falamos de linguagens, h\u00e1 um tema que deveria dominar a apresenta\u00e7\u00e3o, dando-lhe o relevo que merece. Em contraste, grande parte do espa\u00e7o \u00e9 devotado a uma multid\u00e3o de uso das linguagens, em contextos novos e variados.<\/p>\n<p>Voltando ao que considero o n\u00facleo ausente: como dizia Wittgenstein, meu dom\u00ednio das palavras determina minha capacidade de pensar, pois pensamos com palavras. N\u00f3s, brasileiros, nos comunicamos em portugu\u00eas, portanto, pensamos nesta l\u00edngua. Sendo assim, domin\u00e1-la \u00e9 um objetivo que faz todos os outros empalidecerem.<\/p>\n<p>Por que nossos alunos se saem mal no PISA (e na Prova Brasil)? Antes de tudo, porque n\u00e3o entendem o que est\u00e3o dizendo as palavras. Decifrar com rigor o que est\u00e1 escrito \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es mais nobres e centrais da escola. Em um texto bem escrito, s\u00f3 h\u00e1 uma interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Se h\u00e1 ambiguidades, \u00e9 porque est\u00e1 mal escrito. Aprender a arte de ler com precis\u00e3o \u00e9 uma tarefa para toda a carreira dos estudantes, at\u00e9 no doutorado. Igualmente, identificar as imprecis\u00f5es e ambiguidades que condenam o texto<\/p>\n<p>Este \u00e9 o reinado indisputado da \u201cnorma culta\u201d. Em qualquer lugar, domin\u00e1-la \u00e9 um dos pilares de uma s\u00f3lida educa\u00e7\u00e3o. Jovens escolares em Zurique falam em casa o dialeto Switzerdeutsch, derivado do alem\u00e3o. Mas na escola, tudo acontece no Hoch Deutsche, a l\u00edngua padr\u00e3o. \u00a0\u00c9 com ela que estudam ci\u00eancia e literatura. Por que disseminar ambiguidade diante do \u201cn\u00f3s vai\u201d? N\u00e3o se trata de condenar o falar coloquial mas do imperativo de dominar a norma culta e aprender a us\u00e1-la como uma ferramenta poderosa, nos contextos apropriados. Essa \u00e9 a miss\u00e3o nobre da escola.<\/p>\n<p>Contratos e leis s\u00e3o redigidos de forma a somente permitirem uma interpreta\u00e7\u00e3o. As leis da F\u00edsica n\u00e3o ser\u00e3o entendidas sem total dom\u00ednio do que querem dizer as palavras que as expressam. A pesquisa demonstra que grande parte das dificuldades dos alunos com a Matem\u00e1tica deriva-se da falta de compreens\u00e3o na formula\u00e7\u00e3o do problema, expressa em palavras. Se o manual da serra manda desapertar primeiro o parafuso X e deixar o Z apertado, se isso n\u00e3o for entendido, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a regulagem desejada. Uma linha de programa\u00e7\u00e3o equivocada p\u00f5e a perder todo o programa. A vida no mundo moderno requer um s\u00f3lido dom\u00ednio da linguagem precisa e rigorosa.<\/p>\n<p>Infelizmente, o pensamento anal\u00edtico n\u00e3o ganha a preemin\u00eancia que merece, a ser correto o racioc\u00ednio acima. Em vez disso, fala-se em contexto, em ouvir os outros, na interpreta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ou ideol\u00f3gica do texto e outras manifesta\u00e7\u00f5es de relativismo. Mas antes de saber o que o outro pensa, \u00e9 preciso entender as palavras escritas. Este \u00e9 um ponto de partida inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nota-se no meio educacional brasileiro a presen\u00e7a de um lastim\u00e1vel relativismo e subjetivismo, diante das palavras e das afirmativas. Cada um tem a sua verdade. Cada um tem a sua raz\u00e3o. Como posso dizer que o outro est\u00e1 errado? Ou, admitir que estou errado, j\u00e1 que tudo depende de ponto de vista? Se eu acredito em assombra\u00e7\u00f5es, esta \u00e9 a minha verdade e ningu\u00e9m pode p\u00f4-la em d\u00favida!<\/p>\n<p>Em suma, o documento minimiza a necessidade de desenvolver compet\u00eancia e rigor no uso da l\u00edngua e se espraia em in\u00fameras dire\u00e7\u00f5es menos significativas. Esse \u00e9 o seu pecado maior.<\/p>\n<p>Ao falar do conte\u00fados das leituras, h\u00e1 amplas listagens de g\u00eaneros, tipos e modalidades, falando de literatura de todos os matizes e origens. Por\u00e9m, as indica\u00e7\u00f5es para a leitura dos cl\u00e1ssicos se perdem no meio desta abund\u00e2ncia de sugest\u00f5es outras. Ora, somos herdeiros da Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental, com sua vasta e celebrada literatura. Os alunos ingleses leem os cl\u00e1ssicos franceses e vice-versa. Os alem\u00e3es leem os ingleses e franceses, em que pesem s\u00e9culos de guerra entre todos eles. Ou seja, h\u00e1 consenso acerca de quais s\u00e3o os livros imortais. Que argumentos haveria para os brasileiros se distanciarem deste cabedal de escritos?<\/p>\n<p>Ao justificar porque aprender ingl\u00eas, h\u00e1 grandes circunl\u00f3quios. Mas a raz\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia: o ingl\u00eas se tornou a l\u00edngua universal, como foi o franc\u00eas e o latim. Quem n\u00e3o opera bem neste idioma est\u00e1 irremediavelmente alienado do que est\u00e1 acontecendo no mundo, seja da ci\u00eancia, da pol\u00edtica, dos neg\u00f3cios ou do entretenimento. T\u00e3o simples quanto isso.<\/p>\n<p>Por que Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica est\u00e1 inclu\u00edda como Linguagem? Ora, como dito, \u00e9 uma linguagem corporal. Mas \u00e9 dif\u00edcil encontrar proposi\u00e7\u00f5es significativas que sejam v\u00e1lidas para aprender portugu\u00eas e, tamb\u00e9m, para praticar Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Seria mais franco dizer que se est\u00e1 l\u00e1, \u00e9 por falta de um lugar melhor.<\/p>\n<p>A proposta para a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica \u00e9 mais do que bizarra. \u00c9 quase como transform\u00e1-la em uma disciplina acad\u00eamica, com bases filos\u00f3ficas e sociol\u00f3gicas. Fala-se na \u201ccultura corporal do movimento\u201d, o que quer que seja isso. Mas no fundo, por que n\u00e3o dizer apenas: <em>Mens sana in corpore sano?<\/em> Nesta idade, os jovens t\u00eam uma abund\u00e2ncia de energia f\u00edsica e canaliz\u00e1-la para atividades desportivas \u00e9 uma das f\u00f3rmulas mais eficazes que j\u00e1 se encontrou. Por outro lado, sabe-se que a disciplina desenvolvida na pr\u00e1tica sistem\u00e1tica de desportos migra para as atividades acad\u00eamicas e profissionais. \u00c9 curioso que estes dois aspectos n\u00e3o tenham sido mencionados.<\/p>\n<p>Tal como na literatura, nas artes visuais, h\u00e1 pouqu\u00edssima \u00eanfase nos cl\u00e1ssicos. \u00c9 uma pena. A arte \u00e9 apresentada por via de uma ampla argumenta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica. Mas e o desenvolvimento da capacidade de desfrute de uma obra de arte? Com ou sem mensagem social ou ideol\u00f3gica, a arte tem vida pr\u00f3pria, gera um prazer pr\u00f3prio. Ela se justifica em si e nos permite uma comunh\u00e3o com alguma coisa que n\u00e3o sabemos bem descrever, mas que nos faz bem.<\/p>\n<p><strong>Matem\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>As bases da Matem\u00e1tica s\u00e3o amplamente mais satisfat\u00f3rias do que as das Linguagens. O texto \u00e9 mais curto, mais \u00a0direto e mais expl\u00edcito. A partir dele, fica mais f\u00e1cil construir um curr\u00edculo ou tantas vers\u00f5es quanto se queira.<\/p>\n<p>A se louvar \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com a contextualiza\u00e7\u00e3o e com o uso da Matem\u00e1tica na vida real. A sua beleza \u00e9 mencionada, mas n\u00e3o ofusca o seu car\u00e1ter utilit\u00e1rio. E como sabemos, \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de utilidade que traz a contextualiza\u00e7\u00e3o e aumenta o interesse.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, h\u00e1 duas inconveni\u00eancias no texto. O primeiro \u00e9 que as compet\u00eancias buscadas se desencontram da organiza\u00e7\u00e3o de um curso s\u00e9rio. Em Matem\u00e1tica, mais do que em outras \u00e1reas, uma coisa vem depois da outra e esta ordem n\u00e3o admite muitas varia\u00e7\u00f5es. Por exemplo, equa\u00e7\u00e3o do segundo grau vem depois da equa\u00e7\u00e3o do primeiro e n\u00e3o h\u00e1 como trocar. Mas na discuss\u00e3o das compet\u00eancias, cada t\u00f3pico da Matem\u00e1tica pode aparecer distante dos outros que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos no aprendizado.<\/p>\n<p>A segunda limita\u00e7\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 poucos \u00a0exemplos para ilustrar os argumentos que est\u00e3o sendo apresentados. Portanto, torna-se um pouco mais dif\u00edcil a sua leitura.<\/p>\n<p>Considerando que, \u201cna vida real\u201d, os contatos mais frequentes com a Matem\u00e1tica s\u00e3o no lidar com o dinheiro, este \u00e9 o contexto mais realista para o seu aprendizado. Em particular, a Matem\u00e1tica Financeira \u00e9 um assunto que deveria merecer muito mais \u00eanfase do que aparece no texto.<\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o dos conte\u00fados de Estat\u00edstica, o uso da palavra \u201cincerteza\u201d traz dificuldades. A Teoria da Probabilidade se baseia no princ\u00edpio de que h\u00e1 certa previsibilidade nas distribui\u00e7\u00f5es de eventos com distribui\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias. Ou seja, probabilidade \u00e9 diferente da incerteza. A primeira pode ser estimada, a segunda n\u00e3o. A incerteza se refere a fen\u00f4menos intrat\u00e1veis, por serem totalmente inexpugn\u00e1veis as causas que os explicam. Sendo assim, n\u00e3o pode ser objeto de muita elabora\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, estranha-se que o termo incerteza seja t\u00e3o usado no texto.<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>O texto sobre as Bases Curriculares das Ci\u00eancias \u00e9 razoavelmente claro. E tamb\u00e9m, curto.<\/p>\n<p>O grande problema \u00e9 o que foi mencionado na introdu\u00e7\u00e3o: a integra\u00e7\u00e3o e interdisciplinaridade. Que ambas sejam desej\u00e1veis, n\u00e3o h\u00e1 como negar. O problema \u00e9 o como. Insisto na impossibilidade de aprender tudo ao mesmo tempo e dentro mesma disciplina \u201cintegradora\u201d. Ningu\u00e9m conseguiu fazer isso satisfatoriamente. A quest\u00e3o pr\u00e1tica \u00e9 quando e como abrir espa\u00e7o para as pontes em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s outras disciplinas. Lamentavelmente, o documento \u00e9 avaro neste desafio t\u00e3o candente.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas etapas. A primeira \u00e9 ensinar as bases de cada disciplina, seu fundamento opera\u00e7\u00e3o e seu ritmo de trabalho. A segunda \u00e9 encontrar o nexo \u00a0que conecta as disciplinas, entrando no mundo da interdisciplinaridade.<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancias Humanas e Sociais<\/strong><\/p>\n<p>De longe, este \u00e9 o campo mais problem\u00e1tico. Como tratar de um s\u00f3 f\u00f4lego filosofia, hist\u00f3ria, sociologia e geografia. Suspeito que \u00e9 uma miss\u00e3o imposs\u00edvel. Se isso \u00e9 verdade, n\u00e3o podemos ser muito severos com os autores. \u00a0Ali\u00e1s, por que estas quatro \u00e1reas, deixando de fora Economia, Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Direito e outras do mesmo jaez?<\/p>\n<p>Para dar uma estrutura l\u00f3gica \u00e0 discuss\u00e3o, foram propostos dois crit\u00e9rios: espa\u00e7o e tempo. Tudo que havia para ser discutido acerca dos quatro campos foi enfiado nestes dois cortes anal\u00edticos. Previsivelmente, a argumenta\u00e7\u00e3o soa artificial.<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo muita salva\u00e7\u00e3o nesse embrulho de tradi\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas seculares e com vida pr\u00f3pria, buscando uma espinha dorsal unificadora. Sendo assim, nada posso oferecer sobre o assunto.<\/p>\n<p>Mas subjacente \u00e0 toda a discuss\u00e3o, h\u00e1 um tema que incomoda, pela aus\u00eancia. Qual \u00e9 a nossa identidade brasileira, como foi forjada, de que matrizes proveio? N\u00e3o trato aqui de pontificar acerca da minha vis\u00e3o de como somos e como n\u00e3o somos. O importante, no caso, \u00e9 n\u00e3o fugir de uma discuss\u00e3o frontal sobre isso e, em vez dela, deixar escapar uma cole\u00e7\u00e3o de afirmativas soltas sobre esta ou aquela identidade cultural. Ou ainda, criticando uma identidade ocidental que n\u00e3o foi explicitada.<\/p>\n<p>Tanto quanto entendo, somos herdeiros diretos das tradi\u00e7\u00f5es da Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental, que se estrutura de forma brilhante com os gregos. Quase tudo que somos e pensamos, em maior ou menor grau, vem desta raiz comum e da sua evolu\u00e7\u00e3o, a partir do Renascimento.<\/p>\n<p>Um jovem \u00a0 da Costa do Marfim podia falar em casa uma das 78 l\u00ednguas do pa\u00eds. Seus valores podiam refletir a cultura e hist\u00f3ria do seu pa\u00eds. Mas na escola, falava franc\u00eas, aprendia a hist\u00f3ria da Fran\u00e7a e sabia de cor a Marselhesa. Devia ser uma santa confus\u00e3o a cabe\u00e7a dele. Em contraste, nosso pais tem uma \u00fanica l\u00edngua e uma identidade que pode ter temperos africanos ou ind\u00edgenas, mas antes de tudo, \u00e9 uma cultura ocidental.<\/p>\n<p>H\u00e1 boas raz\u00f5es \u00a0para trazer \u00e0 discuss\u00e3o outras ra\u00edzes que se originam dos \u00edndios locais, dos africanos e de quem mais seja. Mas sempre com as devidas precau\u00e7\u00f5es de ancorar o discurso em um entendimento claro do que historicamente somos e do que n\u00e3o somos. Do que compramos confortavelmente desta tradi\u00e7\u00e3o e do que n\u00e3o foi bem digerido. Sem isso, corremos o s\u00e9rio risco de uma grande confus\u00e3o mental e de um relativismo pernicioso.<\/p>\n<p>Na miss\u00e3o de preparar os estudantes, \u00e9 preciso estabelecer com meridiana clareza o que significa para eles ser herdeiro da tradi\u00e7\u00e3o greco-romana. Que valores est\u00e3o embutidos, expl\u00edcita ou implicitamente na nossa cultura? Destes valores, quais acreditamos serem universais? Quais valores julgamos que nos permitem a autoridade moral para imp\u00f4-los a outras culturas? Em contraste, quais percep\u00e7\u00f5es podemos relativizar ou considerar amb\u00edguas? Este \u00e9 o ponto de partida, sem o qual, explorar, valorizar ou denegrir outras culturas converte-se em um exerc\u00edcio sem rigor ou m\u00e9rito.<\/p>\n<p>Herdamos a cren\u00e7a no imp\u00e9rio da lei, nos sistemas democr\u00e1ticos de governo, na Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Homens e no m\u00e9todo cient\u00edfico. \u00c9 a partir de cren\u00e7as deste teor que passamos julgamento em pr\u00e1ticas que possam ocorrer dentro ou fora da nossa cultura. Por exemplo, repudiamos o canibalismo, as execu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, a tortura, a discrimina\u00e7\u00e3o, e por a\u00ed afora.<\/p>\n<p>Herdamos e cultivamos valores bem definidos \u2013 ainda que, na pr\u00e1tica, possamos escorregar. Por esta raz\u00e3o, antes de discutir outras sociedades, \u00e9 preciso explicitar e estudar os nossos valores, com suas virtudes e limita\u00e7\u00f5es. Esse, em si, \u00e9 um objetivo nobre de qualquer programa de estudo nesta linha. Se os autores querem renegar esta descend\u00eancia cultural, que o fa\u00e7am de forma clara e proponham algo para a substituir.<\/p>\n<p>Tal como est\u00e1 apresentado, o texto induz a um relativismo e subjetivismo nocivos. N\u00e3o h\u00e1 como ver o certo e o errado, o pitoresco, o bizarro e o perverso. \u00c9 curioso, critica-se a nossa heran\u00e7a cultural, em seguida, citam-se os Direitos Humanos como um imperativo \u00e9tico. Mas de onde vem esses direito.<\/p>\n<p>Afirma-se que a \u201craz\u00e3o e a experi\u00eancia\u201d n\u00e3o explicam outras sociedades. Contudo, \u00e9 dif\u00edcil imaginar um antrop\u00f3logo s\u00e9rio que n\u00e3o tenha estes dois princ\u00edpios como esteios de seus m\u00e9todos de pesquisa.<\/p>\n<p>Fala-se da \u201ctransitoriedade do conhecimento\u201d. Trata-se de uma afirmativa perigosa e fora de contexto. Como est\u00e1, \u00e9 um convite ao relativismo cient\u00edfico. Aceitemos, Big Bang, Zeus \u00a0e Tup\u00e3 n\u00e3o pertencem ao mesmo universo de discurso. Na tradi\u00e7\u00e3o da boa ci\u00eancia, o novo conhecimento, a nova formula\u00e7\u00e3o, avan\u00e7a sobre as vers\u00f5es anteriores. Mas \u00e9 tudo um aperfei\u00e7oamento das teorias anteriores. A Teoria da Relatividade n\u00e3o destruiu Newton. O que fez foi, a partir do que existia, criar um sistema mais geral, no qual a mec\u00e2nica cl\u00e1ssica permanece como um caso particular. Em contraste, n\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel que uma cosmologia pescada nas cren\u00e7as dos \u00edndios brasileiros venha a destronar a que temos, resultado de um longo processo de aproxima\u00e7\u00f5es sucessivas, por centenas de cientistas e ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Menciona-se a \u201cd\u00favida sistem\u00e1tica\u201d. Esta foi solidamente proposta por Descartes, mas com um significado muito preciso, como descrito em seu livrinho. Ou seja, para duvidar, s\u00f3 com bons argumentos. Com palpites, n\u00e3o vale.<\/p>\n<p>Menciona-se que \u201ca sociedade capitalista&#8230;. reproduz a desigualdade\u201d. Por que n\u00e3o se menciona tamb\u00e9m que, nos dias de hoje, os pa\u00edses mais igualit\u00e1rios e que oferecem padr\u00f5es de vida mais elevados para os menos favorecidos s\u00e3o tamb\u00e9m os capitalistas? Um documento oficial n\u00e3o pode se permitir estas pequenas trapa\u00e7as intelectuais.<\/p>\n<p><strong>O que n\u00e3o li<\/strong><\/p>\n<p>Talvez o que mais me incomodou n\u00e3o foi o que li, mas o que n\u00e3o li. Weltanschauung, ideologia, cren\u00e7as e doutrinas s\u00e3o nomes diferentes para a nossa maneira de ver o mundo e de reagir diante dele, especialmente, nos assuntos de pol\u00edtica e sociedade.<\/p>\n<p>Confrontando os fatos que desfilam diante de n\u00f3s, temos rea\u00e7\u00f5es quase previs\u00edveis, como resultado destas cren\u00e7as e valores que espreitam na nossa retaguarda. E que s\u00e3o previsivelmente diferentes daquelas de outra pessoa com persuas\u00f5es ideol\u00f3gicas diferentes. Ambas resultam de processos longos de aquisi\u00e7\u00e3o de valores. Esquerda, direita, socialismo, comunismo, fascismo, nazismo, capitalismo, islamismo: somos todos escravos de nossa ideologia. N\u00e3o se pede a ningu\u00e9m que deixe de ter ideologia, apenas que entenda que a tem e aceite que esta influencia as suas rea\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. De resto, \u00e9 f\u00e1cil deduzir o vi\u00e9s ideol\u00f3gico dos autores desta parte do documento. Por que n\u00e3o o explicitaram?<\/p>\n<p>Descrever com certo detalhe estas correntes \u00e9 um assunto que deveria merecer muito mais aten\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos. E atualmente, as vers\u00f5es vigentes s\u00e3o muito diferentes das originais. Considerem-se as muitas ramifica\u00e7\u00f5es do capitalismo e da socialdemocracia, o welfare state da Comunidade Europeia, o socialismo, incluindo as suas vers\u00f5es chinesas e cubanas e as transforma\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia sovi\u00e9tica. O Isl\u00e3 se bifurcou em interpreta\u00e7\u00f5es radicalmente diferentes do Cor\u00e3o. Precisamos entender o uso pol\u00edtico da religi\u00e3o, tanto nas Cruzadas quanto no fundamentalismo isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Entre o que est\u00e1 e o que falta neste campo do documento, configura-se um desafio formid\u00e1vel de transformar isso tudo em curr\u00edculo, com livros e manuais.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Finalmente temos uma nova orienta\u00e7\u00e3o para o Ensino M\u00e9dio. No geral, o documento apresentado ao CNE caminha na boa dire\u00e7\u00e3o, mantendo a ideia de diversifica\u00e7\u00e3o, seja das disciplinas, seja admitindo as grandes diferen\u00e7as individuais e entre os grupos que frequentam esse n\u00edvel de ensino. N\u00e3o obstante, tenho coment\u00e1rios e obje\u00e7\u00f5es a diferentes aspectos da &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/claudio-de-moura-castro-comentarios-a-base-nacional-do-ensino-medio\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Claudio de Moura Castro: Coment\u00e1rios \u00e0 Base Nacional do Ensino M\u00e9dio&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-5961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5961"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5968,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5961\/revisions\/5968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}