{"id":6033,"date":"2018-05-25T13:28:41","date_gmt":"2018-05-25T16:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6033"},"modified":"2018-05-28T10:27:35","modified_gmt":"2018-05-28T13:27:35","slug":"um-modelo-para-o-o-novo-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/um-modelo-para-o-o-novo-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Um modelo para o novo ensino m\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p><strong>Um modelo para o novo ensino m\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Proposta de organiza\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio por trajet\u00f3rias acad\u00eamicas, por tempo de horas (curr\u00edculo de 2400 horas em tr\u00eas anos)<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-6039\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Untitled-3-744x221.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Untitled-3-744x221.jpg 744w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Untitled-3-420x125.jpg 420w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Untitled-3-768x228.jpg 768w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Untitled-3-1200x357.jpg 1200w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Untitled-3.jpg 1237w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2017, o Congresso aprovou uma nova legisla\u00e7\u00e3o para o ensino m\u00e9dio; em abril de 2018, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o publicou a primeira vers\u00e3o do que seria a &#8220;Base Nacional Curricular Comum&#8221; do ensino m\u00e9dio, que, <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5950\">al\u00e9m de outros problemas<\/a>, se limita somente ao que seria a &#8220;parte comum&#8221; do novo curr\u00edculo; \u00a0desde ent\u00e3o a propaganda governamental na TV mostra jovens felizes dizendo que, agora, finalmente, podem fazer suas escolhas. Mas ningu\u00e9m sabe ainda, nas redes escolares, como ser\u00e1 este novo ensino m\u00e9dio. O Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o tem a oportunidade de rever a proposta da Base Curricular elaborada pelo Minist\u00e9rio, e esta \u00e9 uma ocasi\u00e3o de aprofundar o entendimento sobre como a reforma que se busca ficar\u00e1 de fato.<\/p>\n<p>Esta proposta, resultado de conversas com v\u00e1rios colegas nas \u00faltimas semanas, prop\u00f5e um modelo para este ensino m\u00e9dio reformado. Est\u00e1 longe de ser um modelo acabado, mas permite pensar de forma mais concreta o que poderia de fato ser feito, e assim, avan\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n<p>O ensino m\u00e9dio \u00e9 o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre a educa\u00e7\u00e3o fundamental, que deve proporcionar uma base comum de conhecimentos e compet\u00eancias para toda a popula\u00e7\u00e3o, e a educa\u00e7\u00e3o superior e profissional, em que os jovens se encaminham por diversas trajet\u00f3rias de forma\u00e7\u00e3o e trabalho.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, os jovens j\u00e1 chegam ao ensino m\u00e9dio com diferentes condi\u00e7\u00f5es, necessidades, compet\u00eancias e motiva\u00e7\u00f5es para o estudo e o trabalho. No Brasil, \u00a0al\u00e9m disto, a grande maioria dos jovens n\u00e3o completa a educa\u00e7\u00e3o fundamental com um n\u00edvel satisfat\u00f3rio de dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa, do racioc\u00ednio matem\u00e1tico, do entendimento das ci\u00eancias naturais e sociais, nem de conhecimentos mais amplos e aprofundados do contexto cultural, social e pol\u00edtico em que vivem.<\/p>\n<p>O ensino m\u00e9dio tradicional, implantado no Brasil na d\u00e9cada de 40 e mantido sem mudan\u00e7as mais profundas at\u00e9 recentemente, se iniciava ap\u00f3s o antigo prim\u00e1rio de 4 ou 5 anos com o antigo gin\u00e1sio e continuava pelos tr\u00eas anos dos cursos colegiais, e tinha como objetivo dar aos poucos estudantes que chegavam a este n\u00edvel, sobretudo homens, uma forma\u00e7\u00e3o geral que os preparasse para os estudos universit\u00e1rios. Para as mulheres, as alternativas eram a forma\u00e7\u00e3o para o lar ou os cursos normais para o magist\u00e9rio. Para os demais, havia uma oferta limitada de ensino profissional para a ind\u00fastria, com\u00e9rcio e agricultura, e a grande maioria n\u00e3o ia al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, quando chegava at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o se alterou radicalmente no Brasil. O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o fundamental se tornou praticamente universal, e a diferencia\u00e7\u00e3o por g\u00eanero praticamente desapareceu. Em 2017, 87% dos jovens de 20 anos haviam completado a educa\u00e7\u00e3o fundamental, e 64% haviam completado o ensino m\u00e9dio, que se tornou obrigat\u00f3rio por lei. Ao mesmo tempo, o mundo do conhecimento, da pesquisa e das profiss\u00f5es se ampliou e se transformou profundamente. De uma educa\u00e7\u00e3o de elite, excludente e relativamente homog\u00eanea no passado, evoluiu-se para uma educa\u00e7\u00e3o abrangente, inclusiva mas, por isto mesmo, mais diferenciada.<\/p>\n<p>Dos jovens que hoje chegam ao ensino m\u00e9dio, cerca de 20 a 30% no m\u00e1ximo chegar\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior, que tamb\u00e9m est\u00e1 se ampliando, mas com n\u00edveis muito distintos de exig\u00eancia e qualifica\u00e7\u00e3o. O ensino m\u00e9dio precisa atender ainda a uma grande popula\u00e7\u00e3o adulta que busca completar sua educa\u00e7\u00e3o \u2013 em 2017, 25% de seus alunos tinham mais de 18 anos. A grande maioria dos alunos chega ao ensino m\u00e9dio com uma educa\u00e7\u00e3o fundamental prec\u00e1ria, precisando de uma qualifica\u00e7\u00e3o profissional valorizada no mercado de trabalho, e muitos precisam trabalhar enquanto estudam.<\/p>\n<p>O ensino m\u00e9dio precisa atender a este p\u00fablico diferenciado oferecendo aos diferentes segmentos uma capacita\u00e7\u00e3o que seja \u00fatil e significativa para as diferentes trajet\u00f3rias. A nova legisla\u00e7\u00e3o sobre o ensino m\u00e9dio reconhece esta necessidade, ao diferenciar um n\u00facleo comum de forma\u00e7\u00e3o das diferentes trajet\u00f3rias ou itiner\u00e1rios formativos poss\u00edveis. A parte comum inclui\u00a0 as compet\u00eancias no uso da l\u00edngua portuguesa, da matem\u00e1tica, da l\u00edngua inglesa, e conhecimentos nas \u00e1reas das humanidades, ci\u00eancias sociais e naturais. A parte diferenciada tamb\u00e9m se dar\u00e1, naturalmente, dentro das diversas \u00e1reas de conhecimento, mas com maior aprofundamento e capacita\u00e7\u00e3o para trajet\u00f3rias futuras, seja em estudos superiores, seja na vida profissional.\u00a0 \u00c9 do peso relativo e da maneira pela qual estes diferentes conte\u00fados ser\u00e3o apresentados e apropriados pelo estudantes que o novo ensino m\u00e9dio se diferenciar\u00e1 efetivamente do modelo tradicional adotado at\u00e9 o presente.<\/p>\n<p><strong>Pontos principais da proposta<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Ao t\u00e9rmino do ensino fundamental, os alunos devem passar\u00a0<strong>por um processo de orienta\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>que indique que op\u00e7\u00f5es disp\u00f5em para continuar seus estudos, em fun\u00e7\u00e3o de sua forma\u00e7\u00e3o anterior e da disponibilidade de oferta em sua \u00e1rea de resid\u00eancia. Idealmente, como ocorre em muitos pa\u00edses, deveria haver uma avalia\u00e7\u00e3o abrangente do desempenho dos estudantes ao t\u00e9rmino do fundamental, ou seja, aos 15 anos, que servisse de refer\u00eancia para esta orienta\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li><strong>A ado\u00e7\u00e3o de uma defini\u00e7\u00e3o expl\u00edcita dos principais itiner\u00e1rios formativos<\/strong>, que n\u00e3o sejam a classifica\u00e7\u00e3o formal de \u00e1reas de conhecimento adotada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, nem que fiquem totalmente abertos a crit\u00e9rio de cada sistema de ensino. Estes itiner\u00e1rios, de forma condizente com a experi\u00eancia internacional, deveriam ser 1) humanidades, incluindo l\u00edngua portuguesa, letras, artes e literatura e filosofia; 2) matem\u00e1tica, ci\u00eancias f\u00edsicas e tecnologia (STEM); 3) ci\u00eancias biol\u00f3gicas e da sa\u00fade; 4) ci\u00eancias econ\u00f4micas e sociais.<\/li>\n<li>Estes itiner\u00e1rios n\u00e3o devem ser obrigat\u00f3rios, as escolas e redes de ensino continuam com autonomia para organizar seus curr\u00edculos de outras formas. No entanto, <strong>o governo federal n\u00e3o pode se abster<\/strong>, e sua atua\u00e7\u00e3o deve consistir em definir com clareza a base curricular dos principais itiner\u00e1rios e o processo de avalia\u00e7\u00e3o de resultados atrav\u00e9s de uma nova vers\u00e3o do ENEM.<\/li>\n<li>A base nacional curricular comum, que hoje se limita \u00e0 chamada \u201cparte comum\u201d, deve identificar, de maneira clara, os principais conte\u00fados e compet\u00eancias de cada \u00e1rea, <strong>em dois n\u00edveis<\/strong>:\u00a0 um n\u00edvel \u00a0inicial ou geral, que em princ\u00edpio todos os alunos deveriam poder seguir, e um n\u00edvel mais amplo e aprofundado, para os que optem por esta \u00e1rea como itiner\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o. <strong>O curr\u00edculo a ser seguido pelos alunos ser\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o entre um itiner\u00e1rio principal e forma\u00e7\u00e3o inicial em outras \u00e1reas, <\/strong>al\u00e9m de cursos de ingl\u00eas e opcionais.<\/li>\n<li><strong>O atual ENEM deixa de ser uma prova \u00fanica<\/strong>, e se transforma em um conjunto de provas, uma mais geral, de compet\u00eancias em l\u00edngua e racioc\u00ednio matem\u00e1tico, e outras espec\u00edficas para cada um dos itiner\u00e1rios formativos<\/li>\n<li><strong>A forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional, que proporciona um t\u00edtulo de t\u00e9cnico de n\u00edvel m\u00e9dio, deve ser dada em escolas especializadas<\/strong>, que incorporem tamb\u00e9m as partes gerais de forma\u00e7\u00e3o aos curr\u00edculos t\u00e9cnicos, ou em parcerias entre escolas regulares e escolas ou centros de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/li>\n<li>Os principais cursos t\u00e9cnicos de n\u00edvel m\u00e9dio dever\u00e3o ser objeto de <strong>sistemas nacionais ou regionais de certifica\u00e7\u00e3o profissional.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>No modelo proposto, resumido no quadro acima, se sup\u00f5e um curso m\u00e9dio de 2400 horas de dura\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o que ainda predomina. \u00a0A ideia \u00e9 que cada itiner\u00e1rio ocupe cerca de mil horas para todos os que os escolham, e 300 horas para os demais, sobrando anda 4o0 horas para cursos de ingl\u00eas, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, o opcionais. Assim, por exemplo, s\u00f3 quem optar pela \u00e1rea de ci\u00eancias f\u00edsicas e matem\u00e1ticas precisar\u00e1 cumprir o programa completo de matem\u00e1tica, para os demais a parte inicial de matem\u00e1tica deve ser suficiente.\u00a0Os alunos que optem por trajet\u00f3ria t\u00e9cnica poderiam optar entre a forma\u00e7\u00e3o inicial em ci\u00eancias f\u00edsicas e tecnologia ou ci\u00eancias da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Estes n\u00fameros s\u00e3o somente para dar uma ideia de grandeza, j\u00e1 que o importante n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero de horas em sala, e sim o desenvolvimento dos conhecimentos e compet\u00eancias \u00a0requeridos a serem avaliados ao final. Neste formato, todos os alunos passam pelas quatro \u00e1reas, e assim atendem assim aos requisitos comuns do ensino m\u00e9dio, mas com \u00eanfases distintas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao tempo de aula, a lei deu \u00eanfase ao ensino m\u00e9dio em tempo completo, mas n\u00e3o mencionou o grave problema do ensino m\u00e9dio noturno. Ser\u00e1 importante, em uma nova pol\u00edtica para o setor, procurar acabar definitivamente com o ensino m\u00e9dio noturno para jovens de menos de 18 anos, se necess\u00e1rio com \u00a0programas de bolsas de estudo para os que precisem trabalhar. \u00a0O desej\u00e1vel \u00e9 que todos os estudantes possam passar cinco horas di\u00e1rias na escola, o que daria um total de 3 mil horas em tr\u00eas anos, como est\u00e1 previsto na legisla\u00e7\u00e3o; o tempo integral pode ser desej\u00e1vel em alguns casos, mas n\u00e3o precisa ser a meta para todos os estudantes.<\/p>\n<p><strong>Justificativas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Prioridade para a diferencia\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Existem duas maneiras principais de pensar o novo formato para o ensino m\u00e9dio. O primeiro consiste em colocar a \u00eanfase na parte comum, ocupando o total do m\u00e1ximo de 1.600 horas previstas na legisla\u00e7\u00e3o para esta parte, possivelmente nos dois primeiros anos, e deixando os itiner\u00e1rios formativos e a forma\u00e7\u00e3o especializada para o \u00faltimo ano. O risco desta op\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela mant\u00e9m sem maiores altera\u00e7\u00f5es o atual modelo, no qual um n\u00famero significativo de estudantes abandonam o curso j\u00e1 no primeiro ano, pela dificuldade de seguir o curr\u00edculo e a falta de interesse e motiva\u00e7\u00e3o por este tipo de estudo.<\/p>\n<p>A segunda op\u00e7\u00e3o \u00a0\u00e9 colocar desde o in\u00edcio o centro de gravidade da educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia nos itiner\u00e1rios formativos, e n\u00e3o na parte comum, que deve ser proporcionada, tanto quanto poss\u00edvel, de forma efetivamente integrada e a servi\u00e7o dos diferentes itiner\u00e1rios, e n\u00e3o de forma separada ou segmentada.<\/p>\n<p>A lei de reforma do ensino m\u00e9dio estabelece que os itiner\u00e1rios formativos devem ser os mesmos da classifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de conhecimento utilizada tradicionalmente pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (linguagens e suas tecnologias, matem\u00e1tica e suas tecnologias, ci\u00eancias da natureza e suas tecnologias, ci\u00eancias humanas e sociais aplicadas). Existe, no entanto, amplo espa\u00e7o para que isto seja reinterpretado, j\u00e1 que a lei tamb\u00e9m estabelece que \u201ca organiza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas e das respectivas compet\u00eancias e habilidades ser\u00e1 feita de acordo com os crit\u00e9rios estabelecidos em cada sistema de ensino\u201d, e abre a possibilidade de\u00a0 \u201citiner\u00e1rio formativo integrado\u201d, combinando os diferentes componentes da base nacional curricular.<\/p>\n<p><em>Uma defini\u00e7\u00e3o clara, apoiada na Base Nacional Curricular, dos principais itiner\u00e1rios formativos<\/em><\/p>\n<p>Existe bastante consenso de que a classifica\u00e7\u00e3o oficial das \u00e1reas de conhecimento adotada na lei n\u00e3o \u00e9 uma boa maneira de organizar um curr\u00edculo , porque amplia demais a \u00e1rea de linguagens (juntando o estudo das l\u00ednguas naturais com a educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e as linguagens de computa\u00e7\u00e3o), deixa a matem\u00e1tica isolada, junta todas as ci\u00eancias naturais em um s\u00f3 bloco e n\u00e3o distingue as ci\u00eancias sociais das humanidades.\u00a0 Nesta proposta, propomos uma classifica\u00e7\u00e3o mais condizente com as pr\u00e1ticas internacionais, que podem se constituir em alternativas efetivas de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste modelo,as escolas se organizam, pedagogicamente, em quatro ou cinco coordena\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>I &#8211; Matem\u00e1tica, ci\u00eancias f\u00edsicas e tecnologia<\/p>\n<p>II &#8211; Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e da Sa\u00fade<\/p>\n<p>III &#8211; Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e sociais<\/p>\n<p>IV &#8211; Portugu\u00eas, Letras, artes e literatura<\/p>\n<p>V &#8211; T\u00e9cnica \/ profissional (quando houver)<\/p>\n<ul>\n<li>Cada uma destas coordena\u00e7\u00f5es estrutura um programa de ensino de dois n\u00edveis, \u00a0um introdut\u00f3rio e outro aprofundado (correspondentes a um \u201cminor\u201d ou \u201cmajor\u201d). Estes programas podem ser estruturados por uma combina\u00e7\u00e3o de aulas mais formais e desenvolvimento de projetos, sobre temas espec\u00edficos, que requeiram os conhecimentos e compet\u00eancias das diversas disciplinas. Os conte\u00fados n\u00e3o cognitivos, emocionais, trabalho em equipe, empreendedorismo, etc., devem ser dados no contexto dos projetos.<\/li>\n<li>Cada estudante opta por uma trajet\u00f3ria aprofundada, e completa a primeira parte, introdut\u00f3ria.<\/li>\n<li>Os estudantes que seguem as trajet\u00f3rias profissionais completam somente a parte introdut\u00f3ria das demais \u00e1reas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esta distribui\u00e7\u00e3o de tempos n\u00e3o deve r\u00edgida, e as escolas podem abrir espa\u00e7o para outras disciplinas eletivas, de cunho regional ou local, etc., cursos de forma\u00e7\u00e3o profissional de curta dura\u00e7\u00e3o , etc. Tanto quanto poss\u00edvel as partes introdut\u00f3rias de matem\u00e1tica e portugu\u00eas devem ser dadas de forma integrada e sob a orienta\u00e7\u00e3o dos coordenadores das respectivas \u00e1reas.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica profissional deve ser proporcionada por escolas especializadas, como as do Centro Paula Souza em S\u00e3o Paulo, dos Institutos Federais de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia, do Sistema S, e outras p\u00fablicas e privadas criadas especificamente com este objetivo. As escolas p\u00fablicas regulares devem oferecer op\u00e7\u00f5es dentro da forma\u00e7\u00e3o geral, e quando for poss\u00edvel estabelecer acordos de coopera\u00e7\u00e3o para proporcionar alternativas efetivas de forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p><em>A reformula\u00e7\u00e3o do ENEM e dos exames de certifica\u00e7\u00e3o profissional<\/em><\/p>\n<p>A reforma do ensino m\u00e9dio n\u00e3o tem como avan\u00e7ar sem uma transforma\u00e7\u00e3o profunda do ENEM. Ao inv\u00e9s de um exame \u00fanico, \u00e9 necess\u00e1rio que exista uma prova geral de aptid\u00e3o, tipo SAT, provas espec\u00edficas por grandes \u00e1reas de conhecimento, e certifica\u00e7\u00f5es profissionais diferenciadas.\u00a0 Com isto, o ENEM deixar\u00e1 de ser uma prova \u00fanica com m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, e cada universidade ou programa p\u00fablico que necessite de seus dados\u00a0dever\u00e1 utiliza-los conforme sua conveni\u00eancia.<\/p>\n<p>O atual ENEM se transforma em um conjunto de provas separadas, de livre escolha:<\/p>\n<p>1 \u2013 Uma prova de compet\u00eancias gerais em uso de linguagem e racioc\u00ednio matem\u00e1tico, para todos os alunos<\/p>\n<p>2 \u2013 uma prova de compet\u00eancias em matem\u00e1tica, engenharia e tecnologia (major)<\/p>\n<p>3 \u2013 uma prova de compet\u00eancias em ci\u00eancias biol\u00f3gicas e da sa\u00fade (major)<\/p>\n<p>4 \u2013 uma prova de compet\u00eancias em ci\u00eancias econ\u00f4micas e sociais (major)<\/p>\n<p>5 \u2013 uma prova de compet\u00eancias em portugu\u00eas, letras, artes e literatura (major)<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em parceria com o Sistema S e outras entidades envolvidas com o ensino t\u00e9cnico, prepara um conjunto de certifica\u00e7\u00f5es profissionais para as \u00a0\u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o de maior demanda ou consideraras mais cr\u00edticas, evoluindo aos poucos para um sistema nacional de qualifica\u00e7\u00f5es profissionais e t\u00e9cnicas (metade das matriculas atuais em cursos t\u00e9cnicos se concentram em \u00a0agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade, analises cl\u00ednicas, citopatologia, controle ambiental, enfermagem, equipamentos biom\u00e9dicos, est\u00e9tica e farm\u00e1cia).\u00a0Os <em>eixos tecnol\u00f3gicos <\/em>utilizados no cat\u00e1logo nacional de cursos t\u00e9cnicos mantido pelo MEC n\u00e3o s\u00e3o adequados para isto, porque re\u00fanem profiss\u00f5es que podem ser muito diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um modelo para o novo ensino m\u00e9dio Proposta de organiza\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio por trajet\u00f3rias acad\u00eamicas, por tempo de horas (curr\u00edculo de 2400 horas em tr\u00eas anos) &nbsp; No in\u00edcio de 2017, o Congresso aprovou uma nova legisla\u00e7\u00e3o para o ensino m\u00e9dio; em abril de 2018, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o publicou a primeira vers\u00e3o do &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/um-modelo-para-o-o-novo-ensino-medio\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Um modelo para o novo ensino m\u00e9dio&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-6033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6033"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6033\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6051,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6033\/revisions\/6051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}