{"id":6121,"date":"2018-09-11T08:28:14","date_gmt":"2018-09-11T11:28:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6121"},"modified":"2019-01-27T20:02:23","modified_gmt":"2019-01-27T23:02:23","slug":"helio-jaguaribe-e-os-cardernos-de-nosso-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/helio-jaguaribe-e-os-cardernos-de-nosso-tempo\/","title":{"rendered":"H\u00e9lio Jaguaribe e os Cardernos de Nosso Tempo"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:213,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/archive.org\\\/details\\\/DoNacionalismoAoDesenvolvimentismo&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;},{&quot;id&quot;:214,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/archive.org\\\/details\\\/1979PensamentoNacionalista&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e9lio Jaguaribe, que nos deixa agora aos 95 anos de idade, foi uma refer\u00eancia central para minha gera\u00e7\u00e3o, embora nem sempre concordando com ele. Um dos meus primeiros escritos foi um coment\u00e1rio cr\u00edtico a um livro que publicara sobre <em>Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Desenvolvimento Pol\u00edtico<\/em>, que <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/DoNacionalismoAoDesenvolvimentismo\">pode ser visto aqui.<\/a> \u00a0No final da d\u00e9cada de 70, organizei uma colet\u00e2nea de artigos dos <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/1979PensamentoNacionalista\">Cadernos de Nosso Tempo<\/a>, revista \u00a0dos anos 50 do Grupo de Itatiaia liderado por Jaguaribe, que reunia v\u00e1rios importantes intelectuais da \u00e9poca, e que foi o embri\u00e3o do Instituto de Superior de Estudos Brasileiros, o ISEB. O texto abaixo \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 colet\u00e2nea, que republico aqui em sua mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align:center\"><strong>O Pensamento Nacionalista e os &#8220;Cadernos de Nosso Tempo&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align:left\">EM AGOSTO de 1952, um grupo de estudiosos come\u00e7ou a se reunir, periodicamente, para discutir os grandes problemas da \u00e9poca. Da agenda constava &#8220;o esclarecimento de problemas relacionados com a interpreta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, sociol\u00f3gica, pol\u00edtica e cultural de nossa \u00e9poca, com a an\u00e1lise, em particular, das id\u00e9ias e dos fen\u00f4menos pol\u00edticos contempor\u00e2neos e com o estudo hist\u00f3rico e sistem\u00e1tico do Brasil, encarado, igualmente, do ponto de vista econ\u00f4mico, sociol\u00f3gico, pol\u00edtico e cultural&#8221;. O Parque Nacional de Itatiaia, entre Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, serviu de ponto de encontro, com acomoda\u00e7\u00f5es cedidas pelo Minist\u00e9rio da Agricultura. Da\u00ed a denomina\u00e7\u00e3o de &#8220;Grupo de Itatiaia,&#8221; pela qual o grupo ficou conhecido. Alguns meses depois, j\u00e1 em 1953, ele levaria \u00e2 cria\u00e7\u00e3o do instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Pol\u00edtica &#8211; IBESP, respons\u00e1vel, entre 1953 e 1956, pela edi\u00e7\u00e3o de cinco volumes dos&nbsp;<em>Cadernos de Nosso Tempo<\/em>. A import\u00e2ncia do IBESP e dos Cadernos \u00e9 que eles cont\u00eam, no nascedouro, toda a ideologia do nacionalismo, que ganharia for\u00e7a cada vez maior no pais nos anos subseq\u00fcentes, e serviriam de ponto de partida para a constitui\u00e7\u00e3o do Instituto Superior de Estudos Brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seria evidentemente equivocado supor que todos os participantes do grupo de Itatiaia, colaboradores dos&nbsp;<em>Cadernos<\/em>&nbsp;e futuros membros do ISEB, tivessem uma maneira un\u00edvoca e coerente de ver as coisas. A pr\u00f3pria hist\u00f3ria mostraria que este movimento juntou, por alguns anos, pessoas com trajet\u00f3rias intelectuais e pol\u00edticas bastante diversas. A lista de colaboradores dos&nbsp;<em>Cadernos<\/em>&nbsp;\u00e9 extensa: ela inclui a Alberto Guerreiro Ramos, C\u00e2ndido Mendes de Almeida, Carlos Lu\u00eds Andrade, Ewaldo Correia Lima, F\u00e1bio Breves, Heitor Lima Rocha, H\u00e9lio Jaguaribe, Hermes Lima, Ign\u00e1cio Rangel, Jo\u00e3o Paulo de Almeida Magalh\u00e3es, Jos\u00e9 Ribeiro de Lira, Jorge Abelardo Ramos, Juvenal Os\u00f3rio Gomes, Moacir F\u00e9lix de Oliveira e Oscar Lorenzo Fernandes. A preocupa\u00e7\u00e3o com o subdesenvolvimento brasileiro, a busca de uma posi\u00e7\u00e3o internacional de n\u00e3o alinhamento e de &#8220;terceira for\u00e7a&#8221;, um nacionalismo em rela\u00e7\u00e3o aos recursos naturais do pa\u00eds, uma racionaliza\u00e7\u00e3o maior da gest\u00e3o p\u00fablica, maior participa\u00e7\u00e3o de setores populares na vida pol\u00edtica, tais eram, em poucas palavras, os valores que pareciam unificar a todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m deste m\u00ednimo, havia certamente diferen\u00e7as, algumas de \u00eanfase, outras substantivas, como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, tese central do documento de Jaguaribe de 1953 (&#8220;A Crise Brasileira&#8221;). As an\u00e1lises econ\u00f4micas dos&nbsp;<em>Cadernos<\/em>&nbsp;n\u00e3o diferem, em ess\u00eancia, das proposi\u00e7\u00f5es da CEPAL; os diversos trabalhos de Alberto Guerreiro Ramos (&#8220;Padr\u00e3o de Vida do Proletariado de S\u00e3o Paulo.&#8221; no. 1; &#8220;O Problema do Negro na Sociologia Brasileira,&#8221; no. 2; &#8220;A Ideologia da&nbsp;<em>Jeunesse Dor\u00e9e<\/em>,&#8221; no. 4; &#8220;O Inconsciente Sociol\u00f3gico&#8221;; no. 5) tampouco se integraram de forma clara ao que ficou mais tarde conhecido como o pensamento isebiano; finalmente, a grande preocupa\u00e7\u00e3o do IBESP com temas relativos \u00e0 politica internacional (que levou, inclusive, \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de extensa documenta\u00e7\u00e3o sobre a Confer\u00eancia de Berlim de 1954, ocupando a maior parte do n\u00famero 3) parece responder ao clima particularmente agudo da guerra fria no in\u00edcio da d\u00e9cada de 50, n\u00e3o permanecendo no tempo a n\u00e3o ser no esfor\u00e7o de aproxima\u00e7\u00e3o com os novos pa\u00edses africanos, e uma id\u00e9ia de uma pol\u00edtica externa independente que n\u00e3o deixaria de produzir seus frutos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que d\u00e1 ao IBESP sua caracter\u00edstica inovadora na hist\u00f3ria do pensamento politico brasileiro \u00e9 que, pela primeira vez, um grupo intelectual se prop\u00f5e a assumir uma lideran\u00e7a pol\u00edtica nacional por seus pr\u00f3prios meios. Neste sentido, o IBESP \u00e9 radicalmente novo. Ele se diferencia dos pensadores pol\u00edticos do passado que acreditavam que seriam suas id\u00e9ias, se corretamente aplicadas &#8211; fossem elas liberais, cat\u00f3licas ou conservadoras -,que iriam transformar a sociedade. E se diferencia, tamb\u00e9m, dos pensadores de influ\u00eancia marxista, que se alinhavam, f\u00edsica e intelectualmente, com um setor da sociedade que, acreditavam, viria um dia a lider\u00e1-la, ou seja, a classe oper\u00e1ria. Para os primeiros, as id\u00e9ias pol\u00edticas fariam tudo; para os segundos, elas podiam pouco. Para o IBESP, eram os intelectuais, mais do que suas id\u00e9ias ou partidos, que poderiam, um dia, tomar o destino do pa\u00eds em suas m\u00e3os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evolu\u00e7\u00e3o do IBESP de um mero grupo de estudos para um grupo intelectual com projeto pol\u00edtico pr\u00f3prio j\u00e1 \u00e9 indicada na &#8220;Breve Introdu\u00e7\u00e3o ao IBESP&#8221; do no. 1 dos CNT: &#8220;o agravamento da crise brasileira e a aguda consci\u00eancia de que se impunha a necessidade de tentar a analise de seus efeitos e causas em busca de solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis levou o IBESP, no curso deste ano (1953),a suspender, por alguns meses, o programa de estudos tra\u00e7ados no ano precedente, para se dedicar, predominantemente, \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da crise nacional&#8221;. Efeitos, antes que causas, e solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, antes que estudos a prazo indeterminado: \u00e9 a id\u00e9ia de efic\u00e1cia que emerge. Existe ainda, por toda parte, a id\u00e9ia de que o conhecimento da realidade social tem que ser integrado, sistem\u00e1tico, abrangente. Esta \u00e9, na realidade, uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para uma vis\u00e3o da realidade que pretende ser uma ideologia, e n\u00e3o um simples conhecimento aberto, diferenciado e tentativo. Da\u00ed o grande apelo das formula\u00e7\u00f5es apresentadas pelo IBESP, como tamb\u00e9m a explica\u00e7\u00e3o de muitas de suas falhas. Mas, afinal, que poderia fazer um grupo de intelectuais?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe, neste texto, uma vis\u00e3o clara a respeito do caminho que as elites intelectuais deveriam seguir para desenvolver seu projeto. Ele fala, simplesmente, da necessidade de promover a &#8220;circula\u00e7\u00e3o das elites&#8221;, e da &#8220;forma\u00e7\u00e3o de um movimento social apoiado numa ideologia e orientado por uma program\u00e1tica, apto a suscitar confian\u00e7a no futuro e anseio pela realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos prefixados&#8221;. Em &#8220;Para uma Pol\u00edtica Nacional de Desenvolvimento&#8221;, publicado coletivamente pelo IBESP no \u00faltimo n\u00famero dos&nbsp;<em>Cadernos<\/em>, j\u00e1 surge uma formula\u00e7\u00e3o mais clara. A realiza\u00e7\u00e3o do programa pol\u00edtico do IBESP teria, essencialmente, duas condi\u00e7\u00f5es: &#8220;o esclarecimento ideol\u00f3gico das for\u00e7as progressistas acima indicadas, a partir das mais din\u00e2micas &#8211; burguesia industrial, proletariado e setores t\u00e9cnicos da classe m\u00e9dia &#8211; e arregimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica destas for\u00e7as. Tanto aquela como esta condi\u00e7\u00e3o, conforme se viu, requerem, para se realizar, a atua\u00e7\u00e3o promocional e orientadora de uma vanguarda politica capaz e bem organizada&#8221;. Quem comporia esta vanguarda n\u00e3o est\u00e1 dito, mas pode ser facilmente intu\u00eddo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seria desnecess\u00e1rio lembrar que a no\u00e7\u00e3o de ideologia adotada pelo IBESP, e a vis\u00e3o de seu papel na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade, era multo particular. Karl Mannheim distinguia as &#8220;ideologias parciais&#8221; das ideologias &#8220;totais&#8221;; a primeira seriam as representa\u00e7\u00f5es coletivas pr\u00f3prias de grupos sociais colocados diferencialmente na estrutura social &#8211; classes sociais, basicamente &#8211; e a segunda, a vis\u00e3o de mundo mais geral, ou&nbsp;<em>weltanschauung&nbsp;<\/em>de uma \u00e9poca. O antagonismo das ideologias parciais n\u00e3o se resolveria na ideologia total, como o texto sobre &#8220;A Crise Brasileira&#8221; parece sugerir, j\u00e1 que elas se colocariam em planos diferentes. A solu\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de Luk\u00e1cs para a quest\u00e3o da verdade das ideologias, adotada mais tarde por Lucien Goldmann, \u00e9 que existiria uma ideologia &#8220;verdadeira&#8221;, a da classe oper\u00e1ria, que teria em suas m\u00e3os o futuro da hist\u00f3ria; e ideologias &#8220;falsas,&#8221; as ideologias conservadoras das classes dominantes. Mannheim, desprovido de uma vis\u00e3o aprior\u00edstica do processo hist\u00f3rico, prop\u00f5e como sa\u00edda a constitui\u00e7\u00e3o de um grupo social acima das classes, a&nbsp;<em>intelligentsia<\/em>&nbsp;, que teria condi\u00e7\u00f5es de se colocar al\u00e9m das ideologias parciais e ter, assim, uma vis\u00e3o verdadeira do conjunto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conhecimento obtido pela&nbsp;<em>intelligentsia<\/em>&nbsp;manheimiana n\u00e3o seria, entretanto, necessariamente &#8220;ideol\u00f3gico.&#8221; A sociologia moderna tende a reservar o termo &#8220;ideologia&#8221; para se referir n\u00e3o a um conjunto qualquer de valores, prefer\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es de determinado grupo social, mas a situa\u00e7\u00f5es especiais em que estes valores, prefer\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es se apresentam fortemente estruturados como uma vis\u00e3o de mundo integrada e coesa. As ideologias seriam, assim, somente um tipo extremo de &#8220;sistema de cren\u00e7as&#8221; pol\u00edticas, que poderiam se apresentar com diversos graus de estrutura\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia hist\u00f3rica em todo o mundo mostra que, em geral, o n\u00edvel de ideologiza\u00e7\u00e3o das sociedades \u00e9 baixo, e s\u00f3 tende a se acentuar em momentos de grandes convuls\u00f5es sociais que mobilizam popula\u00e7\u00f5es inteiras ao redor de uns poucos l\u00edderes e algumas proposi\u00e7\u00f5es muito gerais. Ao postular a necessidade da formula\u00e7\u00e3o de uma ideologia e sua difus\u00e3o na sociedade como passo inicial para as transforma\u00e7\u00f5es sociais que o pa\u00eds exigia, o IBESP atribu\u00eda aos intelectuais, formuladores desta ideologia, um papel muito mais importante do que o que Mannheim havia pretendido para sua &#8220;<em>intelligentsia<\/em>.&#8221; Havia, para isto, a condi\u00e7\u00e3o impl\u00edcita de que o processo pol\u00edtico brasileiro passasse por uma fase altamente revolucion\u00e1ria, o que era condi\u00e7\u00e3o para o surgimento de uma ideologia como o IBESP pretendia, mas contrariava seu pr\u00f3prio projeto pol\u00edtico, essencialmente reformista, e por isto mesmo pouco ideologizado. Esta \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seria percebida na \u00e9poca, mas que teria importantes conseq\u00fc\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Independentemente dos resultados efetivos de seu projeto pol\u00edtico, e da validade ou n\u00e3o das interpreta\u00e7\u00f5es que apresentava sobre a &#8220;crise de nosso tempo&#8221;, o IBESP foi respons\u00e1vel por uma s\u00e9rie de ingredientes que teriam uma presen\u00e7a duradoura no ambiente pol\u00edtico brasileiro: o desenvolvimento de uma ideologia nacionalista que se pretendia de esquerda, em contraposi\u00e7\u00e3o aos nacionalismos conservadores do pr\u00e9-guerra ; a difus\u00e3o das id\u00e9ias de uma &#8220;terceira posi\u00e7\u00e3o&#8221; tanto em rela\u00e7\u00e3o aos dois blocos liderados pelos Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica quanto em rela\u00e7\u00e3o aos pensamentos marxista e liberal cl\u00e1ssico; unia vis\u00e3o interessada a respeito do que ocorria nos novos pa\u00edses da \u00c1frica e \u00c1sia; a introdu\u00e7\u00e3o do pensamento existencialista entre a intelectualidade brasileira; e, acima de tudo, uma vis\u00e3o muito particular e ambiciosa do papel da ideologia e dos intelectuais na condu\u00e7\u00e3o do futuro pol\u00edtico do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do que antes se enumerou, os participantes do IBESP deixaram contribui\u00e7\u00f5es importantes para o conhecimento e cr\u00edtica da realidade pol\u00edtica e social brasileira. Somente a t\u00edtulo de exemplo, \u00e9 poss\u00edvel citar as an\u00e1lises sobre o estado cartorial, o populismo, o moralismo das classes m\u00e9dias, feitas especialmente por H\u00e9lio Jaguaribe, e as reavalia\u00e7\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o do pensamento pol\u00edtico e social brasileiro propostas, de forma inteligente e mordaz, por Guerreiro Ramos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pouco tempo depois de constitu\u00eddo, o IBESP estabelece um conv\u00eanio com a CAPES, liderada ent\u00e3o por An\u00edsio Teixeira, para a realiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de semin\u00e1rios sobre os &#8220;problemas de nossa \u00e9poca&#8221;, e come\u00e7ou, assim, o percurso que o levaria a se transformar em \u00f3rg\u00e3o permanente do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, como Instituto Superior de Estudos Brasileiros. O impacto e as vicissitudes do ISEB n\u00e3o poderiam ser vistos aqui. Basta lembrar que o ISEB foi, essencialmente, uma tentativa de levar \u00e0 frente os ideais do IBESP. Da\u00ed sua marca e da\u00ed, em \u00faltima an\u00e1lise, o seu fracasso.&nbsp;<br><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e9lio Jaguaribe, que nos deixa agora aos 95 anos de idade, foi uma refer\u00eancia central para minha gera\u00e7\u00e3o, embora nem sempre concordando com ele. 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