{"id":6147,"date":"2018-10-24T10:42:40","date_gmt":"2018-10-24T13:42:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6147"},"modified":"2018-10-24T10:42:43","modified_gmt":"2018-10-24T13:42:43","slug":"as-propostas-dos-presenciaveis-para-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/as-propostas-dos-presenciaveis-para-a-educacao\/","title":{"rendered":"As propostas dos presenci\u00e1veis para a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Instituto IEDE (Interdisciplinaridade e Evid\u00eancia no Debate Educacional) publicou uma an\u00e1lise detalhada das propostas dos presenci\u00e1veis para a educa\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/www.portaliede.com.br\/pesquisadores-analisam-propostas-dos-presidenciaveis-para-educacao\/\">Os textos est\u00e3o dispon\u00edveis aqui.&nbsp;<\/a>Coube a mim comentar as propostas de Fernando Haddad para o ensino m\u00e9dio. Em outro texto, publicado na revista <em>Veja <\/em>e tamb\u00e9m neste blog, comentei<a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6143&amp;lang=en-us\"> a quest\u00e3o do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia<\/a>, que parece central na proposta de Jair Bolsonaro.&nbsp;<\/p>\n<span hidden class=\"__iawmlf-post-loop-links\" data-iawmlf-links=\"[{&quot;id&quot;:209,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.portaliede.com.br\\\/pesquisadores-analisam-propostas-dos-presidenciaveis-para-educacao&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]\"><\/span>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A proposta de Haddad para o ensino m\u00e9dio&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo que tem sido difundido, os dois pontos principais da proposta de Fernando Haddad para o ensino m\u00e9dio s\u00e3o revogar a lei de reforma aprovada em 2017 e a cria\u00e7\u00e3o de um programa federal de ensino m\u00e9dio, baseado no modelo dos cursos integrados dos Institutos Federais de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia. \u00c9 uma proposta invi\u00e1vel, pelos custos que representaria, e elitista, significando uma volta atr\u00e1s no esfor\u00e7o que tem sido feito nos \u00faltimos anos para criar um ensino m\u00e9dio diferenciado e apropriado para a grande maioria dos jovens brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta \u00e9 invi\u00e1vel porque a federaliza\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio teria um custo totalmente incompat\u00edvel com a realidade or\u00e7ament\u00e1ria do pa\u00eds. Hoje, existem 370 mil alunos de n\u00edvel m\u00e9dio em institui\u00e7\u00f5es federais, e 8.2 milh\u00f5es nas redes estaduais. No sistema federal, s\u00e3o 13 alunos por professor; nas redes estaduais, 32. O custo por aluno nas redes estaduais \u00e9 de cerca de 6 mil reais ao ano. N\u00e3o h\u00e1 dados dispon\u00edveis sobre o custo por aluno de ensino m\u00e9dio no sistema federal, mas deve ser pr\u00f3ximo dos alunos de n\u00edvel superior, cerca de 22 mil reais ao ano. O custo de atender aos alunos das redes estaduais com o mesmo n\u00edvel de gastos do sistema federal seria de 173 bilh\u00f5es de reais, mais do que todo o or\u00e7amento atual do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Isto sem falar do pesadelo que seria trazer os atuais 250 mil professores de ensino m\u00e9dio para o sistema federal, que mal consegue administrar os quase 300 mil de suas universidades e institutos (estes n\u00fameros s\u00e3o aproximados, mas d\u00e3o uma boa ideia das grandezas envolvidas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Institutos federais, al\u00e9m de caros, s\u00e3o seletivos, e os poucos estudantes que passam em seus \u201cvestibulinhos\u201d aproveitam a oportunidade de estudar de gra\u00e7a em tempo integral para se preparar para o ENEM e entrar nas boas universidades federais ou estaduais. Bom para eles, mas n\u00e3o ajuda nada \u00e0 grande maioria que n\u00e3o tem acesso e nunca vai conseguir seguir uma carreira universit\u00e1ria com um m\u00ednimo de qualidade. S\u00e3o os estados que v\u00e3o continuar respons\u00e1veis pelo ensino m\u00e9dio, os recursos n\u00e3o cair\u00e3o do c\u00e9u, e o papel do governo federal deve ser apoiar e facilitar o trabalho dos estados, e n\u00e3o tomar o seu lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei de reforma do ensino m\u00e9dio aprovada no inicio de 2017 \u00e9 uma tentativa de criar um ensino m\u00e9dio diversificado, que n\u00e3o coloque todos os estudantes no mesmo funil dos cursos tradicionais e do ENEM, e que crie diferentes modalidades de forma\u00e7\u00e3o, mais acad\u00eamica ou mais profissional, para que todos possam aproveitar do ensino m\u00e9dio conforme seus interesses e condi\u00e7\u00f5es. A reforma ainda n\u00e3o foi implementada, e existem muitas d\u00favidas sobre a base curricular comum proposta pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, os conte\u00fados da chamada parte de forma\u00e7\u00e3o comum, os diferentes itiner\u00e1rios formativos, como o ENEM ser\u00e1 adaptado ao novo modelo, etc. Mas as tr\u00eas cr\u00edticas principais que tem sido feitas a esta lei pelos que prop\u00f5em sua revoga\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela aumentaria a desigualdade entre os estudantes, que ela eliminaria os conte\u00fados de ci\u00eancias sociais no ensino m\u00e9dio, e que seria uma lei \u201cdo Temer\u201d, aprovada sem discuss\u00e3o por medida provis\u00f3ria, e que por isto deveria ser revogada. Nenhuma destas cr\u00edticas \u00e9 v\u00e1lida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ensino m\u00e9dio brasileiro j\u00e1 muito desigual por v\u00e1rias raz\u00f5es, que incluem as diferen\u00e7as que os alunos j\u00e1 trazem da educa\u00e7\u00e3o fundamental, dos diferentes recursos investidos nos diferentes sistemas estaduais e federais, e tudo isto \u00e9 acentuado por um curr\u00edculo \u00fanico antiquado que poucos conseguem seguir e por um ENEM no qual entram 6 milh\u00f5es de candidatos para disputar menos de 300 mil vagas das universidades federais. Neste sistema, o ensino t\u00e9cnico n\u00e3o \u00e9 uma alternativa de forma\u00e7\u00e3o, como no resto do mundo, a ser usada preferencialmente para quem n\u00e3o vai diretamente para o ensino superior, mas uma atividade complementar ao curr\u00edculo tradicional. No novo formato, os alunos poder\u00e3o se concentrar em suas \u00e1reas de interesse, sem precisar estudar s\u00f3 para passar nas provas, e se abre a possibilidade de uma forma\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica e aplicada para quem quiser e precisar de se integrar mais rapidamente ao mercado de trabalho. Ao reconhecer as diferen\u00e7as e abrir alternativas de forma\u00e7\u00e3o, o modelo diferenciado permite reduzir, e n\u00e3o aumentar as desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao conte\u00fado, pouca gente acredita que o atual curr\u00edculo de 14 ou mais mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias dadas em aulas tradicionais forma de fato os estudantes. Faz muito mais sentido concentrar o estudo em uma parte menor, b\u00e1sica, e permitir op\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o e a aprofundamento diferentes para cada estudante. Uma cr\u00edtica que se faz \u00e0 reforma \u00e9 que ela teria acabado com o ensino obrigat\u00f3rio de sociologia e filosofia. Na verdade, o que ela fez foi colocar os conte\u00fados de sociologia e filosofia na parte de forma\u00e7\u00e3o geral, que precisa ter tamb\u00e9m mat\u00e9rias de grande import\u00e2ncia na \u00e1rea social, como economia, ci\u00eancia pol\u00edtica e direito, que n\u00e3o fazem parte do curr\u00edculo tradicional; e procurou passar do modelo tradicional das aulas expositivas por disciplinas para a educa\u00e7\u00e3o por compet\u00eancias, o que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, mas \u00e9 um caminho que deve ser buscado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 maneira pela qual a reforma foi aprovada, se o uso de Medida Provis\u00f3ria desqualificasse uma legisla\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a bolsa fam\u00edlia e tantas outras medidas aprovadas pelos governos passados tamb\u00e9m deveriam ser revogadas. Na verdade, a reforma do ensino m\u00e9dio vinha sendo discutida h\u00e1 anos pela Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Deputados e pelo Conselho Nacional de Secret\u00e1rios Estaduais de Educa\u00e7\u00e3o, CONSED, e a medida provis\u00f3ria encaminhada pelo Ministro Mendon\u00e7a Filho foi discutida durante meses a alterada pelo Congresso no processo de vota\u00e7\u00e3o. O que precisa ser feito \u00e9 avan\u00e7ar no que a proposta tem de bom e corrigir suas imperfei\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o voltar atr\u00e1s.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto IEDE (Interdisciplinaridade e Evid\u00eancia no Debate Educacional) publicou uma an\u00e1lise detalhada das propostas dos presenci\u00e1veis para a educa\u00e7\u00e3o. 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