{"id":622,"date":"2008-08-13T12:04:54","date_gmt":"2008-08-13T15:04:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=622"},"modified":"2008-08-18T18:18:43","modified_gmt":"2008-08-18T21:18:43","slug":"o-enigma-do-conceito-provisorio-de-curso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-enigma-do-conceito-provisorio-de-curso\/","title":{"rendered":"O enigma do Conceito Preliminar de Curso"},"content":{"rendered":"<p>No dia 6 de agosto o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o divulgou um\u00a0 at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido \u201cConceito Preliminar de Curso\u201d que classificou 508 dos 2.028 cursos avaliados pelo ENADE de 2007 como de qualidade insuficiente, 444 da rede privada (19,5% do setor) , e 64\u00a0 da rede p\u00fablica (12,2%).<\/p>\n<p>Embora \u201cpreliminares\u201d, e aparentemente sujeitos a revis\u00e3o, estes conceitos foram amplamente divulgados pela imprensa, afetando a reputa\u00e7\u00e3o e provocando a rea\u00e7\u00e3o indignada de muita gente.  Existem de fato muitos cursos superiores de m\u00e1 qualidade neste pa\u00eds, p\u00fablicos e privados, que\u00a0 precisam ser avaliados de forma externa e independente.\u00a0 A avalia\u00e7\u00e3o, quando bem feita, informa o p\u00fablico sobre cursos que devem ser buscados ou evitados, e estimula as institui\u00e7\u00f5es a melhorar seu desempenho. A auto-avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente, porque ela n\u00e3o produz resultados compar\u00e1veis, e s\u00e3o geralmente defensivas.<\/p>\n<p>O problema com a avalia\u00e7\u00e3o do ensino superior brasileiro n\u00e3o \u00e9 que ela exista, mas a forma como ela \u00e9 feita, e como os resultados s\u00e3o divulgados.  O ENADE tem problemas t\u00e9cnicos graves, alguns dos quais eu apontei tempos atr\u00e1s, e n\u00e3o me parece que tenham sido resolvidos. Entre outros,\u00a0 ele inclui uma prova de\u00a0 \u201cforma\u00e7\u00e3o geral\u201d que, com 10 perguntas, tenta medir dezenas de compet\u00eancias, e n\u00e3o mede nenhuma (uma simples prova bem feita de linguagem seria melhor); provas de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que n\u00e3o est\u00e3o devidamente elaboradas em termos das compet\u00eancias que deveriam medir (cada uma delas se baseia em uma lista de mat\u00e9rias que o estudante deveria conhecer, o que \u00e9 bem diferente); e uma estranha aritm\u00e9tica em que os resultados das provas aplicadas aos alunos que iniciam os cursos s\u00e3o <strong>somados<\/strong> aos resultados dos que terminam, aumentando os conceitos dos cursos que conseguem atrair estudantes mais qualificados, presumivelmente de nivel socio-econ\u00f4mico mais alto, mesmo que aprendam muito pouco nos anos seguintes, e punindo os que admitem alunos menos qualificados e contribuem mais para form\u00e1-los.<\/p>\n<p>Sem poder mexer nesta aritm\u00e9tica, o INEP calculou um \u201cindice de diferen\u00e7a de desempenho (IDD)\u201d, que estima em que medida o desempenho dos alunos ao final do curso est\u00e1 acima ou abaixo do que seria estatisticamente esperado dadas as condi\u00e7\u00f5es gerais dos alunos ingressantes.\u00a0 Al\u00e9m disto, o INEP desenvolveu um outro \u00edndice de \u201cinsumos\u201d que combina informa\u00e7\u00f5es sobre professores com doutorado e em tempo integral e opini\u00f5es dos alunos sobre os programas dos cursos. Tudo isto &#8211; ENADE, IDD,\u00a0 Insumos &#8211;\u00a0 \u00e9 combinado com pesos definidos n\u00e3o se sabe como,\u00a0 e da\u00ed sai o \u201cConceito Provis\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>Como o ENADE e o IDD medem coisas diferentes, e o segundo foi inventado para corrigir os erros do primeiro, \u00e9 dif\u00edcil interpretar o que de fato o Conceito Provis\u00f3rio est\u00e1 medindo (n\u00e3o parece que as informa\u00e7\u00f5es sobre insumos privilegiem as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, j\u00e1 que elas s\u00f3 entram na medida em que se correlacionam com o IDD). Uma medida de avalia\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser tecnicamente bem feita, precisa ter uma interpreta\u00e7\u00e3o clara, e precisa ser feita de forma independente e transparente, para que tenha legitimidade. Nada disto ocorreu com o Conceito Provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>Quando eu tenho uma dor de barriga e procuro um m\u00e9dico, ele n\u00e3o pode olhar as estat\u00edsticas sobre os poss\u00edveis correlatos da dor de barriga, e assim orientar meu tratamento. Ele precisa fazer um diagn\u00f3stico cl\u00ednico de meu caso, e para isto, claro,os exames e as estat\u00edsticas s\u00e3o muito \u00fateis.\u00a0 Da mesma forma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel emitir juizos de valor sobre cursos superiores espec\u00edficos a partir de estimativas estat\u00edsticas, por melhores que sejam. A avalia\u00e7\u00e3o deve ser feita por pessoas de carne e osso, com nome e sobrenome, que sejam respeitadas em seu meio, e que assinem embaixo. Sem isto, a credibilidade dos resultados sofre,\u00a0 e os sistemas de avalia\u00e7\u00e3o, que deveriam desempenhar um papel importante, acabam desmoralizados.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 6 de agosto o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o divulgou um\u00a0 at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido \u201cConceito Preliminar de Curso\u201d que classificou 508 dos 2.028 cursos avaliados pelo ENADE de 2007 como de qualidade insuficiente, 444 da rede privada (19,5% do setor) , e 64\u00a0 da rede p\u00fablica (12,2%). 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