{"id":6262,"date":"2019-03-10T10:14:00","date_gmt":"2019-03-10T13:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6262"},"modified":"2019-03-10T16:05:35","modified_gmt":"2019-03-10T19:05:35","slug":"carlos-kamienski-a-universidade-do-abc-e-o-modelo-de-bologna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/carlos-kamienski-a-universidade-do-abc-e-o-modelo-de-bologna\/","title":{"rendered":"Carlos Kamienski: a Universidade do ABC e o modelo de Bologna"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:193,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.ivepesp.org.br&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu gostaria de adicionar meus 2 cents ao importante texto do colega <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6255&amp;lang=en-us\">Simon Schwartzman<\/a> e aos coment\u00e1rios do colega Helio Waldman. Gostaria de dizer logo no in\u00edcio que acredito que construir uma institui\u00e7\u00e3o de ensino de excel\u00eancia requer esfor\u00e7o constante, mas deix\u00e1-la cair na mediocridade requer somente a ina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o vou me deter nos problemas conhecidos de (falta de) qualidade das escolas p\u00fablicas brasileiras. Assumo que o aproveitamento real do potencial proporcionado pelo ensino superior ao aluno para sua autonomia intelectual e socioecon\u00f4mica depende de certa prepara\u00e7\u00e3o que, infelizmente, ainda \u00e9 para poucos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parafraseando o Prof. Bevilacqua, \u201cna UFABC os alunos s\u00e3o os empreendedores da sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica\u201d. Esse modelo tem semelhan\u00e7as com o processo de Bolonha da Europa, mas tamb\u00e9m importantes diferen\u00e7as. Entre elas, uma das mais importantes \u00e9 a inexist\u00eancia dos ciclos de forma\u00e7\u00e3o que possibilita aos alunos trajet\u00f3rias individualizadas de acordo com suas decis\u00f5es ao longo do caminho (Bolonha assume o 3+2+3 &#8211; bacharelado + mestrado + doutorado). Levantamento realizado recentemente na UFABC concluiu que todos os alunos formados no Bacharelado em Ci\u00eancia e Tecnologia (um dos dois cursos interdisciplinares de ingresso) tiveram uma trajet\u00f3ria \u00fanica, com disciplinas, per\u00edodos, professores e experi\u00eancias diferentes dos demais. A sociedade, o desenvolvimento nacional e o mercado de trabalho carecem de pessoas com pontos de vista \u00fanicos para gerar a diversidade criativa que gera solu\u00e7\u00f5es abrangentes e inclusivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns pontos baseados na minha experi\u00eancia at\u00e9 agora e tamb\u00e9m em opini\u00f5es de colegas, inclusive j\u00e1 manifestadas  no grupo de discuss\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.ivepesp.org.br\">IVEPESP:<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a) O sistema universit\u00e1rio deveria ser baseado em n\u00edveis diferentes com objetivos e metodologias diferenciadas. Um bom exemplo \u00e9 o sistema das universidades da Calif\u00f3rnia, com as University of California, California State University e California Community Colleges. Por mais que eu seja um evangelista do modelo da UFABC, ela \u00e9 uma universidade de pesquisa, que tem problemas de escalabilidade. Esse modelo teria que ser adaptado para outros n\u00edveis de um sistema universit\u00e1ria escalonado (como o da Calif\u00f3rnia). \u00c9 uma ilus\u00e3o achar que todo o sistema universit\u00e1rio deveria ter a mesma miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">b) Os alunos devem ser formados para terem autonomia intelectual, capacidade de decis\u00e3o, inventividade e capacidade de atualiza\u00e7\u00e3o constante. \u00c9 uma ilus\u00e3o algu\u00e9m, por mais informado que seja, acreditar que na possibilidade de circunscrever num curr\u00edculo todos os conhecimentos necess\u00e1rios para formar um aluno que vai atuar no mercado por 30-40 anos. Se alguma vez j\u00e1 foi assim, hoje n\u00e3o \u00e9 mais.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">c) O Brasil precisa de universidades de classe mundial, para promover a autonomia cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica nacional. Embora esse termo j\u00e1 esteja um pouco desgastado, apontado como elitista, a necessidade de centros de refer\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o do conhecimento \u00e9 ineg\u00e1vel. Como apontado por Jamil Salmi, essas universidades s\u00e3o caracterizadas por alta concentra\u00e7\u00e3o de talentos, recursos abundantes e governan\u00e7a favor\u00e1vel. Esta \u00faltima \u00e9 baseada na flexibilidade de gest\u00e3o, que \u00e9 tudo o que n\u00e3o temos nas nossas universidades p\u00fablicas, as mais pr\u00f3ximas do conceito de classe mundial.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">d) Universidades p\u00fablicas e gratuitas s\u00e3o necess\u00e1rias para gerar desenvolvimento socioecon\u00f4mico e ao mesmo tempo equalizar desigualdades hist\u00f3ricas do nosso pa\u00eds. No entanto, o alto custo e a inefici\u00eancia das universidades p\u00fablicas (tenho experi\u00eancia com as federais) adv\u00e9m da falta de flexibilidade e da falta de incentivos corretos para o corpo docente. \u00c9 uma ilus\u00e3o acreditar que em todas as universidades todos os professores realizar\u00e3o pesquisas capazes de contribuir com o desenvolvimento socioecon\u00f4mico do pa\u00eds e a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. Ou seja, as universidades p\u00fablicas estarem sujeitas \u00e0s mesmas regras de todo o setor p\u00fablico engessa e gera inefici\u00eancias de v\u00e1rias naturezas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">e) O ensino superior necessita de transforma\u00e7\u00e3o constante, principalmente nesse momento. A onipresen\u00e7a da Internet e da informa\u00e7\u00e3o na sociedade gera uma situa\u00e7\u00e3o onde os professores n\u00e3o mais dominam o conhecimento que deve ser repassado aos alunos. O papel docente hoje \u00e9 muito diferente, onde alunos aprendem porque estudam e se informam em m\u00faltiplas fontes, inclusive em aulas presenciais. Isso leva \u00e0 necessidade de rever o modelo de ensino, ainda calcado nos m\u00e9todos de s\u00e9culos passados. Sou a favor da universidade como l\u00f3cus f\u00edsico onde pessoas se encontram para discutir diferentes temas, mas tamb\u00e9m de aprendizado \u00e0 dist\u00e2ncia, assim como de diferentes inova\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas para gerar est\u00edmulos adequados para que os alunos se deliciem com o conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">f) A UFABC inovou no seu projeto pedag\u00f3gico, onde o aluno constr\u00f3i seus caminhos. Enquanto outras universidades ainda insistem no modelo que se assemelha a um quebra-cabe\u00e7as onde cada pe\u00e7a (curricular) tem o seu lugar exato, na UFABC o aluno tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o blocos de constru\u00e7\u00e3o que podem ser usados para construir diferentes obras (como no jogo do pequeno engenheiro). No entanto, dentro de cada bloco de constru\u00e7\u00e3o (as disciplinas) a metodologia continua a mesma. E, por in\u00e9rcia os professores tendem a repetir o mesmo m\u00e9todo pedag\u00f3gico \u00e0 qual foram submetidos, com aulas expositivas onde o professor \u201ctransmite\u201d o conhecimento aos alunos. Faz-se necess\u00e1rio inovar nos m\u00e9todos pedag\u00f3gicos daqui em diante. Por sinal, j\u00e1 estamos atrasados como pa\u00eds porque alguns pa\u00edses e at\u00e9 universidades de ponta j\u00e1 est\u00e3o inovando a sua atividade pedag\u00f3gica. Por sinal, a disponibilidade de aulas online no MIT h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s gerou uma crise de identidade sobre a fun\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o como l\u00f3cus f\u00edsico de ensino. Em pouco tempo, chegou-se a um consenso de que a principal caracter\u00edstica formadora do MIT estava nas atividades proporcionadas aos alunos, pelo gest\u00e3o do MIT, pelos pr\u00f3prios alunos e por terceiros. Esse \u00e9 o verdadeiro DNA da institui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o necessariamente as aulas presenciais.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">g) Tive a oportunidade de atuar como Assessor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFABC por quatro anos e o nosso projeto pedag\u00f3gico sempre gerou grande aten\u00e7\u00e3o dos parceiros internacionais de v\u00e1rios continentes. Alguns elogiavam a nossa coragem em inovar, enquanto outros eram c\u00e9ticos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 efic\u00e1cia do modelo. Mas, ningu\u00e9m ficava indiferente a um projeto pedag\u00f3gico inovador e desafiador. Acredito na educa\u00e7\u00e3o como um processo que sempre se transforma e n\u00e3o deixa as pessoas na zona de conforto.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu gostaria de adicionar meus 2 cents ao importante texto do colega Simon Schwartzman e aos coment\u00e1rios do colega Helio Waldman. Gostaria de dizer logo no in\u00edcio que acredito que construir uma institui\u00e7\u00e3o de ensino de excel\u00eancia requer esfor\u00e7o constante, mas deix\u00e1-la cair na mediocridade requer somente a ina\u00e7\u00e3o. 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