{"id":6294,"date":"2019-05-10T08:33:40","date_gmt":"2019-05-10T11:33:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6294"},"modified":"2023-05-01T20:49:42","modified_gmt":"2023-05-01T23:49:42","slug":"confianca-e-autonomia-das-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/confianca-e-autonomia-das-universidades\/","title":{"rendered":"Confian\u00e7a e autonomia das universidades"},"content":{"rendered":"<script type='application\/json' class='__iawmlf-post-loop-links'>[{\"id\":189,\"href\":\"https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,confianca-e-autonomia-das-universidades,70002822735\",\"archived_href\":\"https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20220521095632\\\/https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,confianca-e-autonomia-das-universidades,70002822735\",\"redirect_href\":\"https:\\\/\\\/www.estadao.com.br\\\/opiniao\\\/espaco-aberto\\\/confianca-e-autonomia-das-universidades\\\/\",\"checks\":[{\"date\":\"2026-04-16 19:48:05\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-20 04:08:52\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-24 16:33:42\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-27 23:37:27\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-03 14:15:47\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-08 23:17:02\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-16 14:10:04\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-20 01:45:00\",\"http_code\":200}],\"broken\":false,\"last_checked\":{\"date\":\"2026-05-20 01:45:00\",\"http_code\":200},\"process\":\"done\"},{\"id\":190,\"href\":\"https:\\\/\\\/archive.org\\\/details\\\/JosenBen0dave\\\/page\\\/n3\",\"archived_href\":\"\",\"redirect_href\":\"\",\"checks\":[],\"broken\":false,\"last_checked\":null,\"process\":\"done\"}]<\/script>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align:center\">(Vers\u00e3o completa do artigo publicado no <em><a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/espaco-aberto,confianca-e-autonomia-das-universidades,70002822735\">O Estado de S\u00e3o Paulo<\/a><\/em>, 10\/05\/2019, p. A2) <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Trust-Fall-300x225.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6295\" width=\"245\" height=\"184\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que um preceito legal, a autonomia das universidades \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que elas cumpram o papel que a sociedade espera delas, como principais deposit\u00e1rias da cultura, polos de cria\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos e institui\u00e7\u00f5es formadoras de profissionais competentes. Assim como n\u00e3o s\u00e3o os pacientes que dizem aos m\u00e9dicos como devem ser tratados, porque s\u00e3o os m\u00e9dicos que entendem da sa\u00fade, n\u00e3o s\u00e3o os governos (ou os estudantes) que podem dizer \u00e0s universidades o qu\u00ea e como devem pesquisar e ensinar, porque s\u00e3o os professores e pesquisadores, e n\u00e3o os governantes ou estudantes, que trabalham na fronteira do conhecimento e dos estudos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto, claro, no mundo ideal. No mundo real, a autonomia depende de uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre as universidades e a sociedade, que, quando existe, reconhece e valoriza a autoridade intelectual dos professores e contribui com seu dinheiro. No passado, quando as universidades eram pequenas, custavam pouco e seus professores e alunos provinham das mesmas elites dos governantes, esta rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a se estabelecia de forma quase autom\u00e1tica. No mundo de hoje, com universidades gigantescas, grandes or\u00e7amentos e professores e alunos provenientes de diferentes ambientes e condi\u00e7\u00f5es sociais, esta rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a fica abalada, fazendo com que movimentos pol\u00edticos pressionem e governos desenvolvam sistemas complicados e nem sempre bem-sucedidos de avalia\u00e7\u00e3o do desempenho das universidades e restri\u00e7\u00f5es no acesso e uso de recursos. Na medicina, tampouco acreditamos mais, piamente, em tudo que o m\u00e9dico nos diz, recorremos ao Dr. Google e buscamos quase sempre uma segunda opini\u00e3o, o que for\u00e7a os m\u00e9dicos a se explicarem mais e deixarem de escrever de forma ileg\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta desconfian\u00e7a tem suas raz\u00f5es, porque o exerc\u00edcio leg\u00edtimo e necess\u00e1rio da autonomia pode facilmente se converter ou se confundir com a mera defesa de interesses e privil\u00e9gios corporativos. Mas, quando os pacientes ou o dono do hospital come\u00e7am a dizer aos m\u00e9dicos como tratar, e pol\u00edticos, burocratas e movimentos sociais a mandar nas universidades, nem a medicina nem a educa\u00e7\u00e3o conseguem funcionar direito. A agressividade recente do Ministro da Educa\u00e7\u00e3o contra as universidades federais \u00e9 s\u00f3 um exemplo extremo desta perda de confian\u00e7a, que precisa ser recuperada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta recupera\u00e7\u00e3o interessa a todos, e requer um trabalho permanente de ambas as partes. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel voltar aos velhos tempos em que as universidades faziam o que queriam e a sociedade pagava a conta. Os sistemas de avalia\u00e7\u00e3o externa vieram para ficar, mesmo que, como no Brasil, custem muito e deixem de avaliar o que mais interessa. Apesar do que diz a Constitui\u00e7\u00e3o, as universidades federais brasileiras nunca foram aut\u00f4nomas, porque n\u00e3o t\u00eam controle sobre seus recursos, rigidamente administrados pelo governo central. A quase totalidade se vai em sal\u00e1rios e aposentadorias, e os demais custos \u2013 custeio, investimentos, cria\u00e7\u00e3o de novos cargos \u2013 devem ser negociados um a um pelos reitores, que precisam mostrar lealdade aos ministros ou recorrer a press\u00f5es pol\u00edticas para sobreviver. Tampouco existe total liberdade de ensino e de pesquisa, com os curr\u00edculos m\u00ednimos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, os programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o tendo que seguir os padr\u00f5es da CAPES e a contrata\u00e7\u00e3o de professores sujeita \u00e0s regras r\u00edgidas dos concursos. As universidades paulistas t\u00eam mais autonomia para administrar seus recursos, mas todas est\u00e3o submetidas \u00e0s mesmas regras do servi\u00e7o p\u00fablico e sujeitas a permanente ass\u00e9dio de \u00f3rg\u00e3os de controle ou grupos pol\u00edticos quando buscam ampliar sua liberdade de a\u00e7\u00e3o, sobretudo na \u00e1rea financeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para recuperar sua legitimidade, as universidades p\u00fablicas precisam se preocupar mais seriamente com a qualidade e relev\u00e2ncia do que produzem, mostrar melhor o que fazem e assumir a responsabilidade pela administra\u00e7\u00e3o de seus recursos, saindo do colo confort\u00e1vel, mas sufocante, do servi\u00e7o p\u00fablico. O formato das organiza\u00e7\u00f5es sociais, adotado com sucesso pelo Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada e pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, mostra como faz\u00ea-lo. \u00c9 preciso diversificar as fontes de recursos, inclusive pela cobran\u00e7a de matr\u00edculas dos alunos, por um mecanismo que n\u00e3o discrimine os mais pobres, como o financiamento vinculado \u00e0 renda futura adotado na Austr\u00e1lia e outros pa\u00edses; e entrar definitivamente no mercado de talentos, negociando contratos flex\u00edveis e sal\u00e1rios competitivos para diferentes setores e \u00e1reas de conhecimento. \u00c9 preciso tamb\u00e9m adquirir mais autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos grupos de interesse internos, estabelecendo sistemas de governan\u00e7a com forte participa\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo, ao inv\u00e9s de alternar entre aceitar tudo e pagar a conta, para garantir apoio ou com medo dos protestos, ou partir para o ataque, precisa desenvolver um sistema mais adequado de avalia\u00e7\u00e3o e associar o financiamento p\u00fablico ao desempenho efetivo das institui\u00e7\u00f5es, mediante contratos de gest\u00e3o, e n\u00e3o a seus custos hist\u00f3ricos.  Um bom ponto de partida seria levar a s\u00e9rio as recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio da OECD, publicado no final de 2018, sobre como reformular o sistema brasileiro de avalia\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior. Ao inv\u00e9s de avaliar cada curso, aumentar a responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es sobre o que fazem; deixar de lado o ENADE, com seus rankings sem padr\u00f5es de qualidade e os \u00edndices cabal\u00edsticos que ningu\u00e9m entende, e introduzir dados objetivos sobre desist\u00eancia, empregabilidade e custos; e criar uma ag\u00eancia de avalia\u00e7\u00e3o independente, fora do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o superior e de pesquisa, p\u00fablicas e privadas, com todos os seus problemas, s\u00e3o tamb\u00e9m um patrim\u00f4nio inestim\u00e1vel, constru\u00eddo ao longo de d\u00e9cadas, habitadas por pessoas competentes, motivadas e comprometidas com o trabalho que fazem, que precisam ser tratadas com carinho. No final dos anos 70, o israelense J<a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/JosenBen0dave\/page\/n3\">oseph Ben-David, famoso historiador e soci\u00f3logo da ci\u00eancia, veio ao Brasil<\/a> a convite de Jos\u00e9 Pel\u00facio Ferreira, ent\u00e3o presidente da FINEP, envolvida com o reerguimento da pesquisa e da tecnologia brasileira, abaladas com os expurgos do regime militar. Perguntado sobre a dificuldade em construir institui\u00e7\u00f5es, e a facilidade com que elas podem ser destru\u00eddas, respondeu que, infelizmente, contra comiss\u00e1rios e coron\u00e9is truculentos, n\u00e3o h\u00e1 muito que se possa fazer. \u00c9 necess\u00e1rio evitar que isto aconte\u00e7a novamente.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Vers\u00e3o completa do artigo publicado no O Estado de S\u00e3o Paulo, 10\/05\/2019, p. 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