{"id":6344,"date":"2019-07-12T07:52:00","date_gmt":"2019-07-12T10:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6344"},"modified":"2023-10-10T08:04:38","modified_gmt":"2023-10-10T11:04:38","slug":"as-universidades-brasileiras-a-ocde-e-o-processo-de-bologna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/as-universidades-brasileiras-a-ocde-e-o-processo-de-bologna\/","title":{"rendered":"As Universidades Brasileiras, a OCDE e o Processo de Bologna"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:184,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/en.wikipedia.org\\\/wiki\\\/Carnegie_Classification_of_Institutions_of_Higher_Education&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20260412174622\\\/https:\\\/\\\/en.wikipedia.org\\\/wiki\\\/Carnegie_Classification_of_Institutions_of_Higher_Education&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-15 16:14:50&quot;,&quot;http_code&quot;:200}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-15 16:14:50&quot;,&quot;http_code&quot;:200},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;},{&quot;id&quot;:185,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/ec.europa.eu\\\/education\\\/policies\\\/higher-education\\\/bologna-process-and-european-higher-education-area_en&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20211127044331\\\/https:\\\/\\\/ec.europa.eu\\\/education\\\/policies\\\/higher-education\\\/bologna-process-and-european-higher-education-area_en&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/education.ec.europa.eu\\\/policies\\\/higher-education\\\/bologna-process-and-european-higher-education-area_en&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align:center\">(Publicado no jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo,<\/em>  12 de julho de 2019)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/bologna.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6345\" width=\"330\" height=\"183\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo do ingresso do Brasil na Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e Desenvolvimento, OCDE, \u00e9 fazer com que o pa\u00eds se comprometa com a ado\u00e7\u00e3o das melhores pr\u00e1ticas internacionais de pol\u00edticas p\u00fablicas, que possam melhorar as condi\u00e7\u00f5es vida da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 na economia, mas tamb\u00e9m no meio ambiente e nas quest\u00f5es sociais. Na educa\u00e7\u00e3o, o Brasil j\u00e1 participa do Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes, o PISA, e, em 2018, uma equipe da OECD analisou o sistema brasileiro de avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior, o SINAES, recomendando altera\u00e7\u00f5es profundas que ainda precisam ser implementadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 o momento tamb\u00e9m de avan\u00e7ar na moderniza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior, cuja \u00faltima reforma data de 1968, quando havia n\u00e3o mais do que 100 mil estudantes neste n\u00edvel em todo o pa\u00eds. Naquele ano, o Brasil resolveu adotar o modelo universit\u00e1rio norte-americano, com seus cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, departamentos, institutos de pesquisa e professores de tempo integral, que foi sobreposto \u00e0s antigas faculdades profissionais organizadas no velho modelo franc\u00eas ou italiano. A origem da reforma de 1968 \u00e9 geralmente atribu\u00edda ao famoso acordo MEC-USAID, mas \u00e9 curioso que os americanos s\u00f3 tenham recomendado que copi\u00e1ssemos a ponta da pir\u00e2mide da educa\u00e7\u00e3o superior de seu pa\u00eds, as famosas universidades de pesquisa, e tivessem se esquecido da enorme base dos\u00a0<em>community colleges\u00a0<\/em>e universidades estaduais, origin\u00e1rias em sua maioria dos<em>\u00a0land-grant colleges<\/em>\u00a0que, desde o s\u00e9culo 19, fizeram da educa\u00e7\u00e3o superior americana uma das mais diversificadas, amplas e acess\u00edveis do mundo (veja a respeito a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Carnegie_Classification_of_Institutions_of_Higher_Education\">classifica\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior americanas<\/a> feita originalmente pela Carnegie Foundation). Outra hip\u00f3tese, mais plaus\u00edvel, \u00e9 que foram os brasileiros que s\u00f3 se interessaram pela parte mais elitista do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje j\u00e1 temos uma educa\u00e7\u00e3o superior de massas, com 8 milh\u00f5es de estudantes extremamente diversificados em institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m muito distintas, mas continuamos aferrados a um modelo tradicional de universidade de elite. Ainda achamos que o ensino \u00e9 sempre \u201cindissoci\u00e1vel\u201d da pesquisa, que todos os professores devem ter doutorado, que a educa\u00e7\u00e3o superior deve ser gratuita e que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel obter um t\u00edtulo universit\u00e1rio em menos de 4 ou 5 anos. A realidade, no entanto, \u00e9 bem diversa: a maioria dos professores n\u00e3o pesquisa, tr\u00eas quartos dos alunos pagam suas matr\u00edculas no setor privado, quase metade dos alunos abandonam os estudos antes de terminar, e as faculdades n\u00e3o podem contratar como professores profissionais experientes que n\u00e3o tenham t\u00edtulos acad\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraste, em 1999 os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia iniciaram um ambicioso processo de reforma da educa\u00e7\u00e3o superior que ficou conhecido como <em> <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/education\/policies\/higher-education\/bologna-process-and-european-higher-education-area_en\">Processo de Bologna, <\/a><\/em>do qual j\u00e1 participam hoje cerca de 50 na\u00e7\u00f5es. Um dos objetivos \u00e9 fazer com que a forma\u00e7\u00e3o e os t\u00edtulos universit\u00e1rios dos pa\u00edses participantes sejam equivalentes, facilitando a mobilidade internacional dos profissionais. Para n\u00f3s, o que mais interessa \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de um sistema de cursos escalonados, semelhante ao americano e ingl\u00eas. Neste formato, o ingresso na educa\u00e7\u00e3o superior se d\u00e1 em um primeiro n\u00edvel de tr\u00eas anos, quando o estudante se aprofunda em algumas \u00e1reas como ci\u00eancias sociais ou ci\u00eancias biol\u00f3gicas, e adquire um t\u00edtulo de bacharel, e existe tamb\u00e9m um amplo sistema de forma\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica, vocacional. O segundo n\u00edvel, de um ou dois anos, \u00e9 o de mestrado, onde o estudante se profissionaliza em \u00e1reas como administra\u00e7\u00e3o, engenharia, enfermagem ou comunica\u00e7\u00f5es (n\u00e3o existem \u201cmestrados acad\u00eamicos\u201d). E h\u00e1 um terceiro n\u00edvel, de doutorado, para forma\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada em pesquisa e carreiras mais complexas como medicina e alta tecnologia. As institui\u00e7\u00f5es podem se especializar ou combinar os tr\u00eas n\u00edveis de maneira distinta, ampliando o ensino e concentrando os cursos avan\u00e7ados e a pesquisa de qualidade em um n\u00famero relativamente menor de entidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a na estrutura dos cursos \u00e9 s\u00f3 um dos elementos necess\u00e1rios para uma reforma mais ampla. A segunda \u00e9 mudar o sistema de financiamento, que deve se diversificar e, na parte p\u00fablica, ser feito atrav\u00e9s de contratos de gest\u00e3o em que as institui\u00e7\u00f5es estabelecem suas prioridades e s\u00e3o financiadas conforme seus planos de trabalho e capacidade demonstrada de cumpri-los. Para isto, elas precisam ter efetiva autonomia de gest\u00e3o financeira e patrimonial, o que \u00e9 incompat\u00edvel com o atual regime de reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica. As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas precisam adotar pr\u00e1ticas gerenciais t\u00edpicas de empresas modernas, e as privadas, para serem reconhecidas e receber apoio, precisam demonstrar qualidade e relev\u00e2ncia. Como no setor privado, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas devem ter carreiras pr\u00f3prias para seus professores e funcion\u00e1rios, liberdade para negociar sal\u00e1rios, e flexibilidade nos contratos de trabalho. Parte do financiamento pode ser feito a partir de subs\u00eddios, cobran\u00e7a ou financiamento direto aos estudantes, tanto no setor p\u00fablico quanto privado, adotando um sistema de cr\u00e9dito educativo como o australiano, em que o ressarcimento \u00e9 feito em fun\u00e7\u00e3o da renda futura. O atual sistema de avalia\u00e7\u00e3o precisar ser alterado, tornando as universidades mais respons\u00e1veis pela qualidade de seus cursos, fazendo uso de dados sobre taxas de aprova\u00e7\u00e3o e mercado de trabalho, e reformando profundamente o ENEM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transi\u00e7\u00e3o do velho sistema para o novo, em pa\u00edses como Portugal ou Alemanha, n\u00e3o foi simples, e a cria\u00e7\u00e3o de um sistema integrado de padr\u00f5es e equival\u00eancia de t\u00edtulos ainda est\u00e1 longe de ter se completado. Mas, no novo formato, os pa\u00edses t\u00eam conseguido ampliar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior, distribu\u00ed-la conforme as demandas e necessidades dos diferentes setores e investir mais e melhor em pesquisa e inova\u00e7\u00e3o. Mudan\u00e7as como estas s\u00e3o controversas, precisam ser amadurecidas, mas precisam ser encaradas. Est\u00e1 mais do que na hora de come\u00e7armos a buscar novos caminhos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, 12 de julho de 2019) O objetivo do ingresso do Brasil na Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e Desenvolvimento, OCDE, \u00e9 fazer com que o pa\u00eds se comprometa com a ado\u00e7\u00e3o das melhores pr\u00e1ticas internacionais de pol\u00edticas p\u00fablicas, que possam melhorar as condi\u00e7\u00f5es vida da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/as-universidades-brasileiras-a-ocde-e-o-processo-de-bologna\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;As Universidades Brasileiras, a OCDE e o Processo de Bologna&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[11,19],"tags":[],"class_list":["post-6344","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-superior","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6344"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7314,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6344\/revisions\/7314"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}