{"id":6372,"date":"2019-08-09T08:06:17","date_gmt":"2019-08-09T11:06:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6372"},"modified":"2019-08-09T11:14:53","modified_gmt":"2019-08-09T14:14:53","slug":"o-censo-e-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-censo-e-depois\/","title":{"rendered":"O Censo e depois"},"content":{"rendered":"<script type='application\/json' class='__iawmlf-post-loop-links'>[{\"id\":181,\"href\":\"https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,o-censo-e-depois,70002960369\",\"archived_href\":\"https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20220528191831\\\/https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,o-censo-e-depois,70002960369\",\"redirect_href\":\"https:\\\/\\\/www.estadao.com.br\\\/opiniao\\\/espaco-aberto\\\/o-censo-e-depois\\\/\",\"checks\":[{\"date\":\"2026-04-16 18:24:38\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-20 20:21:31\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-25 04:54:00\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-29 00:49:52\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-04 01:26:27\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-09 03:46:58\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-13 11:15:41\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-18 02:04:55\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-21 16:42:58\",\"http_code\":200}],\"broken\":false,\"last_checked\":{\"date\":\"2026-05-21 16:42:58\",\"http_code\":200},\"process\":\"done\"}]<\/script>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align:center\"><a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/espaco-aberto,o-censo-e-depois,70002960369\">Publicado em <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, 9 de agosto de 2019<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/censo-ibge-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6378\" width=\"338\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/censo-ibge-1-1.jpg 984w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/censo-ibge-1-1-420x280.jpg 420w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/censo-ibge-1-1-744x496.jpg 744w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/censo-ibge-1-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 85vw, 338px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 90 tive a oportunidade de presidir o IBGE, que vinha de um per\u00edodo dif\u00edcil: n\u00e3o havia conseguido publicar o Censo de 1991, n\u00e3o sabia o que fazer com os mapas e as pesquisas cont\u00ednuas e era mais conhecido pelas infind\u00e1veis greves do que pelo papel que deveria desempenhar na sociedade brasileira.&nbsp;&nbsp;Criado pelo Estado Novo nos anos 30, o IBGE havia sido pensado como um grande instituto com ag\u00eancias em cada munic\u00edpio, fazendo mapas e coletando as informa\u00e7\u00f5es que serviriam para o planejamento minucioso da economia do pa\u00eds, comandada pelo governo federal. Seria esta tamb\u00e9m sua fun\u00e7\u00e3o nos governos militares, como pe\u00e7a do projeto Brasil Grande que acabou se frustrando pela inviabilidade da economia de comando e do pr\u00f3prio regime de poder. Nos primeiros dez anos da Nova Rep\u00fablica, com a anomia pol\u00edtica, a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o caos inflacion\u00e1rio, o IBGE se transformou, sobretudo, em mais uma grande burocracia estatal, com milhares de funcion\u00e1rios desmotivados, mal pagos e sem sentido de miss\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Plano Real, reorganizando a economia e modernizando as ag\u00eancias mais centrais do governo federal, como o Minist\u00e9rio da Fazenda, o Banco Central, a Receita Federal e o IPEA, foi uma oportunidade para tentar dar um novo rumo ao Instituto, valendo-se, ainda, dos horizontes abertos pelas novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Para o Censo de 1960, o IBGE havia trazido para o pa\u00eds o primeiro computador de grande porte. Mas nos anos 90, com a Internet e os microcomputadores imperando, o Instituto ainda operava com um car\u00edssimo computador central, refrigerado a \u00e1gua gelada, e toneladas de papel utilizados na impress\u00e3o intermin\u00e1vel de relat\u00f3rios estat\u00edsticos. Gra\u00e7as ao empenho da equipe t\u00e9cnica, em poucos anos foi poss\u00edvel colocar os microdados das pesquisas nas m\u00e3os dos usu\u00e1rios, disponibilizar as informa\u00e7\u00f5es na Internet e colocar microcomputadores nas mesas dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas outras mudan\u00e7as permitiram a revitaliza\u00e7\u00e3o do Instituto, um novo entendimento de seu papel e a moderniza\u00e7\u00e3o das pesquisas. De uma pe\u00e7a em uma grande engrenagem de um sistema de planejamento que nunca existiu, o IBGE passou a se ver, cada vez mais, como uma institui\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico,&nbsp;&nbsp;voltada n\u00e3o s\u00f3 para a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e consistentes para embasar as pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, mas tamb\u00e9m para acompanhar de perto as condi\u00e7\u00f5es da vida dos cidad\u00e3os, no emprego, na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, de interesse das empresas, das organiza\u00e7\u00f5es sociais e da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;A moderniza\u00e7\u00e3o das pesquisas, feita gra\u00e7as \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e a ao interc\u00e2mbio cada vez mais pr\u00f3ximo com ag\u00eancias de coopera\u00e7\u00e3o internacional como o Statistics Canada, a Comiss\u00e3o de Estat\u00edstica da ONU e a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, permitiu reduzir o peso dos grandes levantamentos, como o antigo Censo Econ\u00f4mico, em favor da \u00eanfase cada vez maior nas pesquisas por amostragem, como a PNAD e as pesquisas de emprego, conforme os padr\u00f5es internacionais. Estes avan\u00e7os continuaram na d\u00e9cada seguinte, com o aperfei\u00e7oamento das contas nacionais, a nova e mais abrangente PNAD cont\u00ednua e a bem-sucedida realiza\u00e7\u00e3o do Censo Demogr\u00e1fico de 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em tr\u00eas \u00e1reas, no entanto, o IBGE n\u00e3o conseguiu progredir. Como organiza\u00e7\u00e3o, o Instituto perdeu nos anos 80 a flexibilidade que havia adquirido como Funda\u00e7\u00e3o de direito p\u00fablico nos anos 70, revertendo na pr\u00e1tica ao&nbsp;<em>status&nbsp;<\/em>de reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Com sal\u00e1rios reprimidos e or\u00e7amentos contidos, o Instituto foi incapaz de criar um corpo de funcion\u00e1rios renovado e de alto n\u00edvel, que pudesse aproveitar plenamente e levar \u00e0 frente as oportunidades criadas pelas novas tecnologias. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve avan\u00e7o do ponto de vista pol\u00edtico-institucional. Apesar de ser uma institui\u00e7\u00e3o de Estado, o IBGE continua at\u00e9 hoje como ag\u00eancia governamental de segundo escal\u00e3o, sem independ\u00eancia e autonomia legal para cumprir suas miss\u00f5es. Na pr\u00e1tica, sua autonomia tem sido respeitada por sucessivos governos, mesmo quando portador de m\u00e1s not\u00edcias, garantindo-se assim a credibilidade das estat\u00edsticas do pa\u00eds, mas \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria que precisa mudar. Finalmente, o IBGE n\u00e3o conseguiu acompanhar a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que ocorreu no mundo da geografia e cartografia, e seu papel nesta \u00e1rea precisa ser repensado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pol\u00eamica criada pela redu\u00e7\u00e3o dos recursos para o Censo de 2020, ao lado do problema real que pode surgir se o dinheiro necess\u00e1rio n\u00e3o sair a tempo e a hora, \u00e9 uma oportunidade tamb\u00e9m para repensar o Instituto e revitalizar o seu papel. Para o Censo, deve ser poss\u00edvel avan\u00e7ar mais nos meios de coleta de dados, inclusive por Internet, e compensar a redu\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio com estimativas derivadas de outras informa\u00e7\u00f5es. A disponibilidade crescente de registros administrativos, como as grandes bases de dados do INEP, Banco Central, Dataprev, SUS, Cadastro \u00danico, RAIS e outros, indicam claramente a necessidade de colocar cada vez menos \u00eanfase em levantamentos diretos, e mais na compatibiliza\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise integrada destes dados, com as novas tecnologias de intelig\u00eancia artificial e processamento de&nbsp;<em>big data.&nbsp;<\/em>&nbsp;O envelhecimento do quadro de funcion\u00e1rios abre a possibilidade de criar um corpo profissional mais enxuto e de alto n\u00edvel. E, institucionalmente, a credibilidade do Instituto, como a de outras institui\u00e7\u00f5es cong\u00eaneres, precisa ser mantida e refor\u00e7ada, transformando-o em uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica aut\u00f4noma, com mandato claro e estruturas modernas de governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IBGE sempre passou por apertos financeiros, e sempre conseguiu superar estes momentos combinando avan\u00e7os t\u00e9cnicos e metodol\u00f3gicos com um trabalho de persuas\u00e3o junto aos respons\u00e1veis, no Executivo e no Congresso, pelo seu or\u00e7amento. N\u00e3o h\u00e1 de ser diferente agora. \u00c9 importante aproveitar o momento para avan\u00e7ar na moderniza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e institucional que o Instituto necessita.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 9 de agosto de 2019 Na d\u00e9cada de 90 tive a oportunidade de presidir o IBGE, que vinha de um per\u00edodo dif\u00edcil: n\u00e3o havia conseguido publicar o Censo de 1991, n\u00e3o sabia o que fazer com os mapas e as pesquisas cont\u00ednuas e era mais conhecido pelas infind\u00e1veis &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-censo-e-depois\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O Censo e depois&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-6372","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-public-statistics"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6372"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6380,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6372\/revisions\/6380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}