{"id":6435,"date":"2019-11-08T07:15:29","date_gmt":"2019-11-08T10:15:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6435"},"modified":"2023-01-19T11:55:13","modified_gmt":"2023-01-19T14:55:13","slug":"prenuncios-no-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/prenuncios-no-chile\/","title":{"rendered":"Pren\u00fancios no Chile"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:175,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,prenuncios-no-chile,70003080643&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20220819163624\\\/https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,prenuncios-no-chile,70003080643&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.estadao.com.br\\\/opiniao\\\/espaco-aberto\\\/prenuncios-no-chile\\\/&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-17 21:28:28&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-22 23:33:26&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-28 16:29:16&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-02 23:11:27&quot;,&quot;http_code&quot;:200}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-02 23:11:27&quot;,&quot;http_code&quot;:200},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;},{&quot;id&quot;:176,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.eldinamo.cl\\\/nacional\\\/2019\\\/03\\\/08\\\/estas-son-las-diez-demandas-del-movimiento-feminista-en-el-8m&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20211127115706\\\/https:\\\/\\\/www.eldinamo.cl\\\/nacional\\\/2019\\\/03\\\/08\\\/estas-son-las-diez-demandas-del-movimiento-feminista-en-el-8m\\\/&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-15 15:54:30&quot;,&quot;http_code&quot;:404},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-19 23:05:44&quot;,&quot;http_code&quot;:404},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-22 23:33:27&quot;,&quot;http_code&quot;:404},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-28 16:29:17&quot;,&quot;http_code&quot;:404},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-02 23:11:28&quot;,&quot;http_code&quot;:404}],&quot;broken&quot;:true,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-02 23:11:28&quot;,&quot;http_code&quot;:404},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">(Vers\u00e3o ampliada do texto publicado <em><a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/espaco-aberto,prenuncios-no-chile,70003080643\">em O Estado de S\u00e3o Paulo,<\/a><\/em>  8 de novembro de 2019)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQpUKC8fEXDa2bnDXSmoNsftD4GIXOPwNMNYeD9wkEu9lpNTYwi&amp;s\" alt=\"Resultado de imagem para penguins\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Santiago recentemente, me surpreendi quando me disseram que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds estava p\u00e9ssima, prenunciando as manifesta\u00e7\u00f5es que viriam logo depois.&nbsp;&nbsp;Visto por um brasileiro, o Chile \u00e9 nosso sonho de consumo: a economia crescendo a 3% ao ano, a melhor educa\u00e7\u00e3o e os menores \u00edndices de viol\u00eancia da regi\u00e3o, pouca corrup\u00e7\u00e3o, uma redu\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica nos n\u00edveis de pobreza, e a cidade moderna e vibrante que \u00e9 Santiago, integrada por um excelente sistema de metr\u00f4. O Chile \u00e9 uma democracia est\u00e1vel desde a sa\u00edda de Pinochet em 1989, e a&nbsp;<em>Concertaci\u00f3n&nbsp;<\/em>de centro-esquerda que governou o pa\u00eds at\u00e9 2010 investiu fortemente na \u00e1rea social, ao mesmo tempo em que manteve grande parte da economia de mercado institu\u00edda pelos \u201cChicago boys\u201d dos anos anteriores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Claro que nem tudo s\u00e3o sonhos. O Chile ainda depende muito do pre\u00e7o internacional do cobre, e o PIB em 2019 n\u00e3o deve crescer muito. A desigualdade  \u00e9 grande, embora menor do que a brasileira. Os custos dos servi\u00e7os de sa\u00fade e medicamentos s\u00e3o altos, e o sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o das aposentadorias sem garantia de piso n\u00e3o deu certo, deixando a popula\u00e7\u00e3o mais velha, em grande parte, desamparada. O desemprego, ao redor dos 7%, n\u00e3o \u00e9 alto, mas a informalidade e a precariza\u00e7\u00e3o crescem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os que mais protestam n\u00e3o s\u00e3o os mais velhos ou os mais pobres, mas, sobretudo, jovens estudantes das classes m\u00e9dias, conectados nas redes, inseguros quanto ao futuro e buscando um protagonismo que n\u00e3o conseguem ter. Na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o aonde fui, o tema do momento eram as ocupa\u00e7\u00f5es dos pr\u00e9dios feitas por movimentos feministas radicais exigindo o <a href=\"https:\/\/www.eldinamo.cl\/nacional\/2019\/03\/08\/estas-son-las-diez-demandas-del-movimiento-feminista-en-el-8m\/\">atendimento imediato a demandas<\/a> que v\u00e3o desde quest\u00f5es ligadas \u00e0 igualdade de g\u00eanero, o fim do patriarcalismo e do ass\u00e9dio sexual, at\u00e9 temas mais gerais como o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o digna para todos e o fim da economia extrativista. E continua viva, na mem\u00f3ria dos chilenos, a \u201crevolta dos pinguins\u201d de 2006 e 2011, estudantes secund\u00e1rios que iam \u00e0s ruas em manifesta\u00e7\u00f5es extremamente violentas contra governos de esquerda e de direita, Bachelet e Pi\u00f1era, n\u00e3o somente contra a educa\u00e7\u00e3o privada, mas contra a economia de mercado e o regime pol\u00edtico como um todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha apresenta\u00e7\u00e3o no Chile foi sobre as <a href=\"http:\/\/foi sobre as quatro grandes fun\u00e7\u00f5es que a educa\u00e7\u00e3o deveria desempenhar como contribui\u00e7\u00e3o para o progresso social, como proposto pelo International Panel for Social Progress: o desenvolvimento da pessoa humana, o fortalecimento da cidadania, o desenvolvimento econ\u00f4mico e a equidade social.\">quatro grandes fun\u00e7\u00f5es que a educa\u00e7\u00e3o deveria desempenhar como contribui\u00e7\u00e3o para o progresso social, como proposto pelo I<em>nternational Panel for Social Progress<\/em><\/a>: o desenvolvimento da pessoa humana, o fortalecimento da cidadania, o desenvolvimento econ\u00f4mico e a equidade social. Os dois \u00faltimos temas t\u00eam monopolizado a aten\u00e7\u00e3o de governantes e pesquisadores, mas os dois primeiros parecem ter ca\u00eddo no esquecimento. Agora que o foco na educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as compet\u00eancias, que sentido tem ainda dizer que as escolas devem \u201cformar\u201d as pessoas,\u00a0<em>mens sana in corpore sano<\/em>, como nos velhos tempos?\u00a0\u00a0Quando os modernos estados nacionais foram criados, nos s\u00e9culos 18 e 19, a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica foi vista como o mecanismo para desenvolver, nos cidad\u00e3os, o sentido de pertencimento \u00e0 na\u00e7\u00e3o, o dom\u00ednio de uma l\u00edngua comum e os conhecimentos necess\u00e1rios para viver em uma sociedade complexa. Agora que todas as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o na Internet, a vida social e os valores dos estudantes se estruturam a partir das redes sociais, da m\u00fasica popular e da cultura de juventude, ainda se pode esperar que as escolas desempenhem estes pap\u00e9is?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez devessem, mas n\u00e3o est\u00e3o conseguindo, e talvez estejamos esperando da educa\u00e7\u00e3o mais do que ela possa dar. Christian Cox, educador chileno que tem se dedicado ao tema, mostra como os curr\u00edculos escolares em quase toda parte est\u00e3o deixando de lado os temas cl\u00e1ssicos de cidadania e coes\u00e3o social,&nbsp; substitu\u00eddos por temas locais ou identit\u00e1rios, mas a grande quest\u00e3o \u00e9 se estes conte\u00fados, mais tradicionais ou n\u00e3o, de fato s\u00e3o incorporados. No Chile, os importantes avan\u00e7os na educa\u00e7\u00e3o medidos pelos testes do PISA n\u00e3o levaram a um maior consenso, entre os estudantes, sobre o valor da democracia e as virtudes do modelo econ\u00f4mico e social estabelecido pelos governos desde o fim da ditadura, quest\u00f5es que, ali\u00e1s, o PISA n\u00e3o avalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das cr\u00edticas que se faz \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no Chile \u00e9 que a introdu\u00e7\u00e3o de um amplo sistema de financiamento p\u00fablico \u00e0 educa\u00e7\u00e3o privada, atrav\u00e9s de <em>vouchers<\/em>, que hoje atende a mais da metade da matr\u00edcula, junto com a cobran\u00e7a de anuidades das universidades p\u00fablicas, teriam tornado o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o mais desigual. A evid\u00eancia parece mostrar que escolas privadas subsidiadas t\u00eam resultados melhores do que as p\u00fablicas, mas em grande parte porque s\u00e3o mais seletivas, e os resultados escolares continuam dependendo fortemente da condi\u00e7\u00e3o social das fam\u00edlias. Com os <em>vouchers<\/em>, as fam\u00edlias podem escolher aonde mandar os filhos, e a grande prefer\u00eancia \u00e9 pelas escolas privadas, deixando as escolas p\u00fablicas municipais com os alunos em piores condi\u00e7\u00f5es, e com muitas dificuldades para melhorar. No ensino superior, um amplo sistema de bolsas, cr\u00e9ditos educativos e a pol\u00edtica mais recente de garantir gratuidade em qualquer institui\u00e7\u00e3o a alunos provenientes de fam\u00edlias mais pobres, tem reduzido o problema da desigualdade de acesso por raz\u00f5es financeiras, e a combina\u00e7\u00e3o de financiamentos p\u00fablicos e privados tem dado \u00e0s universidades um dinamismo dif\u00edcil de encontrar em outros pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muita semelhan\u00e7a entre as manifesta\u00e7\u00f5es chilenas de 2019, que come\u00e7aram contra o aumento do metr\u00f4, e as manifesta\u00e7\u00f5es paulistas de 2013, que come\u00e7aram contra o aumento dos \u00f4nibus: demandas simples que v\u00e3o se ampliando e dando vaz\u00e3o aos sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia das pessoas ante uma sociedade e economia que proporcionam muito menos do que gostariam. Algumas das demandas podem ser atendidas, mas nunca o suficiente para recuperar completamente a legitimidade recebida pelos governantes nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es que disputaram. No Chile, ainda h\u00e1 que se aguardar para ver quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias, mas um claro risco \u00e9 o rompimento do grande consenso constru\u00eddo entre o centro-esquerda e o centro-direita nos \u00faltimos 20 anos que parecia estar levando o pa\u00eds a um patamar de desenvolvimento in\u00e9dito na regi\u00e3o. Se assim for, a democracia sofre, perde legitimidade, e o futuro n\u00e3o se afigura promissor.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Vers\u00e3o ampliada do texto publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 8 de novembro de 2019) Em Santiago recentemente, me surpreendi quando me disseram que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds estava p\u00e9ssima, prenunciando as manifesta\u00e7\u00f5es que viriam logo depois.&nbsp;&nbsp;Visto por um brasileiro, o Chile \u00e9 nosso sonho de consumo: a economia crescendo a 3% ao ano, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/prenuncios-no-chile\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Pren\u00fancios no Chile&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[37,22],"tags":[],"class_list":["post-6435","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-democraciademocracy","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6435"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7178,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6435\/revisions\/7178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}