{"id":6500,"date":"2020-05-08T08:59:51","date_gmt":"2020-05-08T11:59:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6500"},"modified":"2020-05-09T08:28:17","modified_gmt":"2020-05-09T11:28:17","slug":"o-impacto-da-pandemia-do-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-impacto-da-pandemia-do-ensino-superior\/","title":{"rendered":"O impacto da pandemia do ensino superior"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(publicado em <em>O Estado de S\u00e3o Paulo,<\/em> 8 de maio de  2020)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fechamento das faculdades colocou o ensino superior, em todo o mundo, em um dilema: fechar as portas, ou tentar manter as atividades em modo virtual?&nbsp;&nbsp;A principal dificuldade de fechar \u00e9 que n\u00e3o sabemos at\u00e9 quando, e como ser\u00e1 a volta. O primeiro semestre j\u00e1 est\u00e1 perdido, e provavelmente o segundo tamb\u00e9m. D\u00e1 para, de um dia para outro, passar tudo para o modo virtual?&nbsp;&nbsp;Quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias? E o que isto pode significar, a m\u00e9dio e longo prazo?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se pode, simplesmente, colocar as aulas tradicionais na Internet e achar que tudo vai continuar como antes. O ensino \u00e0 dist\u00e2ncia de qualidade requer aulas bem preparadas, alunos que possam participar, e sistemas de acompanhamento e avalia\u00e7\u00e3o de resultados diferentes dos tradicionais. Tecnologias para isto existem, mas poucas institui\u00e7\u00f5es&nbsp;&nbsp;brasileiras est\u00e3o preparadas para us\u00e1-las. A grande maioria dos professores, sobretudo das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, nunca aprendeu a fazer isso. O ensino privado, nos \u00faltimos anos, ampliou muito a educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, em um esfor\u00e7o de redu\u00e7\u00e3o de custos, depois que o cr\u00e9dito educativo ficou mais dif\u00edcil, e hoje cerca de metade de seus alunos est\u00e3o neste regime. Mas a propor\u00e7\u00e3o de estudantes que abandona antes de terminar \u00e9 grande, e muitos questionam a qualidade da forma\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, embora a da educa\u00e7\u00e3o presencial tamb\u00e9m seja incerta. \u00c9 prov\u00e1vel que os estudantes mais jovens tenham mais facilidade em lidar com as novas tecnologias do que seus professores, mas muitos podem n\u00e3o ter equipamento adequando, acesso r\u00e1pido \u00e0 Internet e lugar em casa para participar das aulas. Existe a preocupa\u00e7\u00e3o de que, com a ado\u00e7\u00e3o do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, a desigualdade no ensino superior se acentue.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por maiores que sejam as dificuldades, fechar as portas parece a pior das op\u00e7\u00f5es. O custo da paralisa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente o atraso do calend\u00e1rio escolar, mas a interrup\u00e7\u00e3o das pesquisas, do processo de aprendizagem e dos v\u00ednculos dos estudantes com seus professores e colegas, que pode ser dif\u00edcil de retomar, aumentando as desist\u00eancias. No Brasil, com poucas exce\u00e7\u00f5es, com destaque para a Universidade de Campinas, as universidades p\u00fablicas fecharam as portas ou s\u00f3 mantiveram ativos os hospitais, mas as institui\u00e7\u00f5es privadas continuaram a funcionar, seja porque j\u00e1 estavam no regime de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, seja porque conseguiram se adaptar rapidamente a esta modalidade, premidas pela necessidade de manter seus alunos estudando e pagando as mensalidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o buscando se adaptar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o remota, o que se ouve \u00e9 que tem sido um aprendizado precioso, que poder\u00e1 ter utilizado com muitas vantagens quando a situa\u00e7\u00e3o se normalizar. Os professores est\u00e3o descobrindo que podem usar recursos pedag\u00f3gicos que tornam suas aulas mais interessantes, e a intera\u00e7\u00e3o com os estudantes pode ser mais facilitada. Os estudantes t\u00eam mais flexibilidade para organizar seu tempo, e n\u00e3o precisam se deslocar para as universidades simplesmente para assistir \u00e0s aulas. E os curr\u00edculos tradicionais, organizados como linhas de montagem, podem ser substitu\u00eddos por sequencias flex\u00edveis de estudo adaptadas a cada estudante. A educa\u00e7\u00e3o presencial, olho no olho, \u00e9 insubstitu\u00edvel quando o professor pode trabalhar com um n\u00famero pequeno de alunos, mas, na educa\u00e7\u00e3o superior de massas, com grandes turmas, a educa\u00e7\u00e3o mediada por tecnologia pode ser superior \u00e0 tradicional. O problema da desigualdade no ensino superior j\u00e1 existia, mas os custos de dar um computador, tablet e acesso \u00e0 Internet para quem precisa s\u00e3o pequenos, e a flexibilidade e acesso a recursos pedag\u00f3gicos de qualidade podem contribuir para reduzir as desvantagens de quem mora longe, precisa trabalhar e n\u00e3o conseguiu entrar em uma universidade de prest\u00edgio. As tecnologias permitem tamb\u00e9m que universidades possam colaborar compartilhando cursos, professores e materiais pedag\u00f3gicos, reduzindo custos e melhorando a qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da pandemia, o ensino superior brasileiro j\u00e1 estava com dificuldades crescentes. As universidades p\u00fablicas tinham problemas s\u00e9rios de financiamento, que dever\u00e3o se tornar mais graves, e muitas das privadas estavam se tornando insolventes. Cerca de 30 a 40% dos estudantes, nas faculdades p\u00fablicas e privadas, abandonavam os cursos antes de terminar, e metade dos formados trabalhava em atividades que n\u00e3o requeriam forma\u00e7\u00e3o superior. A pesquisa cient\u00edfica e a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o haviam crescido muito, mas os cursos de alto n\u00edvel e as publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de alta qualidade estavam concentrados em cerca de dez institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, com as demais tendo os custos, mas n\u00e3o os resultados de manter todo o professorado em tempo integral. O sistema de avalia\u00e7\u00e3o, caro e obsoleto, n\u00e3o informava \u00e0 sociedade quais eram os bons cursos, nem o destino de seus formados, nem se est\u00e3o adquirindo as compet\u00eancias requeridas pela economia digital do s\u00e9culo 21.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o faz sentido e pode ser imposs\u00edvel, depois da crise, voltar ao mesmo de antes. O coronavirus, ao lado dos grandes problemas que traz, pode ser uma oportunidade para repensar este sistema em mais profundidade.&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 8 de maio de 2020) O fechamento das faculdades colocou o ensino superior, em todo o mundo, em um dilema: fechar as portas, ou tentar manter as atividades em modo virtual?&nbsp;&nbsp;A principal dificuldade de fechar \u00e9 que n\u00e3o sabemos at\u00e9 quando, e como ser\u00e1 a volta. O primeiro &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-impacto-da-pandemia-do-ensino-superior\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O impacto da pandemia do ensino superior&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-6500","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-superior"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6500"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6500\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6502,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6500\/revisions\/6502"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}