{"id":6621,"date":"2020-12-11T06:11:06","date_gmt":"2020-12-11T09:11:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6621"},"modified":"2020-12-11T06:11:12","modified_gmt":"2020-12-11T09:11:12","slug":"quebrando-o-gargalo-do-enem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/quebrando-o-gargalo-do-enem\/","title":{"rendered":"Quebrando o gargalo do ENEM"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">(vers\u00e3o revista de texto publicado em <a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/espaco-aberto,quebrando-o-gargalo-do-enem,70003547500\">O Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>, 11 de dezembro de 2020)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dizem que a vida vai voltar ao normal. E em 2021 o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o pretende come\u00e7ar a implantar o novo Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), com duas modifica\u00e7\u00f5es importantes. A primeira, desde j\u00e1, \u00e9 o \u201cEnem seriado\u201d, em que os alunos do ensino m\u00e9dio ser\u00e3o avaliados a partir do primeiro ano, com uma nova vers\u00e3o da Prova Brasil. A segunda, a partir de 2024 ou 2025, \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o do Enem \u00e0 reforma do ensino m\u00e9dio, que prev\u00ea que os estudantes possam escolher seus itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o. Como a maioria dos candidatos ao Enem n\u00e3o vem diretamente do ensino regular, a prova geral vai continuar existindo, ao lado do sistema seriado, divida em duas partes: uma comum, para todos os estudantes, e outra diferenciada, para os diferentes itiner\u00e1rios (no sistema seriado, a previs\u00e3o \u00e9 que a avalia\u00e7\u00e3o dos itiner\u00e1rios opcionais seja feita no terceiro ano)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagino que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) tenha estimado o custo desse novo formato, a maneira como os resultados das avalia\u00e7\u00f5es seriadas v\u00e3o ser utilizados para melhorar a qualidade do ensino e como compatibilizar os dois sistemas para que um n\u00e3o se torne mais valorizado do que o outro. Digo \u201cimagino\u201d porque n\u00e3o encontrei nenhum documento oficial que explique mais em detalhe as raz\u00f5es e os custos dessa mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tomara que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) saiba o que est\u00e1 fazendo, mas h\u00e1 pelo menos tr\u00eas coisas importantes que precisariam ser discutidas antes de embarcar nesse caminho sem volta. A primeira \u00e9 se precisamos realmente continuar tendo um vestibular nacional unificado como o Enem. Quando o exame foi criado, em 1998, o objetivo era ter um marco de refer\u00eancia de qualidade para o ensino m\u00e9dio brasileiro, como a Prova Brasil. Em 2009 ele se transformou em vestibular nacional e as universidades renunciaram \u00e0 sua autonomia e responsabilidade por selecionar seus estudantes. A justificativa foi que assim os estudantes n\u00e3o precisariam mais se inscrever em diferentes concursos e poderiam se candidatar a vagas em qualquer parte do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o Enem transformou o ensino m\u00e9dio num grande cursinho de prepara\u00e7\u00e3o para a prova, com resultados totalmente previs\u00edveis \u2013 as vagas mais disputadas s\u00e3o quase todas ocupadas por filhos de pais de n\u00edvel universit\u00e1rio que estudaram em escolas privadas e em algumas poucas escolas federais. O Brasil n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que tem um exame desse tipo e em todo mundo se discute, hoje, se esses exames realmente medem o que pretendem \u2013 ou seja, a capacidade de o aluno adquirir uma boa forma\u00e7\u00e3o e se transformar em bom profissional e cidad\u00e3o \u2013 e se n\u00e3o existem formas melhores de tornar o acesso ao ensino superior melhor e mais equitativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil cerca de metade dos alunos que entram no Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada (Sisu), o mecanismo de escolha de cursos do Enem, s\u00e3o cotistas, mas as notas de corte para os cursos s\u00e3o semelhantes para cotistas e n\u00e3o cotistas, o que significa que elas n\u00e3o beneficiam quem realmente precisaria. A tend\u00eancia, ao menos nos Estados Unidos, \u00e9 reduzir o peso dos resultados em provas padronizadas como o ACT e fazer uma sele\u00e7\u00e3o mais rica e complexa dos estudantes, tomando em conta capacidade de lideran\u00e7a, motiva\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia escolar, v\u00ednculo com suas comunidades de origem, etc. Essa sele\u00e7\u00e3o precisa ser feita pelas universidades, at\u00e9 para fortalecer seus v\u00ednculos com a popula\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es onde est\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda quest\u00e3o \u00e9 se a prova comum e os itiner\u00e1rios formativos que o novo Enem pretende implementar est\u00e3o alinhados com as inten\u00e7\u00f5es da reforma do ensino m\u00e9dio iniciada em 2017. Se a prova comum for um resumo de tudo o que estava no curr\u00edculo tradicional, do portugu\u00eas \u00e0 f\u00edsica, passando pela filosofia e sociologia, o Enem continuar\u00e1 mantendo o ensino m\u00e9dio brasileiro na camisa de for\u00e7a do curr\u00edculo \u00fanico. E se as provas espec\u00edficas, dos itiner\u00e1rios formativos, continuarem submetidas \u00e0 esdr\u00faxula classifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de conhecimento adotada pelo MEC, v\u00e3o retirar a for\u00e7a da principal inova\u00e7\u00e3o do novo ensino m\u00e9dio, que s\u00e3o os itiner\u00e1rios. A sugest\u00e3o \u00e9 tornar a prova geral mais leve, semelhante ao Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos (Pisa), de compet\u00eancias em leitura, matem\u00e1tica e racioc\u00ednio cient\u00edfico, e alinhar os itiner\u00e1rios com as \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3ximas ao mundo da educa\u00e7\u00e3o superior e do trabalho, adotadas de forma semelhante em outros pa\u00edses: ci\u00eancias exatas, matem\u00e1tica e tecnologia (STEM); ci\u00eancias biol\u00f3gicas e da sa\u00fade: ci\u00eancias e profiss\u00f5es sociais; e humanidades, letras e artes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reforma do ensino m\u00e9dio abriu tamb\u00e9m a possibilidade de um \u201cquinto itiner\u00e1rio\u201d, de capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para quem precisa entrar logo no mercado de trabalho, e \u00e9 necess\u00e1rio associar ao Enem sistemas adequados de certifica\u00e7\u00e3o pelo menos para as \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de maior demanda \u2013 enfermagem, administra\u00e7\u00e3o, inform\u00e1tica, agropecu\u00e1ria, seguran\u00e7a no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira quest\u00e3o \u00e9 se n\u00e3o seria o caso de criar uma avalia\u00e7\u00e3o individualizada ao final do ensino fundamental, aos 15 anos, como faz a Inglaterra com o exame GCSE. O chamado \u201cfundamental II\u201d \u00e9 o patinho feio da educa\u00e7\u00e3o brasileira, \u00e9 a\u00ed que os eventuais resultados de melhora dos resultados do antigo prim\u00e1rio se perdem. Um exame desse tipo ajudaria a estabelecer um padr\u00e3o de qualidade para esse n\u00edvel e orientar os estudantes para que encontrem seus caminhos nos anos seguintes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investir e exigir mais da educa\u00e7\u00e3o fundamental e abrir o leque de alternativas no ensino m\u00e9dio, quebrando o gargalo do Enem, esse parece ser o caminho que precisamos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(vers\u00e3o revista de texto publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 11 de dezembro de 2020) Dizem que a vida vai voltar ao normal. 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