{"id":6822,"date":"2021-05-29T20:13:03","date_gmt":"2021-05-29T23:13:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6822"},"modified":"2021-05-30T07:08:49","modified_gmt":"2021-05-30T10:08:49","slug":"desigualdades-sociais-testagem-e-indicadores-prevalencia-de-covid-19-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/desigualdades-sociais-testagem-e-indicadores-prevalencia-de-covid-19-no-brasil\/","title":{"rendered":"Desigualdades sociais, testagem e indicadores preval\u00eancia de COVID-19 no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Luisa Farah Schwartzman, Flavia Cristina Drumond Andrade e Nekehia Quashie<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/luisa2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/luisa2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6819\" width=\"541\" height=\"400\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que a COVID-19 se espalhou pelo mundo, as pessoas se acostumaram a olhar para as taxas de mortalidade, hospitaliza\u00e7\u00f5es, e a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que testam positivo. Todas essas medidas t\u00eam vantagens e limita\u00e7\u00f5es. A estat\u00edsticas de mortes e hospitaliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para saber o impacto mais grave da doen\u00e7a, tanto na vida das pessoas quanto na capacidade dos sistemas de sa\u00fade e, em geral, s\u00e3o consideradas mais f\u00e1ceis de medir. Mas a terceira medida, baseada em testes positivos, \u00e9 importante para se entender como a doen\u00e7a se distribui de forma mais geral na popula\u00e7\u00e3o, sendo que destes alguns ser\u00e3o casos menos graves e outros que tamb\u00e9m aparecem nas estat\u00edsticas de hospitaliza\u00e7\u00e3o ou de mortalidade. Mas estat\u00edsticas baseadas em testes positivos tem um problema: elas n\u00e3o captam as pessoas que n\u00e3o testaram. Se a distribui\u00e7\u00e3o de testes na popula\u00e7\u00e3o for desigual, isso afetar\u00e1 o nosso entendimento sobre a distribui\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c9 importante pensar se a COVID-19 est\u00e1 afetando a popula\u00e7\u00e3o como um todo da mesma maneira, ou se as desigualdades sociais est\u00e3o gerando uma distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m desigual da doen\u00e7a, e da capacidade das pessoas doentes de serem diagnosticadas e tratadas pelos servi\u00e7os de sa\u00fade. Com a vinda das vacinas, essa quest\u00e3o fica ainda mais importante, se essas vacinas n\u00e3o forem distribu\u00eddas igualmente pela popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para entender essas quest\u00f5es melhor, n\u00f3s analisamos dados da PNAD-COVID, uma pesquisa amostral domiciliar coletada pelo IBGE em 2020 em todo o Brasil (nossa an\u00e1lise ainda est\u00e1 em fase preliminar, mas decidimos compartilhar aqui algumas observa\u00e7\u00f5es iniciais). Essa amostra da PNAD \u00e9 longitudinal: pessoas do mesmo domic\u00edlio foram entrevistadas, uma vez por m\u00eas, desde maio de 2020. O question\u00e1rio inclu\u00eda, entre outras coisas, perguntas sobre se a pessoal teve sintomas geralmente associados ao COVID-19 na semana anterior. A partir de junho de 2020 a pesquisa tamb\u00e9m perguntou se as pessoas tinham feito o teste de COVID-19, e se o resultado foi positivo ou negativo. A nossa equipe agregou os dados da PNAD de julho a novembro para construir os indicadores de testagem e de sintomas, representados abaixo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O indicador de sintomas mostra a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que responderam ter perdido o olfato, e que tamb\u00e9m responderam ter um dos seguintes sintomas: dor de garganta, febre, tosse, nariz escorrendo ou entupido, dificuldade de respirar, ou dores no peito. Se a pessoa respondeu ter esses sintomas em qualquer dos meses entre julho e novembro de 2020, ela foi contada no gr\u00e1fico como tendo sintomas. Os indicadores de testes medem se a pessoa respondeu que testou, e se o resultado deu positivo. Testamos como esses indicadores variam a partir de v\u00e1rias caracter\u00edsticas sociais e de vida das pessoas, como classe social, ra\u00e7a\/cor, g\u00eanero e local de resid\u00eancia. Em geral, os indicadores de sintomas e de testes apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o: houve, no per\u00edodo analisado, uma maior preval\u00eancia da doen\u00e7a em popula\u00e7\u00f5es de meia-idade, entre popula\u00e7\u00f5es urbanas, entre mulheres, e entre ind\u00edgenas. N\u00f3s tamb\u00e9m fizemos uma an\u00e1lise de regress\u00e3o, considerando todas essas vari\u00e1veis em conjunto, e ficou confirmado que essas correla\u00e7\u00f5es s\u00e3o estatisticamente significativas e independentes umas das outras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, h\u00e1 uma exce\u00e7\u00e3o importante: se utilizarmos o n\u00famero de testes positivos como indicador de preval\u00eancia de COVID-19, parece que as fam\u00edlias de renda mais alta est\u00e3o mais expostas \u00e0 doen\u00e7a. Mas se usarmos os sintomas como indicador, n\u00e3o parece haver diferen\u00e7as por renda familiar. As pessoas em domic\u00edlios de renda mais alta testam mais em geral, e tamb\u00e9m, entre as pessoas que t\u00eam sintomas, uma maior propor\u00e7\u00e3o testa mais entre pessoas de renda domiciliar mais alta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, por causa da desigualdade no acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade (e em particular aos testes de COVID-19), os resultados dos testes s\u00e3o bons indicadores da preval\u00eancia da doen\u00e7a para as classes sociais mais privilegiadas, mas tendem a subestimar a preval\u00eancia entre os mais pobres.&nbsp;&nbsp;Claramente os mais ricos tiveram mais acesso aos testes e foram mais bem diagnosticados que as pessoas de menor renda.&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luisa Farah Schwartzman, Flavia Cristina Drumond Andrade e Nekehia Quashie Desde que a COVID-19 se espalhou pelo mundo, as pessoas se acostumaram a olhar para as taxas de mortalidade, hospitaliza\u00e7\u00f5es, e a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que testam positivo. 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