{"id":6826,"date":"2021-06-11T06:38:44","date_gmt":"2021-06-11T09:38:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6826"},"modified":"2021-06-11T06:38:51","modified_gmt":"2021-06-11T09:38:51","slug":"os-itinerarios-do-novo-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/os-itinerarios-do-novo-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Os itiner\u00e1rios do novo ensino m\u00e9dio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Publicado no jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, 11 de junho de 2021)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2022, finalmente, o ensino m\u00e9dio brasileiro dever\u00e1 come\u00e7ar a adotar o novo formato estabelecido pela reforma de 2017. A ideia continua importante. Ao inv\u00e9s de um curr\u00edculo tradicional, r\u00edgido e amarrado \u00e0s provas do ENEM, criar alternativas diferentes de forma\u00e7\u00e3o conforme os interesses e as condi\u00e7\u00f5es dos milh\u00f5es de jovens que chegam ao ensino m\u00e9dio. Ao inv\u00e9s de dificultar a forma\u00e7\u00e3o profissional, torn\u00e1-la mais acess\u00edvel, como uma das alternativas de forma\u00e7\u00e3o neste n\u00edvel. \u00c9 assim em todo o mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas como fazer isto? Na falta de uma orienta\u00e7\u00e3o clara por parte do governo federal, as secretarias de educa\u00e7\u00e3o, escolas e redes de ensino est\u00e3o procurando alternativas, no meio ao emaranhado de leis, bases curriculares, resolu\u00e7\u00f5es, diretrizes e o novo palavreado introduzido pelo MEC e o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos \u2013 itiner\u00e1rios formativos, forma\u00e7\u00e3o integrada, projetos de vida, diversifica\u00e7\u00e3o, compet\u00eancias, media\u00e7\u00e3o sociocultural, empreendedorismo&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte da confus\u00e3o tem a ver com uma estranha classifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de conhecimento adotada pelo MEC, tirada n\u00e3o se sabe de onde, que acabou entrando na base nacional curricular e na lei como definidora dos diferentes itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o. Estas \u00e1reas seriam \u201clinguagens\u201d (uma salada que inclui ingl\u00eas, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, dan\u00e7a, l\u00edngua portuguesa e tecnologias de informa\u00e7\u00e3o), \u201cci\u00eancias da natureza\u201d, \u201cci\u00eancias humanas\u201d e \u201cmatem\u00e1tica\u201d, cada uma (menos as ci\u00eancias humanas) com \u201csuas tecnologias\u201d. A interpreta\u00e7\u00e3o literal da legisla\u00e7\u00e3o indica que estas \u00e1reas deveriam ser tamb\u00e9m os \u201citiner\u00e1rios formativos\u201d a serem oferecidos, sobrando ainda um \u201c5\u00ba itiner\u00e1rio\u201d, que seria o da educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ou profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Basta olhar o que fazem outros pa\u00edses para ver que isto n\u00e3o faz sentido. Em Portugal e na Fran\u00e7a, por exemplo, existem pelo menos tr\u00eas modalidades diferentes de ensino m\u00e9dio, cada uma oferecendo diferentes op\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 o que se chama de \u201cproped\u00eautica\u201d, de prepara\u00e7\u00e3o para os cursos universit\u00e1rios. A segunda \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, voltada para atividades profissionais mais complexas no mundo dos servi\u00e7os, da ind\u00fastria e das novas tecnologias. E a terceira \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o denominada \u201cvocacional\u201d, mais simples e diretamente orientada para o mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Fran\u00e7a, a primeira modalidade, que culmina nas provas do \u201cbaccalaur\u00e9at g\u00e9n\u00e9rale\u201d, inclui tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: ci\u00eancias naturais; ci\u00eancias econ\u00f4micas e sociais; e literatura. Em Portugal, as op\u00e7\u00f5es s\u00e3o ci\u00eancia e tecnologia; ci\u00eancias socioecon\u00f4micas\u2019; l\u00ednguas e humanidades; e artes. O que estas \u00e1reas t\u00eam em comum \u00e9 que elas s\u00e3o internamente coerentes, e preparam os alunos para os tipos de forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e vida profissional que pretendem seguir. Ningu\u00e9m se forma em \u201clinguagens e suas tecnologias\u201d; a matem\u00e1tica nunca vem sozinha, mas sempre junto com a tecnologia ou as ci\u00eancias naturais e sociais; e existe uma clara separa\u00e7\u00e3o entre as ci\u00eancias sociais e as humanidades. Uma leitura mais atenta da lei brasileira mostra que, felizmente, as escolas n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a se organizar conforme as \u201c\u00e1reas\u201d do MEC, e podem criar itiner\u00e1rios integrados semelhantes aos que existem no resto do mundo. \u00c9 o que deve ser feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das outras duas modalidades, o que no Brasil se chama de \u201ceduca\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d, com quase duzentas op\u00e7\u00f5es diferentes listadas em um cat\u00e1logo feito pelo MEC, \u00e9 mais parecido com os cursos vocacionais europeus do que com os cursos de conte\u00fado tecnol\u00f3gico, que ficaram esquecidos (embora o termo \u201ctecnol\u00f3gico\u201d seja utilizado entre n\u00f3s para denominar os cursos superiores curtos, qualquer que sejam seus conte\u00fados).&nbsp;&nbsp;Em outros pa\u00edses, e que d\u00e1 robustez \u00e0 forma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, oferecida desde o ensino m\u00e9dio, \u00e9 que ela \u00e9 mais pr\u00e1tica e aplicada do que a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, se desenvolve em parceria com o setor produtivo, e d\u00e1 acesso a cursos superiores de curta dura\u00e7\u00e3o, para quem quiser continuar se aperfei\u00e7oando, em \u00e1reas como ci\u00eancia e tecnologia da sa\u00fade e bem-estar social, agronomia, design e artes pl\u00e1sticas, atividades industriais, alimenta\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o e outras. Os cursos vocacionais s\u00e3o mais simples, voltados sobretudo a atividades de servi\u00e7o e manuten\u00e7\u00e3o, e destinados a pessoas que necessitam trabalhar de forma mais imediata e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de seguir cursos mais complexos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A outra caracter\u00edstica importante do ensino diversificado no resto do mundo \u00e9 que n\u00e3o se trata, simplesmente, de diferentes arranjos curriculares, mas de escolas p\u00fablicas e privadas que se especializam em determinadas \u00e1reas e tipos de forma\u00e7\u00e3o. Algo disto j\u00e1 existe no Brasil, com algumas redes de escolas t\u00e9cnicas como as do Sistema Paula Souza e do Sesi-Senai, ou a escola ORT no Rio de Janeiro.&nbsp;&nbsp;A decis\u00e3o sobre que itiner\u00e1rios formativos oferecer \u00e9 tamb\u00e9m uma decis\u00e3o sobre como as escolas do ensino m\u00e9dio dever\u00e3o se reorganizar, identificando as caracter\u00edsticas e necessidades de seus alunos, buscando parcerias e se capacitando para melhor atend\u00ea-los. \u00c9 s\u00f3 um primeiro passo.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, 11 de junho de 2021) Em 2022, finalmente, o ensino m\u00e9dio brasileiro dever\u00e1 come\u00e7ar a adotar o novo formato estabelecido pela reforma de 2017. A ideia continua importante. 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