{"id":6891,"date":"2021-11-12T08:00:58","date_gmt":"2021-11-12T11:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6891"},"modified":"2021-11-12T08:06:26","modified_gmt":"2021-11-12T11:06:26","slug":"e-quase-fim-do-ano-onde-estao-os-nossos-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/e-quase-fim-do-ano-onde-estao-os-nossos-jovens\/","title":{"rendered":"\u00c9 quase fim do ano: onde est\u00e3o os nossos jovens?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Publicado em<em> O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, 12\/11\/2021)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este deveria ser o ano em que as escolas concluiriam os preparativos para dar in\u00edcio, em 2022, ao novo ensino m\u00e9dio. \u00c9 tamb\u00e9m o segundo ano da pandemia, em que elas ficaram fechadas ou oferecendo ensino \u00e0 dist\u00e2ncia de qualidade e efic\u00e1cia desconhecidas. Muitos jovens abandonaram os cursos, e muitos mais ficaram mas aprenderam pouco ou nada. Os candidatos ao ENEM, que em 2016 eram mais de 8 milh\u00f5es, ca\u00edram para a metade em 2021. Este n\u00famero j\u00e1 vinha caindo, com a percep\u00e7\u00e3o crescente de que o roteiro tradicional do ensino m\u00e9dio \u00fanico aos cursos universit\u00e1rios tradicionais, que j\u00e1 era inacess\u00edvel para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, se tornou mais dif\u00edcil ainda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O lei do novo ensino m\u00e9dio foi uma tentativa de tornar o ensino m\u00e9dio&nbsp;&nbsp;mais significativo, abrindo a possibilidade de diferentes itiner\u00e1rios formativos, e criando uma ampla oferta de ensino t\u00e9cnico-profissional para os que buscassem uma qualifica\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica e mais acess\u00edvel. Agora, al\u00e9m de ter que introduzir o novo curr\u00edculo, as escolas ter\u00e3o que lidar com milh\u00f5es de estudantes que ficaram fora da escola ou aprenderam ainda menos do que antes. O que far\u00e3o? Como est\u00e3o se preparando para recuperar os anos perdidos? Como ser\u00e1, na pr\u00e1tica, este novo ensino m\u00e9dio t\u00e3o anunciado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o deveria estar liderando esta transi\u00e7\u00e3o, mas, de onde menos se espera, da\u00ed \u00e9 que n\u00e3o vem nada mesmo.\u00a0\u00a0As secretarias estaduais t\u00eam tomado a iniciativa, preparando os curr\u00edculos para os diferentes itiner\u00e1rios e organizando a oferta de ensino t\u00e9cnico-profissional. Algumas j\u00e1 publicaram suas conclus\u00f5es, que, embora diferentes entre si, parecem ter algumas coisas em comum. Todas sup\u00f5em que o regime de 3 mil horas, ou 5 horas di\u00e1rias, estar\u00e1 implantado, e v\u00e1rias anunciam que dar\u00e3o prioridade \u00e0s escolas de tempo integral, de 8 horas. Todas anunciam novos conte\u00fados e atividades como projeto de vida, empreendedorismo, sustentabilidade, vida futura, cultura digital. Nada contra, deste que n\u00e3o seja \u00e0 custa da inicia\u00e7\u00e3o apropriada nas disciplinas acad\u00eamicas centrais para os diferentes\u00a0\u00a0itiner\u00e1rios. Para estes itiner\u00e1rios, poucas conseguem se desvencilhar da estranha classifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de conhecimento inventada pelo MEC e avan\u00e7ar em op\u00e7\u00f5es focadas nos temas de tecnologia e engenharia, profiss\u00f5es sociais, ci\u00eancias da vida e humanidades, como no resto do mundo. E, para o ensino t\u00e9cnico, alguns estados planejam dar prioridade a algumas \u00e1reas\u00a0\u00a0&#8211; eletrot\u00e9cnica, agroneg\u00f3cio, administra\u00e7\u00e3o, etc. \u2013 e abrir espa\u00e7o tanto para cursos t\u00e9cnicos mais longos quanto curtos, na antiga modalidade de forma\u00e7\u00e3o inicial continuada (FIC); mas poucas dizem como v\u00e3o fazer isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pressa, \u00e9 compreens\u00edvel que os curr\u00edculos sejam tratados com prioridade, mas chama aten\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre como as redes pretendem lidar com a enorme diversifica\u00e7\u00e3o de seus estudantes, como esperam preparar seus professores lidar com o novo formato, e como&nbsp;&nbsp;v\u00e3o tentar compensar o impacto da epidemia na forma\u00e7\u00e3o dos estudantes que v\u00e3o receber. Fala-se muito em educa\u00e7\u00e3o profissional integrada e estudo em tempo integral, mas&nbsp;&nbsp;n\u00e3o se considera que 20% dos alunos de ensino m\u00e9dio regular nas redes p\u00fablicas estudam \u00e0 noite, que um ter\u00e7o tenha 18 anos ou mais (dados do Censo Escolar), e que 30% trabalham (dados da Pnad Continua). Sem falar nos cerca de 1,2 milh\u00f5es que est\u00e3o hoje matriculados nos cursos m\u00e9dios de educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos (EJA), reconhecidamente prec\u00e1rios. Estes estudantes mais velhos, que estudam \u00e0 noite, trabalham e est\u00e3o nos cursos de EJA, deveriam ser os principais benefici\u00e1rios de cursos t\u00e9cnicos mais pr\u00e1ticos, em tempo parcial e com uso apropriado de tecnologias de ensino h\u00edbridas, em carreiras com boas perspectivas de emprego mais imediato, e n\u00e3o me parece que estejam sendo devidamente considerados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organizar itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 menos uma quest\u00e3o de curr\u00edculo do que da exist\u00eancia de professores que tenham uma concep\u00e7\u00e3o clara da forma\u00e7\u00e3o que se deseja proporcionar e possam liderar este trabalho. Nossos professores, no melhor dos casos, podem ensinar bem as respectivas mat\u00e9rias, mas seria preciso um trabalho intenso e coordenado de identifica\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de coordenadores de \u00e1rea com esta vis\u00e3o mais ampla. Para o ensino t\u00e9cnico, \u00e9 preciso professores com um perfil muito diferente dos que se formam pelas licenciaturas tradicionais, que possam combinar experi\u00eancia de trabalho com capacidade de ensino, assim como de conv\u00eanios de coopera\u00e7\u00e3o entre as redes escolares e institui\u00e7\u00f5es especializadas, com destaque para as dos sistemas nacionais de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 bom que cada estado esteja buscando seu caminho, mas, sem a \u00e2ncora&nbsp;&nbsp;de um sistema adequado de avalia\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, que substitua o atual ENEM, cada um continuar\u00e1 atirando para um lado, sem saber bem os alvos a que devem mirar. A lei do novo ensino m\u00e9dio desorganizou um sistema que estava ruim, mas ainda n\u00e3o se sabe se isto resultar\u00e1 em um outro melhor.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 12\/11\/2021) Este deveria ser o ano em que as escolas concluiriam os preparativos para dar in\u00edcio, em 2022, ao novo ensino m\u00e9dio. \u00c9 tamb\u00e9m o segundo ano da pandemia, em que elas ficaram fechadas ou oferecendo ensino \u00e0 dist\u00e2ncia de qualidade e efic\u00e1cia desconhecidas. Muitos jovens abandonaram os &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/e-quase-fim-do-ano-onde-estao-os-nossos-jovens\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;\u00c9 quase fim do ano: onde est\u00e3o os nossos jovens?&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[41,52],"tags":[],"class_list":["post-6891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-profissionalvocational-education","category-educacao-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6891"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6895,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6891\/revisions\/6895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}