{"id":6983,"date":"2022-03-11T07:14:45","date_gmt":"2022-03-11T10:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=6983"},"modified":"2022-03-11T07:19:40","modified_gmt":"2022-03-11T10:19:40","slug":"o-apagao-do-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-apagao-do-ensino-medio\/","title":{"rendered":"O Apag\u00e3o do Ensino M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:119,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,o-apagao-do-ensino-medio,70004004504&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20220520102956\\\/https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/espaco-aberto,o-apagao-do-ensino-medio,70004004504&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.estadao.com.br\\\/opiniao\\\/espaco-aberto\\\/o-apagao-do-ensino-medio\\\/&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-15 20:47:12&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-19 12:52:02&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-23 12:04:28&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-26 20:08:30&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-01 10:46:13&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-05 15:04:33&quot;,&quot;http_code&quot;:200}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-05 15:04:33&quot;,&quot;http_code&quot;:200},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(publicado em <em><a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/espaco-aberto,o-apagao-do-ensino-medio,70004004504\">O Estado de S\u00e3o Paulo,<\/a><\/em> 11 de mar\u00e7o de 2022)<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-scaled.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-1200x916.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6984\" width=\"-951\" height=\"-725\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-1200x916.jpg 1200w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-744x568.jpg 744w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-420x321.jpg 420w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-768x586.jpg 768w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-1536x1172.jpg 1536w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/saresp-scaled.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Levantamento recente da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo mostra o impacto da pandemia no ensino m\u00e9dio do Estado, que j\u00e1 n\u00e3o vinha bem. Em L\u00edngua Portuguesa, em 2019, os alunos que terminavam o ensino m\u00e9dio j\u00e1 estavam, em m\u00e9dia, 3,83 anos atrasados em termos do que haviam aprendido, ou seja, sabiam menos do que o esperado no 9.\u00ba ano do ensino fundamental. Em 2021, este atraso havia aumentado para 4,24 anos. Em Matem\u00e1tica, o atraso, que era de 5,14 anos, aumentou para 6,53 anos, ou seja, tinham o n\u00edvel pr\u00f3ximo ao esperado no 5.\u00ba ano. \u00c9 prov\u00e1vel que, no resto do Pa\u00eds, o impacto tenha sido maior (o impacto mais dram\u00e1tico, no entanto, foi entre os alunos da 5a s\u00e9rie, como se pode ver no gr\u00e1fico, com dados extra\u00eddos da <a href=\"https:\/\/www.educacao.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Apresenta\u00e7\u00e3o-Estudo-Amostral.pdf\">publica\u00e7\u00e3o da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 assim que estes estudantes est\u00e3o entrando, em 2022, no novo ensino m\u00e9dio, estabelecido em 2017. Pela lei, os estudantes que entram no ensino m\u00e9dio como um caminho para o ensino superior deveriam escolher as \u00e1reas de estudo de sua prefer\u00eancia; para a maioria, sobretudo da rede p\u00fablica, que n\u00e3o ir\u00e1 al\u00e9m do n\u00edvel m\u00e9dio, seria poss\u00edvel obter uma qualifica\u00e7\u00e3o profissional valorizada no mercado de trabalho. E, para todos, haveria mais espa\u00e7o para fortalecer as compet\u00eancias b\u00e1sicas gerais, como os conhecimentos essenciais de linguagem e racioc\u00ednio matem\u00e1tico. A inten\u00e7\u00e3o foi boa, mas a lei ficou confusa, e caberia ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o liderar a transi\u00e7\u00e3o para o novo sistema, resolvendo as ambiguidades e apoiando as redes neste processo. O minist\u00e9rio se omitiu, e cada Estado est\u00e1 tratando de fazer as mudan\u00e7as como pode.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A omiss\u00e3o do governo federal tem que ver com a incompet\u00eancia e hostilidade do governo Bolsonaro em rela\u00e7\u00e3o aos temas de ci\u00eancia, cultura e educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com uma forte resist\u00eancia do&nbsp;<em>establishment<\/em>&nbsp;educacional aos dois objetivos da reforma. Esta resist\u00eancia se deu e ainda se d\u00e1 em dois n\u00edveis, o das ideologias e concep\u00e7\u00f5es e o das dificuldades pr\u00e1ticas que a reforma acarreta, que me parece o mais importante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 diferencia\u00e7\u00e3o de trajet\u00f3rias se manifesta muitas vezes na forma de defesa do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, que seria afetado se o estudante tivesse um curr\u00edculo mais direcionado. Ela veio, tamb\u00e9m, associada ao temor de que a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos afetaria a rotina e o emprego de professores de filosofia, sociologia, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, religi\u00e3o e tantos outros que t\u00eam asseguradas suas horas de ensino nos curr\u00edculos tradicionais. O resultado foi aumentar, na lei, o tamanho e os conte\u00fados da parte de forma\u00e7\u00e3o comum do ensino m\u00e9dio, e adotar, para os diferentes itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o, uma classifica\u00e7\u00e3o formal e arbitr\u00e1ria de \u00e1reas de conhecimento (linguagem, Matem\u00e1tica, ci\u00eancias da natureza, ci\u00eancias sociais), ao inv\u00e9s de temas mais pr\u00f3ximos das \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o profissional (tecnologia e engenharia, ci\u00eancias da sa\u00fade, profiss\u00f5es sociais, humanidades), como se d\u00e1 no resto do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem tudo estava perdido, porque \u00e9 o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) que define o que fazem, na pr\u00e1tica, as escolas do ensino m\u00e9dio. Pensando nisso, o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) desenvolveu uma proposta para um novo Enem, que consistiria em duas partes, a primeira de compet\u00eancias gerais, semelhante ao Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (Pisa), e a segunda com op\u00e7\u00f5es nas quatro \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o profissional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, com o apoio de associa\u00e7\u00f5es como o Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o (Consed) e Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (Andifes), acabou adotando um projeto diferente. S\u00e3o, tamb\u00e9m, duas partes, a primeira juntando todo o conte\u00fado da parte geral e a segunda com quatro m\u00f3dulos diferentes \u00e0 escolha dos alunos, combinando as diferentes \u00e1reas formais de conhecimento. \u00c9 uma proposta confusa, carregada de linguagem pretensiosa (\u201cinterven\u00e7\u00e3o social\u201d, \u201carticula\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias\u201d, \u201cinterdisciplinaridade\u201d, etc.), tecnicamente duvidosa e que mal esconde a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal argumento ideol\u00f3gico contra a reforma do ensino t\u00e9cnico \u00e9 de que ele estaria subordinando a educa\u00e7\u00e3o ao mercado de trabalho (horror!), abandonando o suposto ideal gramsciano de \u201cpolitecnia\u201d. Esta reforma deveria ter sido acompanhada de uma pol\u00edtica efetiva de fortalecimento dos v\u00ednculos entre as redes estaduais e os sistemas de forma\u00e7\u00e3o profissional existentes, como os do sistema S e o sistema Paula Souza, em S\u00e3o Paulo, e da implanta\u00e7\u00e3o progressiva de um sistema nacional de certifica\u00e7\u00f5es de compet\u00eancias profissionais, em parceria com o setor produtivo, que pudesse dar rumos e valorizar as carreiras vocacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, deveria haver um esfor\u00e7o de amplia\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o de um sistema moderno de aprendizagem profissional e do ensino superior de curta dura\u00e7\u00e3o, que dariam continuidade \u00e0 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de n\u00edvel m\u00e9dio. Ao inv\u00e9s disso, o que se viu foi uma preocupa\u00e7\u00e3o em manter o ensino t\u00e9cnico integrado ao curr\u00edculo tradicional, como uma forma\u00e7\u00e3o elitista s\u00f3 poss\u00edvel para os poucos institutos tecnol\u00f3gicos federais que, na pr\u00e1tica, selecionam e preparam seus estudantes para as carreiras universit\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 este o apag\u00e3o do ensino m\u00e9dio brasileiro em 2022: uma reforma confusa, sem ter quem a lidere e com alunos prejudicados por dois anos de escolas fechadas. Seria um bom tema para as campanhas eleitorais, se os pol\u00edticos realmente se interessassem por educa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 11 de mar\u00e7o de 2022) Levantamento recente da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo mostra o impacto da pandemia no ensino m\u00e9dio do Estado, que j\u00e1 n\u00e3o vinha bem. 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