{"id":7218,"date":"2023-04-14T05:57:45","date_gmt":"2023-04-14T08:57:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7218"},"modified":"2023-04-14T06:11:28","modified_gmt":"2023-04-14T09:11:28","slug":"freio-de-arrumacao-no-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/freio-de-arrumacao-no-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Freio de Arruma\u00e7\u00e3o no Ensino M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">(Publicado em <em>O Estado de S\u00e3o Paulo,<\/em> 14 de abril de 2023)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalmente, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o viu que a reforma do ensino m\u00e9dio n\u00e3o andava bem, e deu uma parada. Agora se discute se ela deveria ser anulada ou se d\u00e1 para consertar, mas pouco se fala sobre porque foi feita, e os problemas que tentou resolver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(J\u00e1 escrevi in\u00fameras vezes sobre os temas da reforma do ensino m\u00e9dio, dos itiner\u00e1rios, dos par\u00e2metros curriculares, da necessidade de reformar o ENEM, do ensino profissional, etc., participando de um debate que j\u00e1 deveria ter amadurecido. Volto ao assunto  agora porque ele voltou \u00e0 agenda, e na esperan\u00e7a de que, de tento repetir, algu\u00e9m preste aten\u00e7\u00e3o&#8230;..   para ver os artigos anteriores publicdos aqui, basta clicar em &#8220;ensino m\u00e9dio&#8221; no alto \u00e0 esquerda do blog).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ensino m\u00e9dio tem que atender a uma popula\u00e7\u00e3o de quase 10 milh\u00f5es de pessoas em condi\u00e7\u00f5es, interesses e projetos de vida muito diferentes, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que todos sigam o curr\u00edculo tradicional que vem dos tempos de Gustavo Capanema 80 anos atr\u00e1s. Era um curr\u00edculo destinado aos filhos das elites que se preparavam para as profiss\u00f5es universit\u00e1rias, quando a grande maioria mal completava um curso prim\u00e1rio de quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos poucos, o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria aumentou, at\u00e9 quase se universalizar na d\u00e9cada de 1990, tendo como foco a capacita\u00e7\u00e3o inicial em leitura, escrita e aritm\u00e9tica. O ensino superior tamb\u00e9m se expandiu. Falava-se em \u201cuniversidade para todos\u201d, para o qual o ensino m\u00e9dio seria a porta de entrada. O antigo gin\u00e1sio, para crian\u00e7as entre 11 e 14 anos, se incorporou ao prim\u00e1rio, ficando como o patinho feio da educa\u00e7\u00e3o brasileira, espremido entre os que se preocupam com a alfabetiza\u00e7\u00e3o, em uma ponta, e com o ensino m\u00e9dio e o acesso ao ensino superior na outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a educa\u00e7\u00e3o brasileira cresceu de forma muito desigual. Uma pequena minoria consegue completar razoavelmente bem o ensino m\u00e9dio unificado, em escolas particulares ou em poucas escolas p\u00fablicas seletivas, e entra nas carreiras universit\u00e1rias mais valorizadas. A grande maioria mal cumpre as obriga\u00e7\u00f5es m\u00ednimas dos curr\u00edculos obrigat\u00f3rios e, ou fica com um diploma de n\u00edvel m\u00e9dio sem qualifica\u00e7\u00e3o profissional, ou tenta uma carreira superior de f\u00e1cil acesso, mas com grandes chances de ficar pelo caminho e n\u00e3o se profissionalizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todos os pa\u00edses existem desigualdades na educa\u00e7\u00e3o, porque as pessoas v\u00eam de ambientes diferentes e t\u00eam interesses e capacidades distintas. As escolas podem pouco para compensar as diferen\u00e7as que os estudantes trazem, e as melhores politicas educacionais s\u00e3o aqueles que buscam compensar estas diferen\u00e7as o mais cedo poss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o exame de Pisa, adotado em quase todo o mundo para aferir a qualidade da educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 aplicado a jovens de 15 anos, quando devem estar completando a educa\u00e7\u00e3o fundamental, e j\u00e1 deveriam ter os conhecimentos fundamentais de leitura, racioc\u00ednio matem\u00e1tico e forma\u00e7\u00e3o geral nas ci\u00eancias naturais, sociais e humanidades.&nbsp; Muitas das cr\u00edticas que t\u00eam sido feitas \u00e0 reforma do ensino m\u00e9dio de 2017 \u00e9 que ela deixaria de dar a educa\u00e7\u00e3o geral que seria necess\u00e1ria para todos. Mas \u00e9 no ensino fundamental, at\u00e9 aos 15 anos, e n\u00e3o no m\u00e9dio, que esta forma\u00e7\u00e3o geral precisa ser dada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 16 ou 17 anos de idade, que \u00e9 quando a maioria dos jovens brasileiros entra no ensino m\u00e9dio, as cartas j\u00e1 est\u00e3o dadas. Pretender que todos v\u00e3o seguir o mesmo caminho e se tornar universit\u00e1rios \u00e9 condenar a grande maioria \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o. Dividir desde cedo entre os que seguir\u00e3o os cursos universit\u00e1rios e os destinados aos cursos t\u00e9cnico-profissionais, como tem sido feito na maioria dos pa\u00edses na Europa e \u00c1sia, pode ser mais eficaz, mas mant\u00e9m a sociedade divida em classes, e com os menos qualificados sujeitos \u00e0s incertezas de um mercado de trabalho em permanente sobressalto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caminho \u00e9 oferecer um leque de escolhas, reconhecendo que existem diferen\u00e7as, mas sem colocar a popula\u00e7\u00e3o em camisas de for\u00e7a. Para os que pretendem entrar desde logo em carreiras universit\u00e1rias, \u00e9 preciso permitir que se direcionem desde logo para suas \u00e1reas de prefer\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel desenhar os curr\u00edculos de muitas maneiras, mas, basicamente, s\u00e3o quatro op\u00e7\u00f5es: a forma\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas t\u00e9cnicas de matem\u00e1tica e engenharia: nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas e da sa\u00fade: nas profiss\u00f5es sociais como administra\u00e7\u00e3o ou direito: ou nas artes e humanidades, escolhendo uma como principal e outras como secundarias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os que precisam trabalhar mais cedo, n\u00e3o t\u00eam interesse ou condi\u00e7\u00f5es de seguir desde logo a trilha universit\u00e1ria, deve ser poss\u00edvel oferecer uma forma\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica e valorizada no mercado de trabalho.&nbsp; Um bom curso profissional de n\u00edvel m\u00e9dio ou p\u00f3s-secund\u00e1rio pode ser t\u00e3o ou mais interessante do que muitos diplomas universit\u00e1rios. As redes p\u00fablicas estaduais n\u00e3o sabem fazer isto, \u00e9 preciso trazer a ajuda do Sistema S e de algumas poucas escolas t\u00e9cnicas estaduais, e fortalecer o sistema de aprendizagem em parecerias com o setor produtivo.&nbsp; E \u00e9 preciso abrir mais espa\u00e7os na educa\u00e7\u00e3o superior, pela amplia\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica e aplicada tamb\u00e9m neste n\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 como amarrar tudo isto em curr\u00edculos fixos, mas \u00e9 poss\u00edvel direcionar as mudan\u00e7as atrav\u00e9s de um conjunto de exames e certifica\u00e7\u00f5es que substituam o atual Enem, nas quatro \u00e1reas principais de forma\u00e7\u00e3o e nas principais \u00e1reas de qualifica\u00e7\u00f5 profissional, como tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, profiss\u00f5es de sa\u00fade, eletr\u00f4nica, etc., deixando as redes escolares buscarem seus pr\u00f3prios caminhos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 14 de abril de 2023) Finalmente, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o viu que a reforma do ensino m\u00e9dio n\u00e3o andava bem, e deu uma parada. 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