{"id":7288,"date":"2023-09-08T05:40:39","date_gmt":"2023-09-08T08:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7288"},"modified":"2023-09-08T05:48:13","modified_gmt":"2023-09-08T08:48:13","slug":"o-novo-plano-vem-ai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-novo-plano-vem-ai\/","title":{"rendered":"O novo plano vem a\u00ed"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(publicado em <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, 8 de setembro, 2023)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2024 termina o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o aprovado pelo Congresso em 2014, que ficou praticamente todo sem se cumprir, e j\u00e1 se veem movimentos para elaborar um novo que deveria entrar em vigor em 2025, com o risco de ter o mesmo destino. O fracasso do PNE de 2014 n\u00e3o foi nenhuma surpresa. Em 2011, quando ainda estava em gesta\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/plano-nacional-de-educacao-e-lista-de-papai-noel\/\" data-type=\"post\" data-id=\"2272\">escrevi com alguns colegas um artigo em que diz\u00edamos que o plano n\u00e3o passava de uma \u201clista de Papai Noe<\/a>l\u201d, que colocava no papel objetivos inalcan\u00e7\u00e1veis e deixava de lado reformas fundamentais como a da forma\u00e7\u00e3o de professores, diferencia\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio, fortalecimento da educa\u00e7\u00e3o professional, alinhamento dos curr\u00edculos com sistemas de avalia\u00e7\u00e3o, e outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a intelig\u00eancia natural n\u00e3o nos ajudou a elaborar pol\u00edticas educacionais efetivas no passado, quem sabe que, agora, a intelig\u00eancia artificial nos ajuda? Pedi ao ChatGTP que me indicasse quais pa\u00edses tinham planos nacionais de educa\u00e7\u00e3o, e ele listou Brasil, Portugal, Mexico, Chile, Col\u00f4mbia e \u00cdndia.\u00a0 Perguntei que pa\u00edses haviam obtido os melhores resultados educacionais nos \u00faltimos anos, e ele listou Finl\u00e2ndia, Singapura, Coreia do Sul, Canad\u00e1, Jap\u00e3o. Ou seja, uma coisa parece excluir a outra.\u00a0 Acacianamente, o ChatGTP me fez lembrar que \u201co sucesso na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo apenas a um plano nacional, mas sim a uma combina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, pr\u00e1ticas e investimentos ao longo do tempo\u201d.\u00a0 Chile e Portugal s\u00e3o dois pa\u00edses que melhoraram a qualidade de sua educa\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, medida pelos resultados nas provas internacionais do PISA, mas isto n\u00e3o se explica por seus planos, e sim por reformas espec\u00edficas na forma\u00e7\u00e3o de professores, aperfei\u00e7oamento dos curr\u00edculos, sistemas adequados de acompanhamento de resultados, e outros, al\u00e9m do aumento de investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o PNE tinha metas espec\u00edficas para o ensino superior, e existiu um plano nacional de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para o per\u00edodo de 2011 a 2020, que agora est\u00e1 se tentando ressuscitar. Para a educa\u00e7\u00e3o superior, o PNE tinha tr\u00eas metas principais: aumentar o total de matr\u00edculas, aumentar propor\u00e7\u00e3o de jovens no ensino superior, e aumentar a propor\u00e7\u00e3o de matr\u00edculas no setor p\u00fablico. Das tr\u00eas, a \u00fanica que se cumpriu foi a primeira, mas ela se deu sobretudo pela expans\u00e3o do setor privado, que hoje cobre 75% da matr\u00edcula, e o aumento da propor\u00e7\u00e3o de estudantes mais velhos. Nos \u00faltimos anos, os temas que t\u00eam predominado nas discuss\u00f5es sobre o ensino superior s\u00e3o a amplia\u00e7\u00e3o do acesso, incluindo as pol\u00edticas de cotas, e as dificuldades de financiamento do ensino superior p\u00fablico. Na realidade, o acesso ao ensino superior no Brasil aumentou muito entre 2000 e 2015, antes portanto do plano, passando de pouco menos de tr\u00eas para 8 milh\u00f5es de matr\u00edculas, gra\u00e7as sobretudo ao subs\u00eddio descontrolado dos governos do PT ao setor privado, na forma de isen\u00e7\u00f5es fiscais e cr\u00e9dito estudantil garantido pelo governo federal.\u00a0 Foi a amplia\u00e7\u00e3o do setor privado, e n\u00e3o as pol\u00edticas de cotas para as universidades p\u00fablicas, que fez com que aumentasse o acesso de pessoas de condi\u00e7\u00e3o social mais prec\u00e1ria ao ensino superior. Mas isto se fez a um alto custo n\u00e3o s\u00f3 em dinheiro p\u00fablico e privado, mas em termos da frustra\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es que n\u00e3o passam no filtro do ENEM, de mais da metade dos estudantes que abandonam os cursos superiores antes de terminar, e da metade, entre os que terminam com um diploma, que s\u00f3 consegue trabalhar em atividades de n\u00edvel m\u00e9dio.\u00a0 Os problemas de financiamento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, que s\u00e3o graves, est\u00e3o associados aos custos crescentes de pessoal e \u00e0 inexist\u00eancia de um sistema adequado que vincule investimentos a resultados, e n\u00e3o, simplesmente, \u00e0 exist\u00eancia ou n\u00e3o de \u201cvontade pol\u00edtica\u201d deste ou aquele governante a favor do ensino superior, embora isso n\u00e3o possa ser desprezado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, as duas metas principais, de aumentar o n\u00famero de mestres e doutores nos cursos estrito senso, para 60 e 20 mil por ano, respectivamente, foram cumpridas, mas sem considerar o n\u00famero muito maior de pessoas que fazem cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o regulados, nem um entendimento mais aprofundado do quem s\u00e3o e o que fazem efetivamente estes p\u00f3s-graduados. A justificativa para o subs\u00eddio generalizado aos mestrados e doutorados \u00e9 que a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o seria o espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o de nossos pesquisadores, mas h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que os v\u00ednculos entre a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e pesquisa tendem ser mais a exce\u00e7\u00e3o do que a regra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, novas tecnologias como as da intelig\u00eancia artificial, as mudan\u00e7as profundas que est\u00e3o ocorrendo nas profiss\u00f5es e no mercado de trabalho, as crescentes desigualdades de resultados de aprendizagem e oportunidades de trabalho para os formados nas diferentes carreiras, tipos e modalidades de institui\u00e7\u00f5es, os custos crescentes de financiamento, a precariedade das institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, tudo isto mostra que precisamos de pol\u00edticas inovadoras e audaciosas para a educa\u00e7\u00e3o como um todo, muito al\u00e9m dos temas tradicionais de acesso, inclus\u00e3o e financiamento e de planos ambiciosos que ficam no papel.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 8 de setembro, 2023) Em 2024 termina o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o aprovado pelo Congresso em 2014, que ficou praticamente todo sem se cumprir, e j\u00e1 se veem movimentos para elaborar um novo que deveria entrar em vigor em 2025, com o risco de ter o mesmo destino. &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-novo-plano-vem-ai\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O novo plano vem a\u00ed&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-7288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7288"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7288\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7292,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7288\/revisions\/7292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}