{"id":7337,"date":"2023-11-23T16:30:27","date_gmt":"2023-11-23T19:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7337"},"modified":"2025-02-20T04:45:46","modified_gmt":"2025-02-20T07:45:46","slug":"a-china-nao-e-um-bom-exemplo-para-o-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-china-nao-e-um-bom-exemplo-para-o-ibge\/","title":{"rendered":"&#8220;A China n\u00e3o \u00e9 um bom exemplo para o IBGE&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:41,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.estadao.com.br\\\/economia\\\/china-ibge-simon-schwartzman&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20250702010927\\\/https:\\\/\\\/www.estadao.com.br\\\/economia\\\/china-ibge-simon-schwartzman\\\/&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-15 14:03:45&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-19 20:25:15&quot;,&quot;http_code&quot;:503},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-24 05:22:14&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-28 13:18:43&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-02 14:31:49&quot;,&quot;http_code&quot;:200}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-02 14:31:49&quot;,&quot;http_code&quot;:200},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;},{&quot;id&quot;:42,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/tinyurl.com\\\/56rdwyx2&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/documents.worldbank.org\\\/en\\\/publication\\\/documents-reports\\\/documentdetail\\\/815721616086786412\\\/measuring-the-statistical-performance-of-countries-an-overview-of-updates-to-the-world-bank-statistical-capacity-index&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em> publicou hoje, 23\/11\/2023, <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/economia\/china-ibge-simon-schwartzman\/\">uma entrevista minha sobre as quest\u00f5es de confiabilidade e divulga\u00e7\u00e3o dos dados do IBGE<\/a>. O texto espelha razoavelmente bem a conversa telef\u00f4nica que tive com o jornalista, com duas pequenas corre\u00e7\u00f5es. Primeiro,  n\u00e3o sou filho do jornalista Salom\u00e3o Schwartzman, que era xar\u00e1 de meu pai. Segundo, que eu saiba, a ex-presidente do IBGE Suzana Cordeiro Guerra n\u00e3o foi indicada por Jair Bolsonaro, mas pelo Ministro da Economia Paulo Guedes, que no entanto n\u00e3o lhe deu o apoio que deveria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo detalhado sobre a qualidade dos sistemas nacionais de estat\u00edstica, <a href=\"https:\/\/tinyurl.com\/56rdwyx2\">publicado pelo Banco Mundial em 2019,<\/a> mostra que os pa\u00edses mais desenvolvidos em rela\u00e7\u00e3o a isto s\u00e3o a Noruega, Italia, Pol\u00f4nia, Austria, Eslov\u00eania e Estados Unidos, todos com perto de 90 pontos em uma escala de 100. Nesta escala, o Brasil tem 76,8 pontos, a \u00cdndia 70,4 e a China 58,2, o que significa que nem China nem India s\u00e3o modelos para n\u00f3s. O que a \u00cdndia tem de not\u00e1vel foi o grande avan\u00e7o na implanta\u00e7\u00e3o do governo digital. A China seguramente n\u00e3o est\u00e1 atr\u00e1s no uso de informa\u00e7\u00f5es digitais pelo governo, mas n\u00e3o \u00e9 o melhor exemplo de transpar\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Transcrevo abaixo o texto da entrevista, tal como publicado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cA China n\u00e3o \u00e9 um bom exemplo para o IBGE<\/strong>&#8220;<strong>, diz o ex-presidente do instituto. Simon Schwartzman considera um equ\u00edvoco o atual gestor, Marcio Pochmann, buscar no pa\u00eds asi\u00e1tico ideias para aplicar no Brasil, quando a \u00cdndia seria a melhor refer\u00eancia em digitaliza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/strong>. <strong>Por Carlos Eduardo Valim<\/strong>, <strong>23\/11\/2023 | 14h30<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O soci\u00f3logo Simon Schwartzman, filho do jornalista Salom\u00e3o Schwartzman, presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) entre 1994 e 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Na \u00e9poca, j\u00e1 defendia uma moderniza\u00e7\u00e3o da estrutura da institui\u00e7\u00e3o para proteger o corpo t\u00e9cnico da interfer\u00eancia pol\u00edtica, algo que voltou a preocupar economistas e quem trabalha com dados populacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gest\u00e3o do instituto est\u00e1 sob os holofotes desde o apag\u00e3o de dados no meio do governo de Jair Bolsonaro, com o adiamento do \u00faltimo Censo, e agora com a escolha do economista Marcio Pochmann, filiado ao PT, para liderar o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00faltimo chamou aten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s, em uma palestra para funcion\u00e1rios do IBGE realizada no fim de outubro, defender \u201cmodernizar\u201d a forma de divulga\u00e7\u00e3o dos dados da institui\u00e7\u00e3o e comentou que buscou exemplos de como trabalhar com pesquisas na China. Schwartzman contesta que a possibilidade de pa\u00eds asi\u00e1tico ser uma refer\u00eancia para o Brasil, e que o exemplo precisaria ser buscado na \u00cdndia, que digitalizou a coleta de dados de forma inovadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista ao Estad\u00e3o, ele tamb\u00e9m defende que o IBGE deveria receber uma autonomia operacional e administrativa similar \u00e0 do Banco Central, al\u00e9m ter um conselho t\u00e9cnico que aferisse e cobrasse da institui\u00e7\u00e3o a ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As declara\u00e7\u00f5es e os posicionamentos pol\u00edticos de Pochmann trazem preocupa\u00e7\u00e3o sobre a credibilidade do IBGE?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu n\u00e3o vi o texto da confer\u00eancia dele, mas estou acompanhando as not\u00edcias de jornais. Claro que existe uma preocupa\u00e7\u00e3o de algum tempo de que o IBGE precisa garantir que produz dados confi\u00e1veis. Uma coisa muito importante da estat\u00edstica \u00e9 que ela precisa ser reconhecida como um dado v\u00e1lido. E isso acontece ao se adotar padr\u00f5es internacionais, como os usados pela ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), com a mesma qualidade dos principais centros de estat\u00edstica do mundo. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter gente com reputa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica adequada coordenando esse processo. Isso tudo \u00e9 necess\u00e1rio porque a sociedade n\u00e3o tem como aferir o detalhe t\u00e9cnico e se o trabalho foi feito corretamente. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso um mecanismo que traga a garantia de aplica\u00e7\u00e3o das melhores pr\u00e1ticas internacionais, o que traz confian\u00e7a para investidores e para a popula\u00e7\u00e3o, e d\u00e1 seguran\u00e7a para que se possa utilizar os dados para fazer pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Historicamente, os dados do IBGE n\u00e3o costumam ser contestados. Ele n\u00e3o tem este arcabou\u00e7o confi\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IBGE sempre buscou fazer um esfor\u00e7o neste sentido, mas n\u00e3o tem uma estrutura suficientemente s\u00f3lida para garantir isso. N\u00e3o tem conselho t\u00e9cnico e um mecanismo para garantir que as melhores pr\u00e1ticas est\u00e3o sendo aplicadas. Ent\u00e3o, ele depende muito de quem est\u00e1 na presid\u00eancia, que \u00e9 um cargo demiss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o protegida. Deveria ser um cargo mais t\u00e9cnico. O problema da credibilidade \u00e9 que, quando uma pessoa vem com uma marca ideol\u00f3gica muito forte, j\u00e1 se cria um clima de desconfian\u00e7a que causa muito impacto. A credibilidade \u00e9 muito fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Durante sua gest\u00e3o nos anos 1990, houve esfor\u00e7os para se adotar uma governan\u00e7a modernizada e a falta de apoio para isso teria sido o motivo de sua sa\u00edda?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha presid\u00eancia, eu insisti para evoluir nisso e n\u00e3o consegui. Eu tentei, mas n\u00e3o consegui na \u00e9poca implementar as modifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Continuo insistindo que \u00e9 necess\u00e1ria essa estrutura. Nenhum governo posterior levou isso para frente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sem isso, a institui\u00e7\u00e3o ficou muito exposta a press\u00f5es pol\u00edticas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Houve situa\u00e7\u00f5es em que o instituto ficou \u00e0 merc\u00ea de pessoas com posi\u00e7\u00f5es de ideologias muito marcadas, sem compromisso com a precis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Pochmann disse que se espelhava na coleta de dados digitalizada feita pela China. Esse \u00e9 um bom exemplo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pa\u00eds not\u00e1vel do terceiro mundo \u00e9 a \u00cdndia. E todos os pa\u00edses da Europa Ocidental tamb\u00e9m fazem isso. A China n\u00e3o \u00e9 um bom exemplo para o IBGE. Ela \u00e9 muito fechada. A \u00cdndia \u00e9 mais interessante na digitaliza\u00e7\u00e3o, e tem hoje uma popula\u00e7\u00e3o maior at\u00e9 do que a China. \u00c9 um desafio alt\u00edssimo coletar dados l\u00e1 na \u00cdndia, mas todo mundo tem identidade digital, todo mundo usa comunica\u00e7\u00e3o digital. Eles avan\u00e7aram muit\u00edssimo nisso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O IBGE est\u00e1 muito atr\u00e1s? O Pochmann tamb\u00e9m causou pol\u00eamica ao defender que a divulga\u00e7\u00e3o pela imprensa n\u00e3o seria mais t\u00e3o importante se \u00e9 poss\u00edvel divulgar mais as pesquisas pela internet. Isso faz sentido?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IBGE j\u00e1 avan\u00e7ou muito na informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na internet. Todos os sistemas s\u00e3o digitais, todos podem acessar. Mas a divulga\u00e7\u00e3o pela imprensa \u00e9 important\u00edssima, para traduzir os dados mais importantes para a popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o entendo qual seria a novidade que ele gostaria de trazer em rela\u00e7\u00e3o a isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De todos os presidentes entre 2003 e 2019, s\u00f3 em 10 meses entre 2016 e 2017 n\u00e3o teve algu\u00e9m que n\u00e3o era funcion\u00e1rio de carreira. Seria importante voltar a isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu n\u00e3o sei se \u00e9 fundamental. Eu como presidente vim de fora. Chegar \u00e0 dire\u00e7\u00e3o vindo do corpo t\u00e9cnico n\u00e3o \u00e9 essencial. A quest\u00e3o \u00e9 que as pessoas escolhidas sejam reconhecidas na \u00e1rea, que entendam do tema, de estat\u00edsticas. \u00c9 at\u00e9 bom vir algu\u00e9m de fora, com uma perspectiva diferente. O problema atual n\u00e3o \u00e9 esse. Precisaria haver um mandato e a autonomia do presidente do IBGE, como \u00e9 no Banco Central. Ou, ent\u00e3o, o gestor fica sob influ\u00eancia do ministro ou dependente da indica\u00e7\u00e3o do presidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando a gest\u00e3o do IBGE perdeu a confiabilidade? A primeira indicada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, a Susana Cordeiro Guerra, vinha de fora da institui\u00e7\u00e3o, mas tinha boas credenciais. Por que isso n\u00e3o teve sequ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela foi indicada pelo Bolsonaro e n\u00e3o recebeu apoio do Minist\u00e9rio da Economia quando se resolveu cortar a verba do Censo. Ela ficou entre dois fogos e n\u00e3o conseguiu permanecer. Ela tinha uma agenda importante de se passar a usar mais informa\u00e7\u00f5es administrativas, geradas por outras \u00e1reas do governo, como a \u00e1rea fiscal e a de dados econ\u00f4micos. Assim, o Brasil poderia depender menos da pesquisa de opini\u00e3o e usar mais os dados administrativos de qualidade gerados. At\u00e9 por causa da pandemia isso ficou mais agudo ainda. Ela queria adotar crit\u00e9rios para os integrar os dados administrativos aos produzidos pelo IBGE, e fez um trabalho neste sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quem produz dados administrativos relevantes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os minist\u00e9rios da Sa\u00fade, da Educa\u00e7\u00e3o, do Desenvolvimento Social e a Receita Federal, por exemplo. \u00c9 parte do trabalho de v\u00e1rias \u00e1reas produzir essas informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso, ent\u00e3o, desenvolver um processo mais organizado, para usar o que eles produzem como dados oficiais para efeito estat\u00edstico. O IBGE ainda tem um formato muito antigo, com ag\u00eancias localizadas em cidades do Pa\u00eds, uma coisa dos anos 1930 e 1940, para coletar declara\u00e7\u00f5es das pessoas. Hoje n\u00e3o faz mais muito sentido, com os equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o e software modernos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal O Estado de S\u00e3o Paulo publicou hoje, 23\/11\/2023, uma entrevista minha sobre as quest\u00f5es de confiabilidade e divulga\u00e7\u00e3o dos dados do IBGE. O texto espelha razoavelmente bem a conversa telef\u00f4nica que tive com o jornalista, com duas pequenas corre\u00e7\u00f5es. 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