{"id":741,"date":"2008-09-01T12:47:39","date_gmt":"2008-09-01T15:47:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=741"},"modified":"2008-09-28T23:07:09","modified_gmt":"2008-09-29T02:07:09","slug":"joao-batista-araujo-e-oliveira-educacao-da-crise-a-euforia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/joao-batista-araujo-e-oliveira-educacao-da-crise-a-euforia\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Batista Ara\u00fajo e Oliveira: Educa\u00e7\u00e3o, da Crise \u00e0 Euforia| Jo\u00e3o Batista Aruaujo e Oliveira: Education, from crisis to euphoria"},"content":{"rendered":"<p>A<em> <span style=\"text-decoration: underline;\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/span> publica hoje, 1 de setembro de 2008, o artigo abaixo de Jo\u00e3o Batista Araujo e Oliveira:<\/em><\/p>\n<p>ESTRANHO pa\u00eds, o nosso. Em 2006, pela primeira vez na hist\u00f3ria, um ministro da \u00e1rea reconheceu publicamente que a qualidade da educa\u00e7\u00e3o brasileira era deplor\u00e1vel, ao apresentar os resultados da Prova Brasil. Nos \u00faltimos dias, no entanto, deu-se o inverso. E a propaganda oficial contribuiu para isso. Confundem as sombras com a realidade. Estamos na caverna de Plat\u00e3o.<\/p>\n<p>Em edi\u00e7\u00f5es recentes das revistas semanais, o governo apresentou uma curva de fazer inveja a Huff e Geis, autores do j\u00e1 quarent\u00e3o &#8220;How to Lie with Statistics&#8221; (como mentir usando estat\u00edstica). Vejamos os dados, depois, as implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Ideb, indicador oficial do desempenho da educa\u00e7\u00e3o brasileira, mistura taxas de aprova\u00e7\u00e3o com notas dos alunos, aferidas pela Prova Brasil.<\/p>\n<p>Embora seja relevante melhorar as taxas de aprova\u00e7\u00e3o, o indicador de qualidade deveria se refletir, isso sim, nas notas. Somente esse \u00edndice serve para comparar nossos resultados com os do Pisa.<br \/>\nQualquer pessoa medianamente versada na mat\u00e9ria sabe distinguir flutua\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas de tend\u00eancias.<\/p>\n<p>No caso da Prova Brasil, com um desvio padr\u00e3o que pode variar de 40 a 50 pontos, flutua\u00e7\u00f5es inferiores a seis pontos para mais ou para menos, como vem ocorrendo ao longo dos \u00faltimos 15 anos, representam pouco mais do que meros ru\u00eddos. Seriam relevantes se fossem consistentes.<\/p>\n<p>Ao longo da s\u00e9rie hist\u00f3rica de sete aplica\u00e7\u00f5es da prova, sempre tivemos flutua\u00e7\u00f5es nas provas de portugu\u00eas e matem\u00e1tica das tr\u00eas s\u00e9ries avaliadas.<\/p>\n<p>Em 1997, houve quatro flutua\u00e7\u00f5es negativas; em 1999, foram seis; cinco, em 2001; uma, em 2003; e quatro, em 2005. Em 2007, todas as flutua\u00e7\u00f5es foram positivas. Do total de 20 mudan\u00e7as negativas, 13 foram inferiores a seis pontos.<\/p>\n<p>A \u00fanica altera\u00e7\u00e3o relevante, em 2007, deu-se nos resultados de matem\u00e1tica na quarta s\u00e9rie (11 pontos), o que, certamente, n\u00e3o pode ser justificado por uma pol\u00edtica espec\u00edfica para a \u00e1rea. Explica\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis seriam a maior homogeneidade na idade dos alunos (pela elimina\u00e7\u00e3o dos de maior idade, no geral com pior desempenho) e o fato de os resultados de matem\u00e1tica serem bastante inferiores ao de l\u00edngua portuguesa, o que facilita a conquista de melhor patamar.<\/p>\n<p>J\u00e1 no indicador geral do Ideb, houve mudan\u00e7a de quatro d\u00e9cimos nos resultados da quarta s\u00e9rie, um d\u00e9cimo nos resultados da oitava s\u00e9rie e nenhuma mudan\u00e7a nos resultados do ensino m\u00e9dio. Exceto no ano de 1999, em que houve queda mais acentuada, os dados n\u00e3o sugerem nenhuma tend\u00eancia -apenas flutua\u00e7\u00f5es em torno de patamares med\u00edocres.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico usado na propaganda oficial comete duas viola\u00e7\u00f5es graves. Primeiro, apresenta como descendente praticamente tudo o que vem antes de 2003. Os dados n\u00e3o suportam essa representa\u00e7\u00e3o. Segundo, aponta como ascendente tudo o que vem a partir de 2005 -e apresenta como se fosse uma tend\u00eancia.<\/p>\n<p>A maior manipula\u00e7\u00e3o, no entanto, se d\u00e1 na inclina\u00e7\u00e3o das curvas e no tamanho dos degraus da caminhada rumo ao mundo desenvolvido.<\/p>\n<p>Esse apelo da propaganda oficial pode prestar um enorme desservi\u00e7o ao corajoso trabalho de convencimento que o ministro da Educa\u00e7\u00e3o vem fazendo sobre a gravidade do problema educacional.<\/p>\n<p>Entende-se que prefeitos e autoridades estaduais tenham comemorado p\u00edfias melhorias do Ideb, de resto apoiadas essencialmente em altera\u00e7\u00f5es nas regras de promo\u00e7\u00e3o. Do total de 84 Idebs -s\u00e3o 26 Estados com tr\u00eas Idebs cada-, apenas 14 apresentaram mais de 5% de melhora. Desses, 12 est\u00e3o em Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde \u00e9 muito mais f\u00e1cil melhorar pelo simples fato de que os dados de base s\u00e3o muito baixos.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia internacional \u00e9 cheia de ensinamentos a respeito dos ingredientes de como se deve fazer uma reforma da educa\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de sucesso. A forma\u00e7\u00e3o de um consenso sobre os problemas \u00e9 um primeiro passo essencial. Antes de consolidar essa convic\u00e7\u00e3o, j\u00e1 come\u00e7amos a nos iludir.<\/p>\n<p>Quando Huff e Geis publicaram seu livro, h\u00e1 mais de 40 anos, o objetivo era alertar o leitor para os perigos das manipula\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas. Em 2006, o Brasil deu um passo avante para iniciar uma reforma da educa\u00e7\u00e3o. Agora, deu dois passos para tr\u00e1s. Mascarar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o dificilmente contribuir\u00e1 para avan\u00e7ar na forma\u00e7\u00e3o de consenso na \u00e1rea. Sugerir que j\u00e1 estamos a caminho do sucesso \u00e9 puro ilusionismo.<\/p>\n<p>JO\u00c3O BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA , 61, psic\u00f3logo, doutor em educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 presidente do Instituto Alfa e Beto. Foi secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Folha de S\u00e3o Paulo publica hoje, 1 de setembro de 2008, o artigo abaixo de Jo\u00e3o Batista Araujo e Oliveira: ESTRANHO pa\u00eds, o nosso. Em 2006, pela primeira vez na hist\u00f3ria, um ministro da \u00e1rea reconheceu publicamente que a qualidade da educa\u00e7\u00e3o brasileira era deplor\u00e1vel, ao apresentar os resultados da Prova Brasil. 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