{"id":7435,"date":"2024-02-11T20:05:02","date_gmt":"2024-02-11T23:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7435"},"modified":"2024-02-11T20:05:07","modified_gmt":"2024-02-11T23:05:07","slug":"ainda-sobre-o-programa-pe-de-meia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ainda-sobre-o-programa-pe-de-meia\/","title":{"rendered":"Ainda sobre o programa \u201cP\u00e9 de Meia\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/pe-de-meia\/\" data-type=\"post\" data-id=\"7425\">Meu texto sobre o programa \u201cP\u00e9 de Meia\u201d do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/a>, pelo qual os estudantes de baixa renda no Ensino m\u00e9dio receber\u00e3o um est\u00edmulo financeiro para continuarem estudando, provocou diversas discuss\u00f5es e questionamentos, que n\u00e3o pretendo rebater aqui. \u00c9 importante que o tema seja debatido, n\u00e3o tenho mais o que dizer al\u00e9m do que escrevi, e n\u00e3o sou dono da verdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, gostaria de esclarecer alguns pontos e trazer alguns dados que n\u00e3o caberiam em um artigo de jornal.\u00a0 Eu citei, no texto, os trabalhos sobre fluxo escolar feitos por Fletcher, Costa Ribeiro e Ruben Klein da d\u00e9cada de 80 (Fletcher 1984; Klein and Ribeiro 1991) que mostraram que, ao contr\u00e1rio do que se pensava \u00a0at\u00e9 ent\u00e3o, o problema da educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o era de abandono, mas de repet\u00eancia, e algumas pessoas comentaram que estes dados dos anos 80 poderiam n\u00e3o ser mais v\u00e1lidos hoje. O que eles mostraram, olhando as estat\u00edsticas de idade e s\u00e9rie, \u00e9 que poucas crian\u00e7as abandonavam a escola no ensino fundamental, mas muitas repetiam o ano, e com isto o n\u00famero de matriculados na 2\u00aa s\u00e9rie, por exemplo, era bem menor do que na primeira, dando a impress\u00e3o falsa de que muitos haviam abandonado. A diferen\u00e7a entre aquela \u00e9poca e hoje \u00e9 que, gra\u00e7as em parte a estes estudos e a cr\u00edtica \u00e0 \u201cpedagogia da repet\u00eancia\u201d, n\u00e3o se reprova mais as crian\u00e7as da mesma forma que antigamente, e o fluxo escolar \u00e9 mais regular. Hoje sabemos que reprovar a crian\u00e7a n\u00e3o faz com que ela aprenda mais, e pode contribuir para que ela se aliene da escola e acabe abandonando quando mais velha. Mas \u00e9 claro que simplesmente passar de ano n\u00e3o resolve o problema da aprendizagem. Os dados da tabela abaixo, da PNAD cont\u00ednua de 2021 (que tem informa\u00e7\u00f5es sobre renda familiar) mostram que as crian\u00e7as de fam\u00edlias mais pobres podem tardar um pouco mais para entrar na escola, mas, a partir dos 9 anos, praticamente todos est\u00e3o estudando.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"459\" height=\"112\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7436\" style=\"width:627px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-1.png 459w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-1-420x102.png 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 459px) 85vw, 459px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O quadro seguinte d\u00e1 a propor\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o estudam por n\u00edvel de renda e idade, entre 15 e 23 anos. Este quadro, me parece, mostra algumas coisas importantes. A primeira \u00e9 que o abandono escolar ainda \u00e9 reduzido at\u00e9 os 16 anos, e aumenta rapidamente a partir dos 17. A segunda \u00e9 que a renda familiar s\u00f3 come\u00e7a a fazer diferen\u00e7a aos 17 anos, e se acentua sobretudo a partir dos 19. Para as faixas de renda mais altas, a percentagem de jovens fora da escola diminui a partir dos 18 anos. \u00c9 como se muitos fizessem uma pausa ao final do ensino m\u00e9dio, mas depois retomassem o estudo em n\u00edvel superior, o que n\u00e3o ocorre com os mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"468\" height=\"111\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7437\" style=\"width:632px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-2.png 468w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-2-420x100.png 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 85vw, 468px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O quadro abaixo d\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o de estudo dos jovens aos 17 anos. O que se observa \u00e9 que a propor\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o estuda n\u00e3o varia muito por faixa de renda, mas sim a dos que est\u00e3o atrasados, que atinge n\u00e3o s\u00f3 os mais pobres, mas todas as faixas de renda at\u00e9 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos per capita.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"372\" height=\"164\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7438\" style=\"width:630px;height:auto\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o \u00e9 quanto que o abandono pode ser revertido com um subs\u00eddio. Houve quem observasse que o subs\u00eddio, que &nbsp;pode chegar a quase 10 mil reais em tr\u00eas anos, \u00e9 substancial, e pode fazer uma grande diferen\u00e7a para pessoas de renda mais baixa. Outros observaram que, mesmo que o curso seja ruim, o jovem esteja atrasado em seus estudos, e n\u00e3o consiga acompanhar as aulas, \u00e9 sempre bom que ele v\u00e1 \u00e0 escola, pelo que pode ganhar pela conviv\u00eancia e por se manter ocupado. &nbsp;Tudo isto \u00e9 certo. &nbsp;O outro argumento a favor do subs\u00eddio \u00e9 que ele poderia garantir a frequ\u00eancia, e com isto reduzir o risco de abandono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, por outro lado, existe a press\u00e3o da idade que come\u00e7a a atuar fortemente aos 17 anos e expulsa os jovens que est\u00e3o defasados ou desestimulados, e n\u00e3o \u00e9 certo que um est\u00edmulo financeiro de 200 reais mensais, e a promessa de 3 mil reais alguns &nbsp;anos depois, possa realmente fazer muita diferen\u00e7a. E existe o risco de que o subs\u00eddio acabe sendo capturado justamente pelos jovens que estejam bem ajustados aos estudos e precisem menos dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No texto eu sugeri que estes recursos poderiam ser mais bem utilizados para reduzir o n\u00famero de matr\u00edculas de ensino m\u00e9dio nos cursos noturnos. N\u00e3o consegui este dado, que o INEP deixou de divulgar, mas penso que em muitos lugares s\u00f3 existem cursos m\u00e9dios noturnos, utilizando as instala\u00e7\u00f5es usadas durante o dia pela educa\u00e7\u00e3o fundamental. &nbsp;Transform\u00e1-los em cursos diurnos requer investimentos significativos em edif\u00edcios, instala\u00e7\u00f5es, professores, e subs\u00eddios para estudantes mais velhos que precisem trabalhar, e para os quais uma bolsa de 200 reais ao m\u00eas n\u00e3o resolve a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fletcher, Philip Ralph. 1984. <em>Primary school repetition : a neglected problem in Brazilian education : a preliminary analysis and suggestion for further evaluation<\/em>. Stanford, CA: Stanford University.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Klein, Ruben, and S\u00e9rgio Costa Ribeiro. 1991. &#8220;O censo educacional e o modelo de fluxo: o problema da repet\u00eancia.&#8221; <em>Revista Brasileira de Estat\u00edstica<\/em> 52(197):5-45.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu texto sobre o programa \u201cP\u00e9 de Meia\u201d do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, pelo qual os estudantes de baixa renda no Ensino m\u00e9dio receber\u00e3o um est\u00edmulo financeiro para continuarem estudando, provocou diversas discuss\u00f5es e questionamentos, que n\u00e3o pretendo rebater aqui. \u00c9 importante que o tema seja debatido, n\u00e3o tenho mais o que dizer al\u00e9m do que &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ainda-sobre-o-programa-pe-de-meia\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Ainda sobre o programa \u201cP\u00e9 de Meia\u201d&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-7435","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7435"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7441,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7435\/revisions\/7441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}