{"id":7690,"date":"2025-10-10T06:40:33","date_gmt":"2025-10-10T09:40:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7690"},"modified":"2025-10-10T06:41:13","modified_gmt":"2025-10-10T09:41:13","slug":"educacao-tecnica-e-profissional-agora-vai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/educacao-tecnica-e-profissional-agora-vai\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica e Profissional: agora vai?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Publicado em <em>O Estado de S\u00e3o Paulo,<\/em> 10 de outubro de 2025)<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"237\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7691\" style=\"width:576px;height:auto\"\/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 esquerda e direita, todos parecem se preocupar com o tema da educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional. Em 1971 o governo militar concluiu que as escolas brasileiras s\u00f3 formavam bachar\u00e9is, e decidiu que todos os estudantes de n\u00edvel m\u00e9dio teriam que ter uma qualifica\u00e7\u00e3o profissional.&nbsp; Depois tivemos o Plano Nacional de Qualifica\u00e7\u00e3o do Trabalhador &#8211; PLANFOR (Governo Fernando Henrique,1995), Plano Nacional de Qualifica\u00e7\u00e3o &#8211; PNQ (Lula, 2003) e Programa Nacional de Acesso ao Ensino T\u00e9cnico e Emprego &#8211; PRONATEC (Dilma , 2011). Nada funcionou direito. Em 2017 tivemos a reforma do ensino m\u00e9dio, com um novo itiner\u00e1rio t\u00e9cnico de n\u00edvel m\u00e9dio (Governo Temer), reformulada em 2024 antes de entrar em vigor, e agora temos o Programa de Expans\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Nacional de Qualidade &#8211; PROPAG, que permite que os Estados destinem parte dos recursos de suas d\u00edvidas com a Uni\u00e3o para&nbsp; ensino t\u00e9cnico, com valores que podem chegar a 12 bilh\u00f5es de reais. Ser\u00e1 que agora vai?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 f\u00e1cil se perder em meio a tantas regras e programas que se sucedem, com cada Estado e redes escolares tomando iniciativas apontando para diferentes lados. Um pouco de luz pode surgir se olharmos &nbsp;os dados, mas \u00e9 preciso primeiro esclarecer do que estamos falando. N\u00e3o se trata de forma\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de ci\u00eancias exatas, naturais e engenharias (STEM) em contraste com a forma\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias sociais e humanidades. Isto \u00e9 importante, mas \u00e9 outro assunto. No Brasil, \u201ceduca\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d \u00e9 o nome que se d\u00e1 aos cursos que levam a um diploma profissional de n\u00edvel m\u00e9dio. Ter um diploma deste n\u00e3o impede que a pessoa continue estudando em n\u00edvel universit\u00e1rio, mas, tipicamente, ele \u00e9 destinado a pessoas que precisam entrar logo no mercado de trabalho. Quantas pessoas procuram este diploma, e quanto valem?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelos dados da PNAD cont\u00ednua, em 2024, 26% da popula\u00e7\u00e3o jovem de 18 a 29 anos de idade tinha educa\u00e7\u00e3o superior&nbsp; e 46.8% educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, cerca de 18.2 milh\u00f5es. Destes, 1.4 milh\u00f5es tinham conclu\u00eddo um curso t\u00e9cnico.&nbsp; Outros 1.1 milh\u00e3o tinham completado &nbsp;um curso t\u00e9cnico e entrado no n\u00edvel superior. A renda m\u00e9dia mensal de quem tinha educa\u00e7\u00e3o superior era de 3.880 reais; a de quem s\u00f3 tinha n\u00edvel m\u00e9dio, 1.810 reais; e de quem s\u00f3 tinha &nbsp;conclu\u00eddo um curso t\u00e9cnico, 2.105 reais. &nbsp;Ent\u00e3o, ter um diploma universit\u00e1rio aumentava a renda de quem s\u00f3 tinha n\u00edvel m\u00e9dio em 114%; e ter um diploma t\u00e9cnico, em 11%. Um ganho ainda significativo, mas ilus\u00f3rio, porque h\u00e1 muito mais pessoas com diplomas t\u00e9cnicos do Sudeste, onde os rendimentos m\u00e9dios s\u00e3o mais altos. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, a renda m\u00e9dia de quem tem n\u00edvel m\u00e9dio era de 2.200 reais, sem diferen\u00e7a entre os que tinham ou n\u00e3o tinham diplomas t\u00e9cnicos. Outro dado significativo \u00e9 que ter ou n\u00e3o ter diploma t\u00e9cnico n\u00e3o faz diferen\u00e7a em termos de conseguir emprego e trabalho formal ou informal, nestes tempos de pleno emprego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas m\u00e9dias podem esconder diferen\u00e7as importantes, e o curso t\u00e9cnico pode ser vantajoso por diferentes raz\u00f5es, se por, por exemplo, for mais acess\u00edvel do que um curso m\u00e9dio regular, ou a pessoa precisar come\u00e7ar a trabalhar mais cedo, ou se preparar melhor para entrar em uma universidade. Um dos objetivos da lei de reforma do ensino m\u00e9dio de 2017 foi reduzir a carga de mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias, abrindo mais espa\u00e7o para diferentes itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o, entre os quais t\u00e9cnicos, mas isto foi revertido pela reforma da reforma de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de todas a incertezas, as matr\u00edculas em cursos t\u00e9cnicos &nbsp;&nbsp;aumentaram significativamente no Brasil desde ent\u00e3o, passando de 1.7 para 2.3 milh\u00f5es entre 2017 e 2024. Destes, um ter\u00e7o est\u00e3o em escolas estaduais, e outro ter\u00e7o em escolas privadas. O terceiro ter\u00e7o \u00e9 dividido em propor\u00e7\u00f5es parecidas entre os Institutos Federais, o Sistema S (SENAI, SESI) e o Centro Paula Souza, do Estado de S\u00e3o Paulo. Olhando para as \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o, se nota que 60% dos alunos est\u00e3o em cursos de Gest\u00e3o e Neg\u00f3cios,&nbsp; Ambiente e Sa\u00fade, e Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o, e mais 11% na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o industrial, que tem mais import\u00e2ncia para o sistema S e institutos federais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para o crescimento recente do ensino t\u00e9cnico \u00e9 a expans\u00e3o do tempo integral, que hoje cobre cerca de 20% das matr\u00edculas de n\u00edvel m\u00e9dio nas redes estaduais. A maior parte do dia \u00e9 dedicada \u00e0s mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias, mas agora sobra espa\u00e7o para itiner\u00e1rios t\u00e9cnicos e cursos n\u00e3o tradicionais de diferentes tipos, sobretudo em \u00e1reas que n\u00e3o requerem equipamentos especializados nem experi\u00eancia efetiva de trabalho &nbsp;supervisionado no setor produtivo, mais t\u00edpicos de institui\u00e7\u00f5es especializadas como as do sistema S. Com os recursos que devem chegar pelo PROPAG, a oferta de cursos t\u00e9cnicos de todo tipo deve aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A d\u00favida \u00e9 se isto trar\u00e1 os efeitos que se espera, tornando o ensino t\u00e9cnico mais difundido, acess\u00edvel, de mais qualidade e mais relevante para quem o procura. Olhando no mundo em volta, o que observamos \u00e9 uma prioridade crescente dada aos sistemas de aprendizagem em parceria com o setor produtivo, em detrimento da forma\u00e7\u00e3o &nbsp;t\u00e9cnica escolarizada; a \u00eanfase em compet\u00eancias b\u00e1sicas digitais e tecnol\u00f3gicas ao lado de compet\u00eancias socioemocionais; maior integra\u00e7\u00e3o entre a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dia e superior; itiner\u00e1rios flex\u00edveis e individualizados; e sistemas especializados de certifica\u00e7\u00e3o. Sem estas coisas, as matr\u00edculas podem inchar, sem produzir, no entanto, os resultados que se espera.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 10 de outubro de 2025) \u00c0 esquerda e direita, todos parecem se preocupar com o tema da educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional. 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