{"id":7720,"date":"2026-02-14T09:26:54","date_gmt":"2026-02-14T12:26:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7720"},"modified":"2026-02-14T09:27:27","modified_gmt":"2026-02-14T12:27:27","slug":"o-enamed-e-o-mais-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-enamed-e-o-mais-medicos\/","title":{"rendered":"O Enamed e o  Mais M\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Renato Janine Ribeiro, ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia e Ministro da Educa\u00e7\u00e3o\u00a0 no governo de Dilma Roussef, me envia o seguinte coment\u00e1rio sobre <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-medicina-pela-porta-dos-fundos\/\">meu artigo a respeito do Enamed:<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Vi agora seu post e respondo: voc\u00ea pode ter raz\u00e3o quanto ao Enamed \u2014 n\u00e3o sei como funciona em rela\u00e7\u00e3o ao Enade, que j\u00e1 existia e poderia ter dados pr\u00f3ximos, sen\u00e3o os mesmos, que o novo exame apurou. Contudo, independentemente de eventuais equ\u00edvocos dele, o que me preocupou no seu artigo \u00e9 voc\u00ea identificar o Mais M\u00e9dicos com uma pol\u00edtica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, no sentido de contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos estrangeiros para atender nas periferias. Voc\u00ea sabe, certamente, que o Mais M\u00e9dicos \u00e9 um programa conjunto dos dois minist\u00e9rios, MEC e Sa\u00fade, e que, embora a m\u00eddia sempre pense na sa\u00fade, a parte estruturante, a parte duradoura do Mais M\u00e9dicos \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o de cursos de medicina segundo um novo modelo, fortemente inspirado na experi\u00eancia brit\u00e2nica \u2014 que todos sabemos ser muito bem-sucedida na \u00e1rea de sa\u00fade \u2014 e que levou tamb\u00e9m a uma expans\u00e3o significativa de vagas no interior do pa\u00eds. Essa parte \u00e9 do MEC. Tanto que, justamente no breve per\u00edodo em que fui ministro, pela primeira vez o n\u00famero de vagas de medicina nas n\u00e3o capitais superou o n\u00famero de vagas nas capitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, independentemente dos resultados do Mais M\u00e9dicos \u2014 que n\u00e3o acompanhei mais depois que deixei o Minist\u00e9rio \u2014, \u00e9 importante lembrar que essa parte que voc\u00ea apresentou como sendo o Mais M\u00e9dicos (da Saude) \u00e9 apenas o que eu chamo de &#8220;0800&#8221;, a urg\u00eancia, a emerg\u00eancia, a tentativa \u2014 de modo geral bem-sucedida \u2014 de atender as popula\u00e7\u00f5es mais carentes, e com muito \u00eaxito, como ali\u00e1s atesta um excelente artigo da revista Piau\u00ed de fevereiro de 2014, que eu te recomendo, e que mostra o \u00eaxito do Mais M\u00e9dicos, bem como a estupidez do Conselho Federal de Medicina, que, diante da experi\u00eancia com m\u00e9dicos n\u00e3o apenas cubanos mas em grande medida cubanos, alegou que o ideal para os estrangeiros era fazer o Revalida e depois trabalharem no S\u00edrio ou no Einstein \u2014 que justamente n\u00e3o t\u00eam car\u00eancia de m\u00e9dicos, que eu saiba, quando o problema nosso est\u00e1 nas periferias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Janine tem raz\u00e3o ao dizer que s\u00f3 me referi \u00e0 parte do programa Mais M\u00e9dicos voltada para o atendimento \u00e0 \u00a0rede do SUS, feita no in\u00edcio com m\u00e9dicos cubanos, e, mais recentemente, sobretudo com brasileiros formados no exterior. \u00a0A parte de forma\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, mereceria um exame mais aprofundado, mas tudo indica que a ideia de desenvolver um modelo alternativo de forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, focada na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, infelizmente n\u00e3o parece ter prosperado. De fato, a partir de 2013, a propor\u00e7\u00e3o de alunos e cursos fora das capitais aumentou, mas este aumento se deu sobretudo pela expans\u00e3o do setor privado, e tentando emular o modelo \u00fanico das universidades mais tradicionais.\u00a0 Uma evid\u00eancia indireta disto \u00e9 que, olhando os resltados do Enamed, n\u00e3o se observa nenhuma tend\u00eancia clara de especializa\u00e7\u00e3o de cursos de determinado setor (federal, estadual, privado com e sem fins lucrativos, etc) em alguma das cinco \u00e1reas avaliadas (cl\u00ednica, pediatria, cirurgia, ginecologia, medicina familiar e comunit\u00e1ria).\u00a0 Existem v\u00e1rias iniciativas de estimular a especializa\u00e7\u00e3o em medicina familiar e comunit\u00e1ria atrav\u00e9s de resid\u00eancias e outros mecanismos, mas para m\u00e9dcos j\u00e1 formados, e nem sempre muito procuradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dificuldade no Brasil \u00e9 que temos um sistema de saude h\u00edbrido, com um setor p\u00fablico supostamente universal, mas limitado, e um setor privado altamente competitivo, e rela\u00e7\u00f5es pouco claras entre eles. Como tratei de dizer em meu artigo, para estimular a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos com diferentes tipos de forma\u00e7\u00e3o nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o seria \u00a0necesss\u00e1rio criar certifica\u00e7\u00f5es diferentes e eventualmente mais curtas, saindo do modelo \u00fanico atual. Isto permitiria, por exemplo, ter cursos dedicados a formar m\u00e9dicos de fam\u00edlia, que pudessem mais tarde se especializar e obter uma certifica\u00e7\u00e3o em ginecologia, etc., sem precisar ir buscar um diploma no Paraguai e passar pelo Revalida. Sem esta possibilidade, a parte de forma\u00e7\u00e3o diferenciada do programa Mais M\u00e9dicos dificilmente poteria ter tido outro resltado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre o Enamed e o Enad, h\u00e1 duas diferen\u00e7as principais. A primeira \u00e9 que o Enamed estabelece um patamar m\u00ednimo de desempenho que o estudante deve atingir para ser considerado apto, enquanto o Enade simplesmente ordena os resultados em uma escala cont\u00ednua de desempenho, sem definir um ponto de corte expl\u00edcito de sufici\u00eancia. A segunda diferen\u00e7a refere-se ao uso dos resultados na avalia\u00e7\u00e3o dos cursos. No Conceito Preliminar de Curso (CPC) atribu\u00eddo pelo MEC, o Enade tem peso de apenas 20%, sendo combinado com outras vari\u00e1veis, como o desempenho de entrada dos estudantes (medido pelo Enem), a titula\u00e7\u00e3o do corpo docente e a avalia\u00e7\u00e3o discente do curso. J\u00e1 o Enamed foi utilizado, na classifica\u00e7\u00e3o de 2025, como indicador \u00fanico. Assim, o Enad tradicional funciona como um dos v\u00e1rios componentes da avalia\u00e7\u00e3o dos cursos, enquanto o Enamed se aproxima mais de uma l\u00f3gica de exame de certifica\u00e7\u00e3o profissional, mas aplicado a alunos ainda em forma\u00e7\u00e3o, e utilizado diretamente para a classifica\u00e7\u00e3o dos cursos. Ele refor\u00e7a, asssim, o modelo \u00fanico e altamente seletivo do ensino m\u00e9dico tradicional no pa\u00eds.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Janine Ribeiro, ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia e Ministro da Educa\u00e7\u00e3o\u00a0 no governo de Dilma Roussef, me envia o seguinte coment\u00e1rio sobre meu artigo a respeito do Enamed: &#8220;Vi agora seu post e respondo: voc\u00ea pode ter raz\u00e3o quanto ao Enamed \u2014 n\u00e3o sei como funciona em rela\u00e7\u00e3o ao Enade, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-enamed-e-o-mais-medicos\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O Enamed e o  Mais M\u00e9dicos&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-7720","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7720","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7720"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7720\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7721,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7720\/revisions\/7721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7720"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7720"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7720"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}