{"id":7753,"date":"2026-04-10T16:29:08","date_gmt":"2026-04-10T19:29:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7753"},"modified":"2026-04-10T16:33:39","modified_gmt":"2026-04-10T19:33:39","slug":"jose-joaquin-brunner-a-violencia-nas-escolas-e-a-autoridade-dos-docentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/jose-joaquin-brunner-a-violencia-nas-escolas-e-a-autoridade-dos-docentes\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Joaqu\u00edn Brunner:  a viol\u00eancia nas escolas e a autoridade dos docentes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Publicado originalmente em espanhol em<em> El Mercurio <\/em>(Chile),  10 de abril de 2026)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O que diz Brunner sobre o que ocorre no Chile se aplica perfeitamente ao Brasil:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do aumento da viol\u00eancia nas escolas, o Governo sugere a instala\u00e7\u00e3o de detectores de metais, a revista de mochilas e o estabelecimento de novas agravantes penais. Embora essas medidas sejam compreens\u00edveis em um contexto de alarme geral, elas mostram, mais uma vez, que existe um diagn\u00f3stico que confunde a desordem vis\u00edvel com o v\u00e1cuo invis\u00edvel que a origina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse v\u00e1cuo denomina-se perda da autoridade leg\u00edtima do docente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hannah Arendt alertou sobre isso com clareza em seu ensaio sobre a crise da educa\u00e7\u00e3o, escrito em 1954 e que permanece atual. Para Arendt, a autoridade n\u00e3o \u00e9 simplesmente poder ou coa\u00e7\u00e3o, mas algo mais sutil e exigente: a responsabilidade do adulto de guiar o rec\u00e9m-chegado em um mundo que preexiste a ambos. O mestre n\u00e3o exerce autoridade pela for\u00e7a, mas sim atrav\u00e9s da responsabilidade assumida perante a sociedade e as novas gera\u00e7\u00f5es. Quando essa autoridade desaparece, n\u00e3o h\u00e1 liberdade, apenas desorienta\u00e7\u00e3o. Uma escola sem hierarquias n\u00e3o liberta, mas abandona seus estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fil\u00f3sofo contempor\u00e2neo Gert Biesta analisou esse argumento sob uma perspectiva distinta. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ele sustenta que ocorreu uma silenciosa, por\u00e9m destrutiva, transforma\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, que podemos chamar de uma &#8220;aprendizifica\u00e7\u00e3o&#8221;: o docente passa a ser um facilitador, o estudante se torna um cliente aut\u00f4nomo e o ato de ensinar \u2014 esse ato de transmitir algo do mundo a algu\u00e9m que ainda n\u00e3o o conhece \u2014 desaparece do cen\u00e1rio. Uma escola sem professores que ensinem n\u00e3o \u00e9 mais livre; \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que renunciou \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses diagn\u00f3sticos apontam problemas que as leis de conviv\u00eancia e os mecanismos de seguran\u00e7a n\u00e3o podem resolver. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o sistema escolar chileno promoveu uma vis\u00e3o igualitarista que desconfia das hierarquias, elimina as diferen\u00e7as de pap\u00e9is e considera autorit\u00e1ria a autoridade docente. Isso levou \u00e0 progressiva deslegitima\u00e7\u00e3o do professor: uma figura sem peso simb\u00f3lico, sem respaldo institucional e sem a capacidade de estabelecer limites que os alunos percebam como pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem autoridade leg\u00edtima, n\u00e3o se alcan\u00e7a uma disciplina internalizada; sem ela, n\u00e3o existe uma comunidade escolar e, sem essa comunidade, a viol\u00eancia ocupa o espa\u00e7o. Os detectores detectam o metal; n\u00e3o o v\u00e1cuo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a escola requer \u00e9 devolver ao docente seu papel central e insubstitu\u00edvel. N\u00e3o como um educador autorit\u00e1rio que se imp\u00f5e pelo medo, mas como um mestre que ensina pelo conhecimento, orienta pela responsabilidade e estabelece limites porque se preocupa com o futuro de seus alunos. Essa autoridade n\u00e3o \u00e9 outorgada por lei nem alcan\u00e7ada com c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia. Constr\u00f3i-se por meio da forma\u00e7\u00e3o, do reconhecimento social, de condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas e de uma cultura escolar que volte a situar o ensino \u2014 e a aprendizagem que dele nasce \u2014 no cerne de tudo.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado originalmente em espanhol em El Mercurio (Chile), 10 de abril de 2026) O que diz Brunner sobre o que ocorre no Chile se aplica perfeitamente ao Brasil: Diante do aumento da viol\u00eancia nas escolas, o Governo sugere a instala\u00e7\u00e3o de detectores de metais, a revista de mochilas e o estabelecimento de novas agravantes penais. &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/jose-joaquin-brunner-a-violencia-nas-escolas-e-a-autoridade-dos-docentes\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Jos\u00e9 Joaqu\u00edn Brunner:  a viol\u00eancia nas escolas e a autoridade dos docentes&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":125,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-7753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/125"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7753"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7753\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7757,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7753\/revisions\/7757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}