{"id":7774,"date":"2026-06-12T06:29:12","date_gmt":"2026-06-12T09:29:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7774"},"modified":"2026-06-12T06:29:20","modified_gmt":"2026-06-12T09:29:20","slug":"aula-de-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/aula-de-democracia\/","title":{"rendered":"Aula de Democracia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(publicado em <em>O Estado de S\u00e3o Paulo, <\/em>12 de junho de 2026)<\/p>\n<span hidden class=\"__iawmlf-post-loop-links\" data-iawmlf-links=\"[{&quot;id&quot;:1348,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/fundacaofhc.org.br\\\/publicacao\\\/coracoes-e-mentes-volume-5-viver-em-democracia&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20260512160941\\\/https:\\\/\\\/fundacaofhc.org.br\\\/publicacao\\\/coracoes-e-mentes-volume-5-viver-em-democracia\\\/&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-12 09:29:44&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-15 17:44:46&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-18 19:59:05&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-21 23:40:55&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-25 07:07:20&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-28 22:56:40&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-02 06:47:24&quot;,&quot;http_code&quot;:503},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-05 22:36:10&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-09 06:26:17&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-12 14:16:18&quot;,&quot;http_code&quot;:503},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-15 22:04:11&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-19 01:21:56&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-22 01:26:03&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-25 13:43:30&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-28 23:02:25&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-02 01:24:45&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-05 02:35:41&quot;,&quot;http_code&quot;:503},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-08 03:25:46&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-12 13:35:22&quot;,&quot;http_code&quot;:503},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-15 22:47:29&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-19 13:43:43&quot;,&quot;http_code&quot;:503},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-22 22:32:36&quot;,&quot;http_code&quot;:206},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-27 00:46:33&quot;,&quot;http_code&quot;:206},{&quot;date&quot;:&quot;2026-09-01 11:21:47&quot;,&quot;http_code&quot;:206}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-09-01 11:21:47&quot;,&quot;http_code&quot;:206},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]\"><\/span>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/fundacaofhc.org.br\/publicacao\/coracoes-e-mentes-volume-5-viver-em-democracia\/\"><em>Viver em Democracia<\/em>, publica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Fernando Henrique Cardoso e\u00a0 Centro Edelstein de Pesquisas Sociais,<\/a> de distribui\u00e7\u00e3o gratuita e voltada para escolas do ensino m\u00e9dio,  \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o concreta de como suprir um grande vazio no curr\u00edculo escolar brasileiro, a educa\u00e7\u00e3o para a democracia. Os autores, Bernardo Sorj e S\u00e9rgio Fausto, come\u00e7am com uma narrativa hist\u00f3rica da evolu\u00e7\u00e3o das formas de governo, dos sistemas tribais aos estados modernos. e evoluem para a apresenta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de temas centrais e prementes como a divis\u00e3o e conflitos de poderes, a import\u00e2ncia das constitui\u00e7\u00f5es, o funcionamento dos partidos e sistemas eleitorais, as rela\u00e7\u00f5es entre capitalismo e democracia, e os desafios concretos de viver em regimes democr\u00e1ticos imperfeitos e permanentemente amea\u00e7ados. N\u00e3o se furtam \u00e0 defesa expl\u00edcita de valores \u2014 liberdade, igualdade e fraternidade \u2014 a serem exercidos por meio de sistemas representativos eficazes e comprometidos com o bem comum. Mostram como a democracia n\u00e3o \u00e9 um estado de coisas dado, mas uma conquista hist\u00f3rica carregada de disfuncionalidades e disputada por for\u00e7as autorit\u00e1rias que procuram corromp\u00ea-la por dentro ou destru\u00ed-la frontalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda parte, Alice Noujaim, Maura Marzocchi e Renata Capovilla prop\u00f5em treze atividades pedag\u00f3gicas cuidadosamente estruturadas, pelas quais os estudantes podem vivenciar, como que em um laborat\u00f3rio, as virtudes e dificuldades da democracia, da elabora\u00e7\u00e3o de normas de conviv\u00eancia na sala de aula a simula\u00e7\u00f5es legislativas e trabalhos de pesquisa comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tema da democracia n\u00e3o est\u00e1 &nbsp;totalmente ausente da Base Nacional Curricular Comum brasileira que inclui, para estudantes de n\u00edvel m\u00e9dio, a necessidade de desenvolver compet\u00eancias sobre sistemas de governo, autoritarismo, populismo e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas esses conte\u00fados aparecem fragmentados, sem sequ\u00eancia pedag\u00f3gica coerente, e n\u00e3o de forma direta e sistem\u00e1tica, baseada nas ci\u00eancias do direito e da ci\u00eancia pol\u00edtica propriamente ditas. Em um ano eleitoral como o que estamos vivendo, \u00e9 impressionante pensar que n\u00e3o exista no curr\u00edculo escolar um espa\u00e7o onde os estudantes aprendam, de forma organizada, como o sistema pol\u00edtico representativo brasileiro funciona, qual o papel dos tr\u00eas poderes, como se organiza o federalismo, que s\u00e3o ou deveriam ser os partidos pol\u00edticos e, mais geralmente, porque \u00e9 importante ter uma sociedade governada pelas regras do direito, e n\u00e3o pelo arb\u00edtrio e o poder individual ou de grupos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este vazio n\u00e3o se d\u00e1 por acaso. O Estado brasileiro se organizou, desde o Imp\u00e9rio, como uma sociedade profundamente desigual, coberta por um t\u00eanue v\u00e9u de ordem constitucional que conviveu tanto com a escravid\u00e3o quanto com d\u00e9cadas de poder olig\u00e1rquico. Jos\u00e9 Murilo de Carvalho, em <em>A Forma\u00e7\u00e3o das Almas (<\/em>Companhia das Letras, 199<em>0)<\/em> e <em>Cidadania no Brasil (<\/em>Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2020<em>),<\/em> mostra como intelectuais e pol\u00edticos tentaram construir um Brasil imagin\u00e1rio, povoado de her\u00f3is e mitos c\u00edvicos que moldaram curr\u00edculos escolares e monumentos nacionais, talvez na esperan\u00e7a de que assim este imagin\u00e1rio se tornasse realidade. &nbsp;O abismo entre o Brasil ideal e o Brasil real provocou, ao longo do s\u00e9culo 20, rea\u00e7\u00f5es de sentidos opostos. De um lado, as ideologias autorit\u00e1rias, que defendiam a supremacia da ordem e da hiearquia, que &nbsp;entraram nas escolas atrav\u00e9s da Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica da ditadura militar e que tiveram continuidade, mais recentemente, no movimento das escolas sem partido e das escolas c\u00edvico-militares. De outro, a rea\u00e7\u00e3o dos movimentos que defendiam o fortalecimento da sociedade em contraposi\u00e7\u00e3o ao poder tradicional&nbsp; e ao formalismo das normas abstratas e das institui\u00e7\u00f5es. Esta segunda rea\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a nos documentos pedag\u00f3gicos mais recentes, onde os temas da pobreza, identidades e direitos sociais passaram ao primeiro plano, em detrimento dos temas mais amplos do desenvolvimento econ\u00f4mico e social e da ordem democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ambos, a democracia era uma tema menor, subordinado a outras prioridades. No s\u00e9culo passado, estas rea\u00e7\u00f5es podiam fazer sentido. No s\u00e9culo 21, os temas da democracia e do funcionamento da ordem institucional n\u00e3o podem continuar sendo tratados como secund\u00e1rios. Assim como o direito positivo ficou fora das escolas, a economia tamb\u00e9m ficou. Sem compreender minimamente como funcionam o sistema pol\u00edtico, os mercados, o or\u00e7amento p\u00fablico e o mundo do trabalho, os jovens chegam \u00e0 vida adulta sem ferramentas para entender estes processos antes que seus efeitos desabem sobre suas cabe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 que a introdu\u00e7\u00e3o do direito e da economia nos curr\u00edculos escolares possa, por si s\u00f3, resolver a m\u00e1 qualidade da educa\u00e7\u00e3o brasileira e os problemas institucionais e econ\u00f4micos com que vivemos. N\u00e3o estavam errados os que, vinte anos atr\u00e1s, entenderam que a coluna dorsal da educa\u00e7\u00e3o deve ser o ensino da l\u00edngua portuguesa e da matem\u00e1tica, e criaram todo um sistema de acompanhamento do desempenho escolar nessas mat\u00e9rias. Mas tanto a l\u00edngua quanto a matem\u00e1tica s\u00e3o instrumentos que s\u00f3 ganham sentido quando aplicados para entender o funcionamento da vida em todos os seus aspectos, dos quais as formas de conviv\u00eancia&nbsp; democcr\u00e1tica e os processos de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o da riqueza s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(publicado em O Estado de S\u00e3o Paulo, 12 de junho de 2026) Viver em Democracia, publica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Fernando Henrique Cardoso e\u00a0 Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, de distribui\u00e7\u00e3o gratuita e voltada para escolas do ensino m\u00e9dio, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o concreta de como suprir um grande vazio no curr\u00edculo escolar brasileiro, a educa\u00e7\u00e3o para a &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/aula-de-democracia\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Aula de Democracia&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[37,22],"tags":[],"class_list":["post-7774","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-democraciademocracy","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7774","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7774"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7774\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7776,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7774\/revisions\/7776"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}