{"id":7779,"date":"2026-06-16T08:40:33","date_gmt":"2026-06-16T11:40:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=7779"},"modified":"2026-06-16T08:48:02","modified_gmt":"2026-06-16T11:48:02","slug":"o-desperdicio-da-inteligencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-desperdicio-da-inteligencia\/","title":{"rendered":"O desperd\u00edcio da intelig\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo livro de Jo\u00e3o Batista Araujo e Oliveira, <em>Intelig\u00eancia: O ativo estrat\u00e9gico que o Brasil n\u00e3o pode desperdi\u00e7ar<\/em>, rec\u00e9m publicado e <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Intelig%C3%AAncia-ativo-estrat%C3%A9gico-Brasil-desperdi%C3%A7ar-ebook\/dp\/B0H3FQGVFZ\">dispon\u00edvel gratuitamente na Amazon<\/a>, parte de uma constata\u00e7\u00e3o \u00f3bvia mas,\u00a0 por alguma raz\u00e3o, politicamente inc\u00f4moda: h\u00e1 muitas crian\u00e7as no Brasil com capacidade excepcional que o sistema educacional brasileiro n\u00e3o apenas ignora, mas sistematicamente desperdi\u00e7a.<\/p>\n<span hidden class=\"__iawmlf-post-loop-links\" data-iawmlf-links=\"[{&quot;id&quot;:1349,&quot;href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.amazon.com.br\\\/Intelig%C3%AAncia-ativo-estrat%C3%A9gico-Brasil-desperdi%C3%A7ar-ebook\\\/dp\\\/B0H3FQGVFZ&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20260616114242\\\/https:\\\/\\\/www.amazon.com.br\\\/Intelig%C3%AAncia-ativo-estrat%C3%A9gico-Brasil-desperdi%C3%A7ar-ebook\\\/dp\\\/B0H3FQGVFZ&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]\"><\/span>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um tema dif\u00edcil de tratar, porque n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, como em boa parte do mundo, o tema da excel\u00eancia educacional carrega uma sombra ideol\u00f3gica pesada. Sabe-se, e com raz\u00e3o, que o desempenho escolar est\u00e1 fortemente associado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es sociais de origem das pessoas. Em geral, quem vai bem na escola tende a ser filho de quem foi bem. Promover a equidade no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, reduzindo os efeitos das diferen\u00e7as sociais que ela tantas vezes encobre, tem sido, com raz\u00e3o, um tema central nas pol\u00edticas e movimentos pela melhoria da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Da\u00ed a suspeita, nem sempre infundada, de que falar em &#8220;talentos&#8221; ou &#8220;altas habilidades&#8221; \u00e9 uma forma elegante de naturalizar a desigualdade e proteger os j\u00e1 privilegiados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa suspeita, por\u00e9m, quando se converte em interdi\u00e7\u00e3o intelectual, produz um efeito perverso: impede que se trate de forma diferente pessoas que s\u00e3o, de fato, diferentes \u2014 tanto os que t\u00eam dificuldades s\u00e9rias de aprendizagem e precisam de suporte espec\u00edfico, quanto os que t\u00eam capacidade de desempenho excepcional e precisam de desafio, n\u00e3o de conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tema da qualidade entrou na agenda das pol\u00edticas educacionais brasileiras na d\u00e9cada de 1990 com o Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica &#8211; SAEB. O objetivo era, e continua sendo, detectar a m\u00e9dia de desempenho dos estudantes e identificar escolas, redes e regi\u00f5es de baixo desempenho, e criar est\u00edmulos para que melhorem. Os dados mostram que o desempenho escolar das crian\u00e7as at\u00e9 aos 11 anos t\u00eam melhorado desde entao, mas tem se mantido estagnado ao final do ensino fundamental e m\u00e9dio, aos 15 e 17 anos. Esta estagna\u00e7\u00e3o aparece com mais clareza quando olhamos os resultados do exame muito mais abrangente que \u00e9 o PISA, da OECD, aplicado em muitas partes do mundo a crian\u00e7as de 15 anos ao final da educa\u00e7\u00e3o fundamental. A m\u00e9dia \u00e9 brasileira \u00e9 ruim, mas a percentagem de crian\u00e7as de alto desempenho \u00e9 pior. Nesta prova, pouco mais de 1% dos alunos brasileiros atingem n\u00edveis avan\u00e7ados de profici\u00eancia. Em pa\u00edses compar\u00e1veis, essa propor\u00e7\u00e3o chega a 15% ou 20%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O SAEB tem a vantagem de colocar a quest\u00e3o da qualidade explicitamente na agenda, mas n\u00e3o enfrenta a quest\u00e3o da excel\u00eancia, possivelmente pelo temor de que uma \u00eanfase nos n\u00edveis mais elevados de desempenho seja interpretada como elitista. Esse temor \u00e9 ainda mais pronunciado no \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica &nbsp;(IDEB) que dilui a dimens\u00e3o do desempenho ao combin\u00e1-la com dados de fluxo escolar. O resultado \u00e9 um indicador que pode melhorar simplesmente porque mais alunos passam de ano, ainda que aprendam menos, tornando ainda mais invis\u00edvel o problema da excel\u00eancia e da fronteira do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar a necessidade de melhorar a qualidade geral do sistema nem subestimar o peso das desigualdades sociais. Mas a equidade mal entendida pode abandonar os que mais precisariam de tratamento diferenciado. A no\u00e7\u00e3o de que mesmo num sistema mais igualit\u00e1rio as pessoas diferem e n\u00e3o podem ser submetidas ao mesmo molde continua sendo um para muitos um tabu, como ficou evidente na resist\u00eancia ao projeto de reforma do ensino m\u00e9dio que tentou trazer para o Brasil a possibilidade de que os estudantes, a pertir dos 15 anos, sigam trajet\u00f3rias distintas de estudo confirme suas condi\u00e7\u00f5es e interesses, como acontece na maior parte do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu livro, Jo\u00e3o Batista agumenta que o crescimento econ\u00f4mico no s\u00e9culo XXI n\u00e3o depende mais predominantemente de capital f\u00edsico ou da expans\u00e3o m\u00e9dia da escolaridade, mas da capacidade de identificar e desenvolver os indiv\u00edduos capazes de operar na fronteira do conhecimento. Uma fra\u00e7\u00e3o pequena da popula\u00e7\u00e3o responde por parcela desproporcional das inova\u00e7\u00f5es, patentes e rupturas tecnol\u00f3gicas que movem economias intensivas em conhecimento. O resultado do descaso brasileiro com essa agenda \u00e9, suas palavras , &#8220;um desperd\u00edcio silencioso de intelig\u00eancia \u2014 invis\u00edvel nas estat\u00edsticas, mas economicamente mensur\u00e1vel em inova\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ocorre, empresas que n\u00e3o surgem, tecnologias que n\u00e3o s\u00e3o desenvolvidas e lideran\u00e7a cient\u00edfica que n\u00e3o se consolida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que fazer? Primeiro, \u00e9 preciso identificar as crian\u00e7as de alto potencial o mais cedo poss\u00edvel, esteja onde estiverem,. A identifica\u00e7\u00e3o deve ser universal, e n\u00e3o pode ser baseada em indica\u00e7\u00e3o de professores, que tendem a reproduzir as desigualdades de origem. Ela deve ser feita&nbsp; por instrumentos padronizados de avalia\u00e7\u00e3o cognitiva aplicados a toda a popula\u00e7\u00e3o escolar, de forma precoce e com possibilidade de reavalia\u00e7\u00e3o ao longo da trajet\u00f3ria. Estudos americanos mostram que triagens universais aumentam substancialmente a identifica\u00e7\u00e3o de alunos de alta capacidade oriundos de fam\u00edlias de baixa renda que, de outra forma, permaneceriam invis\u00edveis. Uma vez identificados, esses alunos precisam de tr\u00eas coisas que a escola comum n\u00e3o oferece: acelera\u00e7\u00e3o curricular compat\u00edvel com seu ritmo de aprendizagem, curr\u00edculos de alta exig\u00eancia conceitual&nbsp; e conviv\u00eancia com pares de capacidade equivalente, que \u00e9 o que estimula e mant\u00e9m o engajamento intelectual. Pa\u00edses que levam isso a s\u00e9rio \u2014 Estados Unidos, Coreia do Sul, Singapura, Israel \u2014 operam com arquiteturas integradas: escolas seletivas, olimp\u00edadas robustas, institutos cient\u00edficos para jovens, programas de mentoria com pesquisadores em atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As Olimp\u00edadas escolares que existem no Brasil j\u00e1 funcionam como um importante mecanismo de identifica\u00e7\u00e3o de talentos, de valor amplamente reconhecido. Mas \u00e9 preciso identificar e apoiar os talentos muito mais cedo, antes que eles se percam por falta de est\u00edmulo e apoio e pelo peso das rotinas escolares.&nbsp; Existe tecnologia para isto, \u00e9 um projeto barato, e s\u00f3 falta empenho para lev\u00e1-lo adiante.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo livro de Jo\u00e3o Batista Araujo e Oliveira, Intelig\u00eancia: O ativo estrat\u00e9gico que o Brasil n\u00e3o pode desperdi\u00e7ar, rec\u00e9m publicado e dispon\u00edvel gratuitamente na Amazon, parte de uma constata\u00e7\u00e3o \u00f3bvia mas,\u00a0 por alguma raz\u00e3o, politicamente inc\u00f4moda: h\u00e1 muitas crian\u00e7as no Brasil com capacidade excepcional que o sistema educacional brasileiro n\u00e3o apenas ignora, mas sistematicamente &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-desperdicio-da-inteligencia\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O desperd\u00edcio da intelig\u00eancia&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,36],"tags":[],"class_list":["post-7779","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-equidadeequity"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7779","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7779"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7779\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7783,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7779\/revisions\/7783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}