{"id":863,"date":"2008-10-28T18:51:38","date_gmt":"2008-10-28T21:51:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=863&amp;lang=en-us"},"modified":"2008-10-28T18:51:38","modified_gmt":"2008-10-28T21:51:38","slug":"claudio-de-moura-castro-ainda-o-enade-e-o-provaoclaudio-de-moura-castro-still-about-enade-and-provao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/claudio-de-moura-castro-ainda-o-enade-e-o-provaoclaudio-de-moura-castro-still-about-enade-and-provao\/","title":{"rendered":"Claudio de Moura Castro: Ainda o ENADE e o Prov\u00e3o|Claudio de Moura Castro: still about ENADE and &#8220;Prov\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Mais uma nota, somente para leitores com est\u00f4mago para controv\u00e9rsias infindas. Data v\u00eania, examinemos alguns dos argumentos levantados por Verhine na sua \u00faltima interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre a inexist\u00eancia de Prov\u00f5es pelo mundo afora, minha teoria \u00e9 que n\u00e3o se trata de uma solu\u00e7\u00e3o politicamente palat\u00e1vel. Suspeito que muitos pa\u00edses gostariam de ter o seu Prov\u00e3o, mas que falta coragem ou viabilidade pol\u00edtica para implement\u00e1-lo, sobretudo, em sociedades com sistemas educativos muito maduros e r\u00edgidos. Em pa\u00edses como os Estados Unidos, apaixonados pelos testes, as provas desse tipo s\u00e3o usadas para certifica\u00e7\u00e3o profissional (m\u00e9dicos, advogados, contadores). Ou seja, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 vencida por estarem os testes fora do sistema educacional e dentro de institui\u00e7\u00f5es com forte peso corporativista. Portanto, propensas a criar barreiras de entrada (nos casos citados, s\u00e3o justificadas).<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0\u00a0 Verhine tem muita raz\u00e3o ao dizer que o Prov\u00e3o\/ENADE amostra muito pouco dos tra\u00e7os requeridos para um bom desempenho profissional. Contudo, as alternativas existentes s\u00e3o ainda menos adequadas. O n\u00famero de candidatos por vaga, o n\u00famero de Rhodes Scholars e os muitos outros indicadores usados nos Estados Unidos e dentre n\u00f3s s\u00e3o at\u00e9 mais inaptos para prever desempenho profissional. Basicamente, as provas testam se os alunos aprenderam o que o curso teria tentado ensinar. Pouco mais dizem. Portanto, nesse aspecto, o Prov\u00e3o \u00e9 o teste menos ruim.<\/p>\n<p>3.\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre o tamanho e confiabilidade da prova, acho que pairou uma ambiguidade, tanto no argumento meu quanto no dele. Estamos falando de testes para etiquetar indiv\u00edduos ou para tomar a m\u00e9dia dos escores e dar nota em um curso? Enquanto a prova for usada para a segunda alternativa, a precis\u00e3o torna-se muito menos cr\u00edtica. Para tais usos, talvez n\u00e3o seja t\u00e3o importante uma prova longa.\u00a0 \u00c9 diferente o caso dos exames de ordem, seja aqui seja em outros pa\u00edses, pois determinam o futuro profissional do candidato. Portanto, o custo do erro \u00e9 muito maior. Se o ENADE passasse a ser um passaporte, usado pelos alunos para pleitear empregos ou exigido pelos potenciais empregadores, neste caso, realmente dever\u00edamos pensar em reduzir a margem. O que n\u00e3o quer dizer que a prova n\u00e3o possa ser melhorada.<\/p>\n<p>4.\u00a0\u00a0\u00a0 No presente, o uso mais \u201chigh stakes\u201d do ENADE \u00e9 para tomar decis\u00f5es quanto \u00e0s pol\u00edticas do MEC, vis a vis cada faculdade. Acima de certa nota, n\u00e3o precisar\u00e1 pedir autoriza\u00e7\u00e3o para expandir vagas. Se a nota for realmente ruim, o curso entra no \u00edndex do MEC, sendo penalizado e obrigado a fazer revis\u00f5es. Nesse segundo caso, estamos falando de um processo que deveria contemplar duas etapas. Se o ENADE revela notas baixas, entra em cena uma segunda fase, mais aprofundada, em que se inclui a avalia\u00e7\u00e3o institucional, que pode conter as vari\u00e1veis de processo (cuja inclus\u00e3o no CPC sou contra). Contudo, essa avalia\u00e7\u00e3o institucional n\u00e3o pode ou n\u00e3o deve ser feita por atacado.\u00a0 N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aferir a confiabilidade ou honestidade das informa\u00e7\u00f5es prestadas \u00e0 dist\u00e2ncia, sobretudo, no caso de institui\u00e7\u00f5es que mostraram mau desempenho no ENADE. \u00c9 preciso enviar visitadores para conferir e para sentir a realidade da institui\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, no \u00fanico caso em que as vari\u00e1veis de processo serviriam para alguma coisa, se forem informa\u00e7\u00f5es prestadas pelos interessados, n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis. Se \u00e9 assim, por que perder tempo coletando esse mundo de dados? Question\u00e1rios aplicados nos alunos, por outro lado, t\u00eam muitos usos. Mas n\u00e3o como instrumento para avaliar a excel\u00eancia do ensino Em uma pesquisa que realizei, muitos anos atr\u00e1s, comparando cursos de economia, encontrei uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre qualidade e opini\u00e3o dos alunos. Ou seja, quanto melhor o curso, mais cr\u00edticos eram os alunos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma nota, somente para leitores com est\u00f4mago para controv\u00e9rsias infindas. 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