{"id":877,"date":"2008-11-07T10:47:14","date_gmt":"2008-11-07T13:47:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=877&amp;lang=pt-br"},"modified":"2009-08-12T19:36:00","modified_gmt":"2009-08-12T22:36:00","slug":"flavio-grynspan-como-os-paises-emergentes-podem-aproveitar-a-movimentacao-dos-seus-talentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/flavio-grynspan-como-os-paises-emergentes-podem-aproveitar-a-movimentacao-dos-seus-talentos\/","title":{"rendered":"Fl\u00e1vio Grynspan: como os pa\u00edses emergentes podem aproveitar a movimenta\u00e7\u00e3o dos seus talentos"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Bal\u00e1n, em\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=830&amp;lang=pt-br\">A competi\u00e7\u00e3o internacional por talentos&#8221;<\/a> deixou evidente que \u00e9 imposs\u00edvel freiar a movimenta\u00e7\u00e3o de talentos dos pa\u00edses emergentes com pol\u00edticas restritivas. Isto nos leva a duas alternativas:<\/p>\n<p>1- Como aumentar a &#8220;atratividade&#8221; para que o doutor fique no pa\u00eds?<\/p>\n<p>2- Como aproveitar os talentos que ficam no exterior e integr\u00e1-los aos projetos de interesse brasileiro?<\/p>\n<p>Tradicionalmente , o doutor formado no Brasil procura emprego em institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, j\u00e1 que \u00e9 diminuta a absor\u00e7\u00e3o de doutores pelo setor privado. Hoje formamos cerca de 10.000 doutores por ano e s\u00f3\u00a0 as grandes empresas brasileiras contratam alguns doutores para os seus centros de P&amp;D. Mesmo as multinacionais que atuam no pa\u00eds, absorvem poucos doutores.<\/p>\n<p>Pelo ultimo PINTEC existiam 5028 industrias de transforma\u00e7\u00e3o que realizavam algum P&amp;D interno, num universo de 89205 industrias. Neste total estavam empregados 4280\u00a0\u00a0 p\u00f3s-graduados,\u00a0 possivelmente quase todos apenas com mestrado ou especializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um numero t\u00e3o baixo, que , mesmo com as atuais pol\u00edticas de bolsas do CNPq e FINEP para aumentar o numero de doutores empregados, pelo setor privado o impacto vai ser reduzido. A Anpei, associa\u00e7\u00e3o que reune as empresas inovadoras tem procurado estimular a cria\u00e7\u00e3o de centros de P&amp;D no setor privado como forma de\u00a0 aumentar o n\u00famero de PH.Ds na industria.<\/p>\n<p>Em um trabalho que acabei recentemente para o MCT , pude enviar um question\u00e1rio para mais de 500 empresas inovadoras brasileiras. Minha amostra foi formada por todas as empresas brasileiras que concorreram ao pr\u00eamio Finep de 2007 e mais as empresas associadas da Anpei. Recebi 65 respostas, que me mostraram claramente que as empresas investem em P&amp;D n\u00e3o por existirem incentivos fiscais, mas por demanda do mercado. Ou seja, se as empresas brasileiras est\u00e3o expostas a mercados n\u00e3o demandantes de inova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o v\u00e3o inovar, nem realizar P&amp;D. O n\u00f3 do problema \u00e9 expor as nossas empresas a ambientes mais competitivos, como os mercados internacionais, para gerarmos uma demanda que vai dar origem \u00e0 necessidade de fazer P&amp;D.<\/p>\n<p>Uma outra maneira de melhorar a absor\u00e7\u00e3o de doutores pelo setor privado \u00e9 o de estimul\u00e1-los a criar as suas empresas, aproveitando o est\u00edmulo que o Governo est\u00e1 dando a esta iniciativa. Este \u00e9 um processo que est\u00e1 come\u00e7ando e, n\u00e3o tenho dados de quantos doutores est\u00e3o envolvidos. Na minha percep\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de doutores empreendedores nos start-ups \u00e9 pequeno, pois falta a cultura do empreendedorismo na sua forma\u00e7\u00e3o .<\/p>\n<p>Em resumo, \u00e9 reduzida a atratividade de absor\u00e7\u00e3o de doutores pelo mercado brasileiro, exceto nas universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. Na medida que os or\u00e7amentos p\u00fablicos n\u00e3o permitem garantir uma expans\u00e3o adequada, os principais empregos para doutores no pa\u00eds ser\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa privados.<\/p>\n<p>Olhando a segunda alternativa, na qual os doutores se formam no exterior e muitos deles s\u00e3o atra\u00eddos por ofertas de empregos no mercado internacional, a pergunta que fica \u00e9:\u00a0 Como criar reais oportunidades para atrair os talentos brasileiros que est\u00e3o no exterior e vincul\u00e1-los aos projetos de interesse do pa\u00eds?<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses emergentes,como India, China e Russia, que t\u00eam uma popula\u00e7\u00e3o grande de expatriados, j\u00e1 avan\u00e7aram com iniciativas bem interessantes. Outros como Israel e Irlanda, com popula\u00e7\u00f5es menores, mas com grande influ\u00eancia, t\u00eam tambem atuado\u00a0 principalmente no mercado americano. A experi\u00eancia mais interessante \u00e9 da Rede Indiana TiE ( www.tie.org), que reune mais de 10.000 indianos que moram no exterior e que ajudam os indianos que querem vencer nos mercados mundiais.<\/p>\n<p>Eu comecei uma experi\u00eancia, similar \u00e0 TiE, que re\u00fane brasileiros profissionais e executivos seniors, com o maior objetivo de ajudar a empresa brasileira a se inserir no mercado internacional. Esta rede, chamada de Brazil Diaspora Network ( BDN Network), \u00e9 uma rede profissional, visando neg\u00f3cios. A BDN Network tem hoje 110 membros, muitos s\u00e3o pesquisadores e outros s\u00e3o executivos de empresas globais. H\u00e1 tambem casos de empreendedores brasileiros que montaram empresas de alta tecnologia nos Estados Unidos. Um caso interessante \u00e9 o da empresa openQ que foi criada por brasileiro, que fez p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de Virginia, depois entrou na incubadora da Universidade e saiu com sua empresa, hoje muito bem sucedida. A OpenQ tem duas &#8220;f\u00e1bricas&#8221; de software, uma em Bangalore, India e outra no Recife, onde contrata Ph.Ds brasileiros disponiveis no mercado pernambucano.<\/p>\n<p>Durante este ano procurei apresentar aos participantes da BDN Network o que se faz no Brasil. Fizemos duas conference calls de uma hora cada, com o Ministro Sergio Rezende e com o Presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Um outro projeto que se iniciou foi o de Mentoring, atrav\u00e9s do qual uma dada empresa brasileira interessada em entrar no mercado mundial recebe a ajuda de tr\u00eas mentores da BDN Network ( dois nos Estados Unidos e outro na Sui\u00e7a)<\/p>\n<p>Fizemos, na semana passada uma reuni\u00e3o da rede para definir os projetos para 2009. Vamos continuar com o Mentoring, com as Conference Calls e tambem em projetos com a ABDI, Softex e Anprotec.<\/p>\n<p>Posso afirmar que h\u00e1 um grande interesse dos brasileiros que moram no exterior de poder participar dos projetos em andamento no Brasil.O que precisamos \u00e9 identificar e detalhar os nossos projetos para que possamos aproveitar ao m\u00e1ximo a competencia que temos nos Brasileiros do exterior.<\/p>\n<p>Sei que temos um grande numero de Brasileiros como docentes e pesquisadores nas Universidades estrangeiras. Glauco Arbix, da USP me disse que a estimativa \u00e9 de 3000 professores s\u00f3 nos Estados Unidos. \u00cale tem uma proposta , j\u00e1 apresentada ao Governo, para\u00a0 integr\u00e1-los em um portal , que poderia ser o caminho para diversos projetos interessantes.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Bal\u00e1n, em\u00a0 A competi\u00e7\u00e3o internacional por talentos&#8221; deixou evidente que \u00e9 imposs\u00edvel freiar a movimenta\u00e7\u00e3o de talentos dos pa\u00edses emergentes com pol\u00edticas restritivas. 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