{"id":96,"date":"2006-08-31T06:02:00","date_gmt":"2006-08-31T09:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=96"},"modified":"2008-08-03T14:58:13","modified_gmt":"2008-08-03T17:58:13","slug":"ali-kamel-nao-somos-racistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ali-kamel-nao-somos-racistas\/","title":{"rendered":"Ali Kamel: N\u00e3o Somos Racistas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic;\">O livro de Ali Kamel, sob o t\u00edtulo acima, reune muitas das coisas que ele vem escrevendo no &#8220;O Globo&#8221;  sobre o tema, e estou transcrevendo abaixo um trecho, acompanhado de um coment\u00e1rio de Jer\u00f4nimo Teixeira sobre &#8220;as fal\u00e1cias da pol\u00edtica de cotas raciais&#8221;.  Estes textos j\u00e1 circularam em minha lista, por sugest\u00e3o de Maria Cristina Barreto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Segundo Ivonildo Leite, &#8220;quanto mais n\u00e3o seja, os dois textos a seguir s\u00e3o interessantes para, no m\u00ednimo, tornar a discuss\u00e3o sobre cotas mais plural. Um tanto mais audaciosa talvez seja a  pretens\u00e3o de pautar o debate pela racionalidade, indo al\u00e9m do discurso &#8220;politicamente correto&#8221;, que, por n\u00e3o fazer nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre ideologia e ci\u00eancia, cria embara\u00e7os para as pr\u00f3prias causas que defende.&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">J\u00e1 Luisa  Schwartzman discorda: &#8220;eu nao acho que os dois textos tornem a discussao mais plural. Pelo contrario, eles a tornam tao plural quanto sempre foi desde que comecou. Ou seja, as pessoas ou sao contra ou a favor das cotas. S\u00f3  existem esses dois pontos de vista? Ningu\u00e9m consegue pensar em mais nada? Nao tem meio-termo? <\/span><\/p>\n<p>N\u00c3O SOMOS RACISTAS<\/p>\n<p>Ali Kamel<\/p>\n<p>Foi um movimento lento. Surgiu na academia, entre alguns soci\u00f3logos na d\u00e9cada de 1950 e, aos poucos, foi ganhando corpo at\u00e9 se tornar pol\u00edtica oficial de governo. Mergulhado no trabalho jornal\u00edstico di\u00e1rio, quando me dei conta do fen\u00f4meno levei um susto. Mais uma vez tive a prova de que os grandes estragos come\u00e7am assim: no in\u00edcio, n\u00e3o se d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o, acreditando-se que as convic\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio s\u00e3o t\u00e3o grandes e arraigadas que o mal n\u00e3o progredir\u00e1. Quando acordamos, leva-se o susto. Eu levei. E, imagino, muitos brasileiros devem tamb\u00e9m ter se assustado: quer dizer ent\u00e3o que somos um povo racista? Minha rea\u00e7\u00e3o instintiva foi me rebelar contra isso. Em 2003, publiquei no Globo um artigo cujo t\u00edtulo dizia tudo: &#8220;N\u00e3o somos racistas.&#8221;<\/p>\n<p>Depois dele, publiquei outros tantos e, hoje, vendo-os no conjunto, tenho a consci\u00eancia de que fui me dando conta do estrago \u00e0 medida que ia escrevendo. Escrevi sempre na perspectiva de um jornalista, de algu\u00e9m especializado em ver o imediato das coisas. Outros lutaram em seus campos, sempre com muita propriedade. Gente como os historiadores Jos\u00e9 Roberto Pinto de G\u00f3es, Manolo Florentino, Jos\u00e9 Murilo de Carvalho e Monica Grin, os antrop\u00f3logos Yvonne Maggie, Peter Fry e os soci\u00f3logos Marcos Chor Maio, Ricardo Ventura e Dem\u00e9trio Magnoli e o jornalista Luis Nassif, entre tantos outros, tentaram alertar a sociedade brasileira para o perigo nos jornais, em artigos especializados, em semin\u00e1rios e em livros.<\/p>\n<p>Na perspectiva de jornalista, de algu\u00e9m mais pr\u00f3ximo do cidad\u00e3o comum, espantei-me diante de algumas descobertas. Um exemplo, o conceito de negro. Para mim, para o senso comum, para as pessoas que andam pelas ruas, negro era um sin\u00f4nimo de preto. Nos primeiros artigos, eu me debatia contra uma leitura equivocada das estat\u00edsticas oficiais acreditando nisso. Certo dia, caiu a ficha: para as estat\u00edsticas, negros eram todos aqueles que n\u00e3o eram brancos. Cafuzo, mulato, mameluco, caboclo, escurinho, moreno, marrom-bombom? Nada disso, agora ou eram brancos ou eram negros. De repente, n\u00f3s que \u00e9ramos orgulhosos da nossa miscigena\u00e7\u00e3o, do nosso gradiente t\u00e3o variado de cores, fomos reduzidos a uma na\u00e7\u00e3o de brancos e negros. Pior: uma na\u00e7\u00e3o de brancos e negros onde os brancos oprimem os negros. Outro susto: aquele pa\u00eds n\u00e3o era o meu.<\/p>\n<p>O debate em torno de ra\u00e7as no Brasil sempre foi intenso. Deixando de lado todo o debate entre escravocratas e abolicionistas, o s\u00e9culo XX foi todo ele permeado por essa discuss\u00e3o. Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, o pensamento majorit\u00e1rio nas ci\u00eancias sociais era racista. Mas at\u00e9 ele reconhecia que o Brasil era fruto da miscigena\u00e7\u00e3o. O racismo era decorrente justamente dessa constata\u00e7\u00e3o: para que o pa\u00eds progredisse, diziam os soci\u00f3logos, era preciso que se embranquecesse, diminuindo a por\u00e7\u00e3o negra de nosso povo. Foi Gilberto Freyre quem mais se destacou em se contrapor a um pensamento t\u00e3o abjeto como este.<br \/>\nFreyre n\u00e3o foi o autor do conceito de &#8220;democracia racial&#8221;, n\u00e3o foi ele quem cunhou o termo, hoje t\u00e3o combatido. Ali\u00e1s, era avesso a tal conceito, porque o que ele via como realidade era a mesti\u00e7agem e n\u00e3o o conv\u00edvio sem conflito entre ra\u00e7as estanques. Usou em discursos a express\u00e3o uma ou duas vezes, a partir da d\u00e9cada de 1960, mas sempre como sin\u00f4nimo de um modelo em que a miscigena\u00e7\u00e3o prevalece. Jamais edulcorou a escravid\u00e3o. Casa grande e senzala, a obra-prima de Freyre, dedica p\u00e1ginas e mais p\u00e1ginas ao relato das atrocidades que se fizeram contra os escravos. Est\u00e1 tudo ali, todos os sofrimentos impostos aos escravos: o trabalho desumano nas lavouras, as meninas menores de 14 anos, virgens, violadas na cren\u00e7a de que o estupro curaria a s\u00edfilis, as mucamas que tinham os olhos furados e os peitos dilacerados apenas por despertar os ci\u00fames das senhoras de engenho. Freyre n\u00e3o omite nada; exp\u00f5e. \u00c9 claro que tamb\u00e9m reconhece no branco portugu\u00eas uma elasticidade, sem o que n\u00e3o poderia ter havido mistura. \u00c9 claro que descreve certo congra\u00e7amento entre o elemento branco e o negro.<\/p>\n<p>Essas caracter\u00edsticas de Casa grande e Senzala, no entanto, foram t\u00e3o real\u00e7adas com o decorrer do tempo que muitos hoje acreditam, erradamente, que Freyre escondeu os horrores da escravid\u00e3o para fazer do Brasil mais do que uma democracia racial, um para\u00edso.<\/p>\n<p>O papel de Freyre, por\u00e9m, foi outro, muito mais marcante. No debate com o pensamento majorit\u00e1rio de ent\u00e3o, o que Freyre fez foi resgatar a import\u00e2ncia do negro para a constru\u00e7\u00e3o de nossa identidade nacional, para a constru\u00e7\u00e3o da nossa cultura, do nosso jeito de pensar, de agir e de falar. Ele enalteceu a figura do negro, dando a ela sua real dimens\u00e3o, sua real import\u00e2ncia. A nossa miscigena\u00e7\u00e3o, conclu\u00edmos depois de ler Freyre, n\u00e3o \u00e9 a nossa chaga, mas a nossa principal virtude.<\/p>\n<p>Hoje, quando vejo o Movimento Negro depreciar Gilberto Freyre, detratando-o como a um inimigo, fico tonto. Os ataques s\u00f3 podem ser decorrentes de uma leitura apressada, se \u00e9 que decorrem mesmo de uma leitura.<\/p>\n<p>Como bem tem mostrado a antrop\u00f3loga Yvonne Maggie, a vis\u00e3o de Freyre coincidiu com o ideal de na\u00e7\u00e3o expresso pelo movimento modernista, que via na nossa mesti\u00e7agem a nossa virtude. Num certo sentido, digo eu, a antropofagia cultural s\u00f3 poderia ser mesmo uma pr\u00e1tica de uma na\u00e7\u00e3o que \u00e9 em si uma mistura de gentes diversas. Esse ideal de na\u00e7\u00e3o saiu-se vitorioso e se consolidou em nosso imagin\u00e1rio. Gost\u00e1vamos de nos ver assim, miscigenados. Gost\u00e1vamos de n\u00e3o nos reconhecer como racistas. Como diz Peter Fry, a &#8220;democracia racial&#8221;, longe de ser uma realidade, era um alvo a ser buscado permanentemente. Um ideal, portanto.<br \/>\nIsso jamais implicou deixar de admitir que aqui no Brasil existia o racismo. \u00c9 evidente que ele existia e existe, porque onde h\u00e1 homens reunidos h\u00e1 tamb\u00e9m todos os sentimentos, os piores inclusive. Mas a na\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente n\u00e3o se queria assim como sempre condenou o racismo. Aqui, ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o, nunca houve barreiras institucionais a negros ou a qualquer outra etnia. E para combater as manifesta\u00e7\u00f5es concretas do racismo &#8211; inevit\u00e1veis quando se fala de seres humanos &#8211; criaram-se leis rigorosas para punir os infratores, sendo a Lei Afonso Arinos apenas a mais famosa delas.<\/p>\n<p>Mas a partir da d\u00e9cada de 1950, certa sociologia foi abandonando esse tipo de racioc\u00ednio para come\u00e7ar a dividir o Brasil entre brancos e n\u00e3o-brancos, um pulo para chegar aos que hoje dividem o Brasil entre brancos e negros, afirmando que negro \u00e9 todo aquele que n\u00e3o \u00e9 branco. Nos trabalhos de Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Oracy Nogueira e, mais adiante, Carlos Hasenbalg, se a id\u00e9ia era &#8220;fazer ci\u00eancia&#8221;, o resultado sempre foi uma ci\u00eancia engajada, a favor de negros explorados contra brancos racistas. A id\u00e9ia que jazia por tr\u00e1s era que a imagem que t\u00ednhamos de n\u00f3s mesmos acabava por ser mal\u00e9fica, perversa com os negros. Era como se o ideal de na\u00e7\u00e3o a que me referi tivesse como objetivo o seu contr\u00e1rio: idealizar uma na\u00e7\u00e3o sem racismo para melhor exercer o racismo. O papel da ci\u00eancia, &#8220;para o bem dos negros&#8221;, seria desmascarar isso, tirando o v\u00e9u da ideologia e substituindo-a pela realidade do racismo. Esse racioc\u00ednio levava, por\u00e9m, ao paroxismo de permitir a suposi\u00e7\u00e3o de que um racismo expl\u00edcito \u00e9 melhor do que um racismo envergonhado, esquecendo-se de que o primeiro oprime sem pudor, enquanto o segundo, muitas vezes, deixa de oprimir pelo pudor.<\/p>\n<p>AS FAL\u00c1CIAS DA POL\u00cdTICA DE COTAS RACIAIS NA AN\u00c1LISE DEMOLIDORA DE ALI KAMEL<\/p>\n<p>Jer\u00f4nimo Teixeira<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1930, \u00e0s v\u00e9speras da ascens\u00e3o do nazismo, as posi\u00e7\u00f5es pacifistas do f\u00edsico alem\u00e3o Albert Einstein geravam rancor entre seus compatriotas. Com o t\u00edtulo de 100 Autores contra Einstein, um livro coletivo foi publicado para atacar suas id\u00e9ias. Einstein respondeu com sua intelig\u00eancia caracter\u00edstica: &#8220;Por que 100 autores? Se eu estivesse errado, um s\u00f3 bastaria&#8221;.<\/p>\n<p>A anedota merece ser lembrada a prop\u00f3sito da recente guerra de abaixo-assinados gerada pela Lei de Cotas e pelo Estatuto da Igualdade Racial &#8211; projetos de lei que visam a estabelecer pol\u00edticas de &#8220;a\u00e7\u00e3o afirmativa&#8221; para favorecer os negros, com cotas raciais nas universidades e no funcionalismo p\u00fablico. H\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, um manifesto contr\u00e1rio ao estatuto, assinado por 114 intelectuais, foi entregue ao Congresso. Os movimentos sociais que ap\u00f3iam as cotas responderam de bate-pronto com outro abaixo-assinado, este com 330 signat\u00e1rios.<\/p>\n<p>Agora, quando a poeira da discuss\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ava a assentar (e a vota\u00e7\u00e3o do estatuto na C\u00e2mara dos Deputados ficou para o ano que vem), o diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, lan\u00e7a um livro fundamental para entender a quest\u00e3o. N\u00e3o Somos Racistas (Nova Fronteira; 144 p\u00e1ginas; 22 reais) demonstra que as chamadas &#8220;a\u00e7\u00f5es afirmativas&#8221; s\u00e3o uma resposta irracional para um problema fict\u00edcio &#8211; o racismo institucional, que n\u00e3o vigora no Brasil.<\/p>\n<p>O engano fundamental das pol\u00edticas raciais estaria, de acordo com Kamel, em considerar que a sociedade brasileira \u00e9 constitutivamente racista. Existe racismo no Brasil, mas ele n\u00e3o \u00e9 um dado predominante da cultura nacional e n\u00e3o conta com aval de nenhuma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ao exigir, por exemplo, que certid\u00f5es de nascimento, prontu\u00e1rios m\u00e9dicos e outros documentos oficiais informem a ra\u00e7a de seu portador, o Estatuto da Igualdade Racial est\u00e1 na verdade desprezando uma longa tradi\u00e7\u00e3o de mistura e conviv\u00eancia em prol de categorias raciais estanques e est\u00fapidas. \u00c9, na pr\u00e1tica, um exerc\u00edcio de discrimina\u00e7\u00e3o racial, sancionado pelo Estado.<\/p>\n<p>A miscigena\u00e7\u00e3o, dado central da sociedade brasileira, \u00e9 o fato recalcado pelos defensores das cotas. A l\u00f3gica beligerante impl\u00edcita do estatuto e da lei de cotas \u00e9 de que existem dois grandes grupos no Brasil: os brancos, opressores, e os negros, oprimidos. Isso se revela at\u00e9 no uso das estat\u00edsticas do IBGE &#8211; e um dos pontos fortes de N\u00e3o Somos Racistas \u00e9 a clareza com que o autor (que, al\u00e9m de jornalista, tem forma\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias sociais) destrin\u00e7a n\u00fameros para desmontar a fal\u00e1cia das cotas. Nas contas dos que defendem medidas do g\u00eanero, os negros s\u00e3o 48% da popula\u00e7\u00e3o, mas representam 66% dos brasileiros pobres. Kamel parte da mesma fonte &#8211; a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio, do IBGE &#8211; para observar que, na verdade, os negros s\u00e3o uma minoria (veja o quadro). Os filhos da miscigena\u00e7\u00e3o, definidos como &#8220;pardos&#8221;, s\u00e3o mais numerosos e t\u00eam um lugar amb\u00edguo no discurso racial. Sendo, em geral, descendentes de africanos e de europeus, por que deveriam ser considerados apenas &#8220;negros&#8221;? Pardos e negros, somados, representam, sim, a maioria dos pobres brasileiros &#8211; em n\u00fameros absolutos, 38 milh\u00f5es. Mas o contingente de brancos pobres tamb\u00e9m \u00e9 enorme. Como justificar uma pol\u00edtica de avan\u00e7o &#8220;racial&#8221; que deixaria para tr\u00e1s a massa de 19 milh\u00f5es de brancos pobres?<\/p>\n<p>Os mulatos mais claros ser\u00e3o favorecidos ou esquecidos por essas pol\u00edticas de discrimina\u00e7\u00e3o? O Estatuto da Igualdade Racial, como se v\u00ea, \u00e9 uma receita para que os cidad\u00e3os brasileiros recebam tratamento desigual por parte do Estado.<\/p>\n<p>A pobreza, argumenta Kamel, \u00e9 a chaga social renitente do Brasil. Ela n\u00e3o discrimina: atinge brancos, negros, mulatos. &#8220;Negros e pardos s\u00e3o maioria entre os pobres porque o nosso modelo econ\u00f4mico foi sempre concentrador de renda: quem foi pobre (e os escravos, por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham posses) esteve fadado a continuar pobre&#8221;, observa Kamel. Negros, brancos e pardos, diz o autor, s\u00f3 sair\u00e3o da pobreza por for\u00e7a de pol\u00edticas que incluam a todos &#8211; especialmente com investimentos consistentes em educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Kamel tamb\u00e9m \u00e9 muito eficiente ao tra\u00e7ar o hist\u00f3rico das equivocadas pol\u00edticas raciais debatidas hoje. A id\u00e9ia de que o Brasil \u00e9 racista foi, de acordo com o autor, inventada a partir dos anos 1950 por cientistas sociais como Florestan Fernandes &#8211; e Fernando Henrique Cardoso. Foi em conson\u00e2ncia com as id\u00e9ias expostas na obra do soci\u00f3logo &#8211; como Capitalismo e Escravid\u00e3o no Brasil Meridional &#8211; que o presidente Fernando Henrique implementou as primeiras pol\u00edticas de &#8220;a\u00e7\u00e3o afirmativa&#8221; no funcionalismo p\u00fablico. A distor\u00e7\u00e3o que Kamel chama de &#8220;na\u00e7\u00e3o bicolor&#8221; teve in\u00edcio ali, e ganhou uma continuidade &#8220;canhestra&#8221; no governo Lula. Caber\u00e1 aos deputados eleitos neste ano dar um ponto final nessa escalada, recusando o Estatuto da Igualdade Racial. Seria salutar que todos eles lessem N\u00e3o Somos Racistas.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro de Ali Kamel, sob o t\u00edtulo acima, reune muitas das coisas que ele vem escrevendo no &#8220;O Globo&#8221; sobre o tema, e estou transcrevendo abaixo um trecho, acompanhado de um coment\u00e1rio de Jer\u00f4nimo Teixeira sobre &#8220;as fal\u00e1cias da pol\u00edtica de cotas raciais&#8221;. 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