SISUTEC: ensino técnico de cabeça para baixo

Em todo o mundo, o ensino técnico é uma alternativa de formação no ensino médio, para quem não tem interesse ou não tem condições de seguir o currículo acadêmico tradicional, que é voltado sobretudo para pessoas que pretendem seguir cursos universitários depois. Quem faz o ensino técnico  tem acesso mais imediato ao mercado de trabalho, o que não impede poder continuar estudando em nível superior se quiser, em carreiras que valorizam a experiência de trabalho  e a capacitação profissional.

No Brasil, o Ministério da Educação acaba de lançar o SISUTEC, que, conforme noticia o Site G1  de hoje, vai selecionar 340 mil candidatos para o ensino técnico através do ENEM. O o ENEM, como se sabe, é um exame pesado de conclusão do ensino médio, fortemente baseado nos conteúdos do ensino médio tradicional em todas as áreas de conhecimento.  Ou seja, quanto melhor o candidato estiver capacitado para uma carreira universitária, mais chances ele terá de ele ser admitido para o ensino técnico de nível médio, que é muito provavelmente o que ele não quer. Isto não significa, claro, que não vão haver candidatos, mas eles serão provavelmente os que não se saíram muito bem do ENEM, e não conseguiram entrar no curso superior de sua escolha.  O ensino técnico, assim, acaba ficando como prêmio de consolação, e não como alternativa valorizada.

De cabeça para baixo.

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Author: Simon

Simon Schwartman é sociólogo, mineiro e brasileiro. Vive no Rio de Janeiro

3 thoughts on “SISUTEC: ensino técnico de cabeça para baixo”

  1. Simon,
    O fato de usar um parâmetro nacional para selecionar o bolsista para as vagas no ensino técnico me parece positivo.Ensejará a possíbilidade de se acompanhar, mas de perto, a evolução candidato/ curso.E traçar novas rotas para a políticas para o ensino técnico, se for o caso.De qualquer forma, um bom técnico, nos tempos atuais de mudanças constantes no perfil profissional, deverá poder contar com uma boa base de educação geral.
    Atenciosamente,
    Ana Maria de Rezende Pinto

  2. Como, o MEC não conseguiu, em articulação com os estados, desenvolver uma política para o ensino médio, vem praticando a não-política para ver no que vai dar. A não-política do ensino médio consiste em mudar o fim do caminho – o Enem – para mudar o percurso. O problema é que o ensino médiopermanece sem identidade e sem alternativas para uma formação sólida do indivíduo.

  3. Boa tarde.
    A notícia me suscita dúvidas. A primeira se refere a um anúncio ou “proclamação” de alguns anos passados dando conta de investimento substancia na construção e equipamento de escolas técnicas. Foram construídas? Equipadas? Os professores selecionados e trienados? Estão operacionais? Onde foram construídas ? Seu custo de funcionamento foi calculado? E o de manutenção? Quais os cursos a serem ofertados? Foram ofertados? Alguma aferição nos possíveis efeitos sobre a “geração nem – nem – nem” ?

    A notícia recem publicada fala, por exemplo, em enfermagem. Serão Técnicos (as) em Enfermagem? E Enfermeiros(as)? Alguma previsão? São profissionais complementares.

    Alguns dias atrás, se não estou com Alzheimer, ouvi algo a respeito de utilização do sistema “S”. É fato? O que vai ser? Um “mix” das escolas técnicas a serem construídas há alguns anos atrás com a capacidade do sistema “S” e mais as escolas técnicas estaduais, e municipais…….

    Na essência, aliás muito bem ressaltada, de oferecer-se um prêmio de consolação e não uma alternativa, minha integral concordância.

    Cordialmente, Ajscampello

    P S : Já postei aqui neste Site a informação de sou consultor. Para o assunto em tela – educação, minhas parcas credenciais são umas duas décadas, do ouro lado do balcão, como funcionário público federal na área de educação.

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