Escreve Francisco Soares:

Uma contribuição ao debate

Nos últimos dias tenho trocado algumas mensagens sobre a amostra do PISA.  Ontem baixei os micro-dados do PISA e, depois de uma proveitosa troca de emails com o Ruben Klein, gostaria de colocar as seguintes informações à disposição de todos como contribuição ao debate.

  1. Embora os documentos do PISA digam que o exame é para alunos de quinze anos, o critério para inclusão é ter nascido em um dado ano. Para o PISA de 2012 o critério foi ter nascido em 1996. Em outras palavras, a população alvo são os alunos que completaram quinze anos em algum dia do ano de 1996.
  2. Como o teste no Brasil ocorreu entre 20 e 30 de maio de 2012, os alunos brasileiros que satisfazem o critério tem entre 16 anos e cinco meses – os que nasceram em 01/01/1996 – e 15 anos e 5 meses – os que nasceram em 31/12/1996.
  3. Usando os dados do Censo Escolar de 2011 busquei saber em que séries – ou anos escolares – estão os alunos que satisfazem aquele critério de idade. Encontrei os seguintes resultados:

 

 

ANO ESCOLAR

% ALUNOS Censo 2011

-1

Ensino Médio – 1° Ano

27,6

0

Ensino Médio – 2° Ano

31,3

1

Ensino Médio – 3° Ano

2,1

-2

Último Ano Fundamental

12,6

-3

Penúltimo Ano Fundamental

7,4

Outras Séries

18,8

 

Importante observar que estes são os alunos matriculados e, portanto, cujos dados estão disponíveis. No Brasil, há naturalmente alunos dessa faixa etária fora da escola.

  1. Aceitando o critério do PISA que  exclui os alunos que estão em séries diferentes das cinco da tabela anteriror e redistribuindo os restantes obtemos a seguinte distribuição entre os anos escolares:

 

ANO ESCOLAR

Censo 2011

PISA – Grade

-1

Ensino Médio – 1° Ano

34,1%

35,1

0

Ensino Médio – 2° Ano

38,6%

38,3

1

Ensino Médio – 3° Ano

2,6%

3,8

-2

Último Ano Fundamental

15,5%

14,1

-3

Penúltimo Ano Fundamental

9,2%

8,7

 

A coluna denominada PISA – GRADE foi construída com a variável que está na base do PISA e que informa em que ano-escolar a partir do ano modal estão os diferentes alunos.  Nota-se uma concordância entre as duas fontes.

  1. Diante disso os eventuais problemas que a amostra do PISA tem não se referem à distribuição entre os anos-escolares. Eu fui induzido a pensar de forma diferente até aqui pela insistência de todos os materiais de divulgação  que sugerem   que o PISA trata com alunos de quinze anos.  Na realidade seria mais coreto dizer que esse  exame considera alunos  16 anos.  Esta mudança torna os resultados obtidos completamente compreensíveis. A média de idades dos alunos brasileiros na amostra é parecida com as médias dos demais países.
  2. Pessoalmente eu gostaria de saber qual foi o desempenho no ENEM dos alunos das escolas escolhidas para compor a amostra do PISA de forma a poder avaliar se os alunos que satisfazem o critério de idade estão distribuídos em escolas que cobrem  toda a diversidade  escolar brasileira.
  3. Se meus cálculos resistirem ao escrutínio, entendo que há ainda um tema que precisa ser esclarecido: a comparabilidade entre os resultados de 2000 – 2006 com os resultados de 2009-2011 que estão sendo usados para dizer que o Brasil é o que mais melhorou.