Sediada em Santa Bárbara do Oeste, na Região Metropolitana de Campinas, a Fundação Romi, criada pela Indústrias Romi S.A. (famosa or ter fabricado o automóvel Romi-Isetta nos anos 50), vem desenvolvendo uma experiência pioneira de inovação pedagógica, o Programa de Educação Integrada. Anualmente, esse projeto atende anualmente a 240 alunos entre 11 a 13 anos das 7ª e 8ª séries das escolas públicas da cidade. Por dois anos, eles frequentam a Fundação na parte da manhã se estudam à tarde, ou à tarde se estudam de manhã, desenvolvendo projetos e atividades educativas sob a orientação de um grupo seleto de professores, ao mesmo tempo em que continuam seus cursos regulares na escola. Eles são estimulados a se candidatar e continuar estudando, preferencialmente, nas escolas técnicas públicas de nível médio da região, como o Colégio Técnico de Campinas e de Limeira, da UNICAMP e as escolas técnicas do Centro Paula Souza. Há uma bolsa-auxílio para os mais carentes para que possam efetivamente, cursar essas escolas. A partir deste projeto principal, a Fundação Romi desenvolve uma série de outras iniciativas envolvendo professores, estudantes e suas famílias da região, e, entre outros projetos, mantém um centro de documentação histórica muito bem instalado, também à disposição da escolas e da comunidade local.

O objetivo deste livro é documentar e tornar mais conhecido este trabalho, situando-o, ao mesmo tempo, no contexto mais amplo da educação brasileira, que enfrenta hoje o  desafio de melhorar sua qualidade e transmitir aos estudantes os conhecimentos, os valores e as atitudes necessárias para participar plenamente da sociedade contemporânea. Deste esforço participam educadores, governantes e também a sociedade civil, através de fundações e institutos filantrópicos, como a Fundação Romi, e empresas especializadas em atividades e produtos educacionais. Na primeira parte do livro, escrita com a colaboração de Micheline Christophe, apresento um quadro sintético de como está a educação no Brasil de hoje, do que sabemos sobre os melhores caminhos para melhorar seu desempenho, e do papel que o setor privado vem desempenhando em relação a isto. Também apresento uma pequena história de Santa Bárbara do Oeste, cidade que cresceu graças ao trabalho de imigrandes pioneiros cujos valores, acredito, a Fundação dá continuidade. A segunda parte do livro, escrita por Liu Fat Kam e Sueli Torres, seus dirigentes, descreve em detalhe o projeto pedagógico da Fundação.

Visitar a Fundação Romi e ver suas centenas de crianças motivadas, trabalhando em grupo com seus professores, desenvolvendo projetos nas diversas áreas de conhecimento, é suficiente para saber que é um projeto bem sucedido, que precisa ser mais conhecido e pode inspirar outras iniciativas semelhantes. As metodologias utilizadas e as concepções pedagógicas em que se baseia são uma entre diferentes possibilidades, e o impacto de seu trabalho, em uma pequena cidade no interior paulista, não é suficiente para mudar a cara a educação brasileira. Para os jovens que passam pela Fundação, no entanto, sua importância é fundamental, e é muito importante que iniciativas como esta se multipliquem e se tornem mais conhecidas.

Foi um prazer ter conhecido e podido colaborar com a Fundação Romi neste trabalho de documentação de sua experiência.
O livro impresso pode ser solicitado à Fundação Romi através de seu site, e uma versão em PDF pode ser baixada aqui.

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  1. Ana Maria de Rezende Pinto @ 2011-03-09 23:17

    Prezado Simon,

    Muito pertinente o estudo. Brilhante a revisão da literatura. Li com sofreguidão. É importante fazer chegar, sob a forma de debates, informações desta natureza na ponta do processo educacional: Undime, Consed, associações civis ligadas á cidadania educacional, municípios com seus prefeitos, seus vereadores, suas associações comerciais, seus secretários municipais de educação, seus diretores de escola.

    Ana Maria de Rezende Pinto
    Pedagoga