A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e as TICs

 

Rafael Parente, Subsecretário de Projetos Estratégicos da Secretaria Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro enviou a nota abaixo a respeito das atividades da Secretaria na área das novas tecnologia de informação e comunicação:

Assumindo a responsabilidade e aumentando a transparência: como estamos usando as novas tecnologias nas escolas da cidade do Rio de Janeiro

O nosso programa de utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) para melhorar a aprendizagem nas escolas da cidade do Rio de Janeiro pode ser dividido em três partes principais: 1) Infra-estrutura e manutenção; 2) Capacitação; 3) Sistemas e conteúdos.

Com relação à infra-estrutura e manutenção, sabemos que não poderíamos investir no aumento do parque tecnológico sem antes pensarmos em dois outros aspectos: questões elétricas e questões de segurança. Todas as escolas estão recebendo reformas elétricas e lógicas. Para lidar com questões de segurança, estamos aumentando o pessoal de apoio, instalando câmeras e alarmes e inserindo, nos netbooks, dispositivos para que eles sejam bloqueados quando retirados da rede da escola. O serviço de manutenção dos equipamentos e da rede, que já era feita por uma empresa especializada, está sendo aumentado. Também já temos manutenção por acesso remoto.

A pesquisa do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais foi realizada durante o ano de 2009. Como houve uma intensificação das ações voltadas para a área em 2010, consideramos que certos aspectos do resultado da pesquisa não mais refletem a realidade. Das 1064 escolas da rede, 1060 têm banda larga de 1 ou 2MB. Sabemos que essa velocidade não é suficiente e estamos realizando uma licitação para uma internet mais potente. Roteadores estão sendo instalados para que os links sejam transformados em internet sem fio. Todas as escolas têm de 5 a 30 computadores para utilização dos alunos. Quando não há um laboratório de informática, eles estão nas salas de leitura ou nas salas de aula. Quase 80% dos computadores antigos ou que não estavam funcionando já foram substituídos. Alunos do oitavo ano estão constantemente sendo treinados para exercerem o papel de alunos monitores, sendo responsáveis pelos laboratórios de informática de suas escolas no turno contrário às suas aulas, duas vezes por semana.

Sabemos, no entanto, que o tamanho da sala do laboratório e o número de máquinas por vezes não atende às necessidades. É por isso que decidimos investir num modelo diferente. Todas as salas de 6º a 9º anos estão recebendo netbooks, projetores e caixas de som. Os netbooks são conectados à internet sem fio e as aulas da Educopédia (com vídeos, textos, jogos e podcasts) são projetadas sobre quadros brancos ou telões. Além disso, teremos netbooks para utilização dos alunos dentro de suas salas de aula regulares, um por aluno, em uma aula a cada três.

No que diz respeito à capacitação de professores, é importante citar resultados de duas outras pesquisas realizadas ao longo de 2010. Uma, do Instituto Desiderata, concluiu que professores não só desejam utilizar mais computadores conectados, mas também que acreditam que novas tecnologias e novas mídias são elementos essenciais para que “a escola se torne um lugar melhor para estudar e ensinar”. Isso sugere que investimentos bem planejados nessa área afetam positivamente a motivação desses profissionais (pesquisas internacionais também asseguram impactos nas motivações de professores e alunos, essenciais para a melhoria da qualidade da educação).

A segunda pesquisa, do Instituto Oi Futuro, com o apoio do Ibope e do Instituto Paulo Montenegro, aplicou mais de 35 mil questionários, com o objetivo de compreender o relacionamento dos alunos, professores e diretores com as novas tecnologias. Essa pesquisa verificou que mais de 80% dos professores consideram que capacitações relacionadas à utilização das TICs são as mais importantes para sua atuação profissional. Congruente com os resultados do Centro Edelstein, também concluiu que os professores já estão familiarizados com o uso de computadores e da internet, mas que o perfil de competências para essa utilização varia muito, de onde concluímos que precisamos de cursos com níveis e objetivos diferentes. Por isso, começamos a oferecer capacitações pela MultiRio e em parceria com o MEC e empresas e institutos, como a Microsoft e a Intel. É importante dizer que, a partir de 2010, passamos a ter uma semana de capacitação para todos os profissionais da rede antes do início do ano letivo.

No que tange a sistemas e conteúdos, estamos integrando sistemas e atualizando processos para diminuir a burocracia que rouba tempo da direção das escolas e nos debruçando frequentemente sobre os dados gerados com avaliações. Estamos convidando universidades e institutos para nos ajudar a transformar esses dados em inteligência que nos auxilie a tomar decisões futuras. Além disso, a partir de um currículo claro, já disseminado amplamente na rede, criamos nosso próprio sistema de ensino, com apostilas e a Educopédia. Essa plataforma inclui não apenas as aulas digitais já citadas, divididas em temas para todos os anos e todas as disciplinas, mas apresentações de PowerPoint e planos de aula, com justificativas da importância dos temas e dicas práticas de como o tema pode ser abordado em sala de aula. As apostilas e a Educopédia são criadas e constantemente revisadas pelos professores da rede, com a supervisão de consultores e instituições parceiras. O currículo, as apostilas, a Educopédia e as provas bimestrais são completamente congruentes. A Educopédia também será utilizada para capacitações a distância, o que diminuirá consideravelmente os custos.

Grande parte das ações dessa gestão está sendo acompanhada e avaliada por organizações como o Banco Mundial e a Unesco e por pesquisadores acadêmicos e institutos. Novas políticas são discutidas e planejadas com base em pesquisas nacionais e internacionais, sempre com objetivos e metas claras. As ações relacionadas às TICs não exclui (e, por vezes, complementa) um universo de outras ações, como melhoria da alfabetização, aumento de vagas em creches, reformas de escolas, realfabetização e aceleração de alunos com defasagem idade/série, etc.

Finalizo contando que estamos em contato direto com os profissionais da rede presencialmente e virtualmente. Via Twitter, a secretária Claudia Costin e toda a equipe se comunica todos os dias com mais de 8 mil profissionais da rede. Temos visitado pelo menos 10 escolas por semana, verificando o andamento das ações e conversando com alunos, professores e diretores. O clima é de otimismo e os resultados até agora têm sido muito bons. Estamos à disposição para mais esclarecimentos e convidamos os interessados a visitarem as escolas conosco para verificarem essa transformação positiva de perto.

Algumas pesquisas interessantes (nacionais e internacionais) sobre TICs, motivação e capacitação:

http://download.intel.com/education/wsis/ICT_Education_Reform_Economic_Growth.pdf

http://www.senac.br/BTS/353/artigo-02.pdf

http://www.infodev.org/en/Publication.157.html

http://www.canterbury.ac.uk/education/protected/spss/docs/motivational-effect-ict-brief.pdf

http://www.saum.uvigo.es/reec/volumenes/volumen8/ART8_Vol8_N2.pdf

http://ww.aedb.br/seget/artigos07/1165_EGC%205003%20artigo%20final%20V0.3.pdf

http://www.distanceandaccesstolearning.net/contents/IRRODL-Robinson.pdf

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1465-3435.2006.00274.x/full

http://www.editlib.org/noaccess/5339

http://www.e-journalofeducation.com/main/ICT/kenruthven.pdf

Author: Simon

Simon Schwartman é sociólogo, falso mineiro e brasileiro. Vive no Rio de Janeiro

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