Estudos no exterior: jantar completo ou sauduíches?

O blog “Inside Higher Education / The World View” publlica uma nota minha sobre o acordo assinado entre os presidentes dos Estados Unidos e Brasil para aumentar o número de estudantes brasileiros fazendo pós graduação no exterior, disponível aqui. Estas bolsas serão destinadas para pós-doutorado ou programas “sanduíche”, na suposição de que o Brasil já tem doutorados suficientes no país, e a pergunta é se não seria importante continuar insistindo na importancia do jantar completo na formação de alto nível.

Rio de Janeiro: A Hora da Virada

Depois de anos de estagnação e decadência, o Rio de Janeiro dá sinais de que está começando a virar a página, organizando suas finanças, melhorando a gestão pública, encontrando novas vocações e se preparando para os grandes eventos esportivos dos próximos anos. É esta a mensagem deste livro editado por André Urani e Fabio Giambiagi, que a editora Elsevier / Campus acaba de publicar.

Minha contribuição foi um texto sobre o longo caminho que a educação deve percorrer no Estado para ele saia da situação humilhante em que está, apresentando os principais dados disponíveis e uma síntese do que a Secretaria Municipal da cidade com Claudia Costin, primeiro, e do Estado, com Wilson Risolia, mais recentemente, estão buscando fazer. Os resultados destas ações são de médio e longo prazo, e algumas iniciativas podem não dar certo. Mas é importante que, depois de tantos anos, a educação passe a ser considerada como prioridade de governo, e deixe de ficar à mercê do varejo da política partidária e das corporações. O texto sobre a educação está disponível aqui.

Ainda as ICTs no Rio de Janeiro

Escrevem Bernardo Sorj e Mauricio Lissovsky, sobre o comentário de Rafael Parente à pesquisa que realizaram sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nas esolas municipais do Rio de Janeiro:

1)     Nossa pesquisa  não pretende avaliar a atuação da  Secretaria de Educação, nem no passado, nem no presente.  Para tanto teríamos necessidade de uma serie histórica que permitissem comparações. Nosso objetivo limitou-se,   a  partir das percepções e atitudes dos professores que responderam o questionário, a  identificar problemas e contribuir para a sua solução. Não procuramos  verificar qual é a porcentagem de escolas com laboratórios ou em quantos deles há conexão eficiente com a Internet. Visava antes perceber de que modo  estes e outros  fatores  são percebidos pelos professores e de que modo afetam o uso que fazem da informática em suas escolas e na relação com os  alunos.

2)    Rafael Parente menciona o estudo da Oi Futuro e do Instituto Desiderata. Procuramos obter os resultados e os questionários utilizados. Sem resultado. Ele menciona que a pesquisa da Oi Futuro indica que mais de 80% dos professores consideram que capacitações relacionadas à utilização das TICs são as mais importantes para sua atuação profissional.  E que a pesquisa da Desiderata “concluiu que professores não só desejam utilizar mais computadores conectados, mas também que acreditam que novas tecnologias e novas mídias são elementos essenciais para que “a escola se torne um lugar melhor para estudar e ensinar”.  São  afirmações fortes, e não  tendo acesso aos  questionários e a forma  em que foram elaboradas as perguntas  (que como sabemos influenciam a resposta) fica difícil mensurar exatamente o que elas revelam.   Na nossa pesquisa não perguntamos a relevância que os professores atribuem à capacitação (afinal qualquer valor inferior a 80% entre professores, seria surpreendente!).  Estávamos antes interessados em saber que influência tiveram as capacitações na frequência do uso  dos recursos de informática educativa nas escolas. E a resposta que alcançamos aqui, por exemplo, é que as capacitações realizadas até 2009 tiveram algum impacto positivo entre os professores do primeiro segmento, apenas. No que diz respeito ao conjunto do professorado, o domínio de ferramentas de internet pelo professor (independente de onde tenha adquirido este domínio) mostrou-se mais determinante que outros fatores.  Seria possível  comparar melhor  os resultados se  fossem disponibilizados os materiais das  pesquisas realizadas pela Oi Futuro e Desiderata.

3) Nossa pesquisa foi realizada a fins de 2009. Por mais que uma gestão competente possa realizar em um ano (na verdade menos, pois a pesquisa da Oi futuro foi feita no segundo semestre de  2010), é bastante improvável que mudanças radicais (a não ser, eventualmente, as da  infraestrutura física) possam  ter ocorrido no que diz respeito à apropriação destes recursos pelos professores, a intensidade do uso dos equipamentos, etc.  Afinal, o processo de internalização de uma “informática educativa” nas escolas do município teve início há quase 15 anos e se trata de  um processo de longa duração.  Inclusive porque, como indicamos no nosso artigo, deve enfrentar um grupo de professores que terá dificuldades de adaptação.

4) O mais importante, a nosso ver, é evitar que o debate sobre politicas publicas   tome a forma de  criticas destrutivas (ou interpretadas como tais)  feitas pelos que estão  “fora”   e  defesas ufanistas do que está sendo feito  pelos  que estão “dentro”  do aparelho publico.  Nosso estudo visa  melhorar o trabalho realizado pelas instituições  públicas, que implica em identificar problemas e abrir o debate sobre um tema extremamente complexo,  como é uso da informática nas escolas, sobre o qual existem mais interrogantes que respostas. Estudos feitos por agentes externos ao aparelho estatal são fundamentais   para  aumentar a  credibilidade, a transparência e a qualidade das politicas públicas, e  visam  o dialogo, não o  confronto ou atitudes defensivas.

 

A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e as TICs

 

Rafael Parente, Subsecretário de Projetos Estratégicos da Secretaria Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro enviou a nota abaixo a respeito das atividades da Secretaria na área das novas tecnologia de informação e comunicação:

Assumindo a responsabilidade e aumentando a transparência: como estamos usando as novas tecnologias nas escolas da cidade do Rio de Janeiro

O nosso programa de utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) para melhorar a aprendizagem nas escolas da cidade do Rio de Janeiro pode ser dividido em três partes principais: 1) Infra-estrutura e manutenção; 2) Capacitação; 3) Sistemas e conteúdos.

Com relação à infra-estrutura e manutenção, sabemos que não poderíamos investir no aumento do parque tecnológico sem antes pensarmos em dois outros aspectos: questões elétricas e questões de segurança. Todas as escolas estão recebendo reformas elétricas e lógicas. Para lidar com questões de segurança, estamos aumentando o pessoal de apoio, instalando câmeras e alarmes e inserindo, nos netbooks, dispositivos para que eles sejam bloqueados quando retirados da rede da escola. O serviço de manutenção dos equipamentos e da rede, que já era feita por uma empresa especializada, está sendo aumentado. Também já temos manutenção por acesso remoto.

A pesquisa do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais foi realizada durante o ano de 2009. Como houve uma intensificação das ações voltadas para a área em 2010, consideramos que certos aspectos do resultado da pesquisa não mais refletem a realidade. Das 1064 escolas da rede, 1060 têm banda larga de 1 ou 2MB. Sabemos que essa velocidade não é suficiente e estamos realizando uma licitação para uma internet mais potente. Roteadores estão sendo instalados para que os links sejam transformados em internet sem fio. Todas as escolas têm de 5 a 30 computadores para utilização dos alunos. Quando não há um laboratório de informática, eles estão nas salas de leitura ou nas salas de aula. Quase 80% dos computadores antigos ou que não estavam funcionando já foram substituídos. Alunos do oitavo ano estão constantemente sendo treinados para exercerem o papel de alunos monitores, sendo responsáveis pelos laboratórios de informática de suas escolas no turno contrário às suas aulas, duas vezes por semana.

Sabemos, no entanto, que o tamanho da sala do laboratório e o número de máquinas por vezes não atende às necessidades. É por isso que decidimos investir num modelo diferente. Todas as salas de 6º a 9º anos estão recebendo netbooks, projetores e caixas de som. Os netbooks são conectados à internet sem fio e as aulas da Educopédia (com vídeos, textos, jogos e podcasts) são projetadas sobre quadros brancos ou telões. Além disso, teremos netbooks para utilização dos alunos dentro de suas salas de aula regulares, um por aluno, em uma aula a cada três.

No que diz respeito à capacitação de professores, é importante citar resultados de duas outras pesquisas realizadas ao longo de 2010. Uma, do Instituto Desiderata, concluiu que professores não só desejam utilizar mais computadores conectados, mas também que acreditam que novas tecnologias e novas mídias são elementos essenciais para que “a escola se torne um lugar melhor para estudar e ensinar”. Isso sugere que investimentos bem planejados nessa área afetam positivamente a motivação desses profissionais (pesquisas internacionais também asseguram impactos nas motivações de professores e alunos, essenciais para a melhoria da qualidade da educação).

A segunda pesquisa, do Instituto Oi Futuro, com o apoio do Ibope e do Instituto Paulo Montenegro, aplicou mais de 35 mil questionários, com o objetivo de compreender o relacionamento dos alunos, professores e diretores com as novas tecnologias. Essa pesquisa verificou que mais de 80% dos professores consideram que capacitações relacionadas à utilização das TICs são as mais importantes para sua atuação profissional. Congruente com os resultados do Centro Edelstein, também concluiu que os professores já estão familiarizados com o uso de computadores e da internet, mas que o perfil de competências para essa utilização varia muito, de onde concluímos que precisamos de cursos com níveis e objetivos diferentes. Por isso, começamos a oferecer capacitações pela MultiRio e em parceria com o MEC e empresas e institutos, como a Microsoft e a Intel. É importante dizer que, a partir de 2010, passamos a ter uma semana de capacitação para todos os profissionais da rede antes do início do ano letivo.

No que tange a sistemas e conteúdos, estamos integrando sistemas e atualizando processos para diminuir a burocracia que rouba tempo da direção das escolas e nos debruçando frequentemente sobre os dados gerados com avaliações. Estamos convidando universidades e institutos para nos ajudar a transformar esses dados em inteligência que nos auxilie a tomar decisões futuras. Além disso, a partir de um currículo claro, já disseminado amplamente na rede, criamos nosso próprio sistema de ensino, com apostilas e a Educopédia. Essa plataforma inclui não apenas as aulas digitais já citadas, divididas em temas para todos os anos e todas as disciplinas, mas apresentações de PowerPoint e planos de aula, com justificativas da importância dos temas e dicas práticas de como o tema pode ser abordado em sala de aula. As apostilas e a Educopédia são criadas e constantemente revisadas pelos professores da rede, com a supervisão de consultores e instituições parceiras. O currículo, as apostilas, a Educopédia e as provas bimestrais são completamente congruentes. A Educopédia também será utilizada para capacitações a distância, o que diminuirá consideravelmente os custos.

Grande parte das ações dessa gestão está sendo acompanhada e avaliada por organizações como o Banco Mundial e a Unesco e por pesquisadores acadêmicos e institutos. Novas políticas são discutidas e planejadas com base em pesquisas nacionais e internacionais, sempre com objetivos e metas claras. As ações relacionadas às TICs não exclui (e, por vezes, complementa) um universo de outras ações, como melhoria da alfabetização, aumento de vagas em creches, reformas de escolas, realfabetização e aceleração de alunos com defasagem idade/série, etc.

Finalizo contando que estamos em contato direto com os profissionais da rede presencialmente e virtualmente. Via Twitter, a secretária Claudia Costin e toda a equipe se comunica todos os dias com mais de 8 mil profissionais da rede. Temos visitado pelo menos 10 escolas por semana, verificando o andamento das ações e conversando com alunos, professores e diretores. O clima é de otimismo e os resultados até agora têm sido muito bons. Estamos à disposição para mais esclarecimentos e convidamos os interessados a visitarem as escolas conosco para verificarem essa transformação positiva de perto.

Algumas pesquisas interessantes (nacionais e internacionais) sobre TICs, motivação e capacitação:

http://download.intel.com/education/wsis/ICT_Education_Reform_Economic_Growth.pdf

http://www.senac.br/BTS/353/artigo-02.pdf

http://www.infodev.org/en/Publication.157.html

http://www.canterbury.ac.uk/education/protected/spss/docs/motivational-effect-ict-brief.pdf

http://www.saum.uvigo.es/reec/volumenes/volumen8/ART8_Vol8_N2.pdf

http://ww.aedb.br/seget/artigos07/1165_EGC%205003%20artigo%20final%20V0.3.pdf

http://www.distanceandaccesstolearning.net/contents/IRRODL-Robinson.pdf

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1465-3435.2006.00274.x/full

http://www.editlib.org/noaccess/5339

http://www.e-journalofeducation.com/main/ICT/kenruthven.pdf

Internet nas escolas públicas no Rio de Janeiro

Indo além da polêmica sobre o uso da Internet na educação, uma pesquisa recente do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais mostra como, de fato, a Internet está chegando às escolas, e como está sendo usada pelos professores.  O texto, “Internet nas Escolas Públicas: Políticas além da Política”, assinado por Bernardo Sorj e Mauricio Lisssovsky, está disponível aqui. Destaco, em primeiro lugar, o fato de que as tecnologias ainda estão longe de terem se tornado “transparentes” para os professores, que enfrentam problemas constantes de acesso e funcionamento dos equipamentos. Depois, embora os professores e a professoras sejam em grande maioria usuários de computadores, seu uso efetivo como instrumento pedagógico ainda está longe de ocorrer como se esperaria. Alguns trechos:

Quando aproximamos o foco dos laboratórios de informática das escolas, cuja implantação iniciou-se há dez anos, mas que todavia não alcança toda a rede pública municipal, percebemos que as variáveis mais determinantes para seu uso rotineiro, deixando de lado o tema de conteúdo disponível e pedagogias adequadas, segundo a opinião e as atitudes de professores e dirigentes pesquisados, são o acesso à Internet, as condições de manutenção dos equipamentos e a existência de um professor “responsável”. Se esse professor não for capaz de gerenciar a apropriação destes recursos pela escola (como “especialista em informática educativa”) que, ao menos tome conta da sala, mantendo-a aberta aos interessados e auxiliando seus colegas nas atividades ali realizadas. A ausência de um destes três fatores tende a condenar o laboratório à ociosidade. A insatisfação da ampla maioria dos professores em relação aos recursos disponíveis (cujas razões ainda incluem a quantidade dos equipamentos e o tamanho das salas destinadas aos laboratórios) reflete a dificuldade, por parte das autoridades educacionais, de alinhar estes fatores.

Ao contrário do que sugere o senso comum, em função do perfil etário do grupo e da esmagadora maioria feminina, os professores do Rio mostram-se relativamente familiarizados com o uso dos computadores e da Internet. No entanto, e é exatamente neste ponto que a questão torna-se interessante, essa familiaridade não se traduz imediatamente em uso regular e/ou apropriação sistemática da informática educativa nas escolas, e nem, tampouco, em utilização eficiente desta mídia para sua comunicação profissional, seja com alunos, seja com dirigentes e superiores hierárquicos.

Um desafio central é representado por uma parte considerável dos professores que vêm nas novas tecnologias uma fonte de questionamento de seu papel pedagógico. Alem de conservadorismo e interesses corporativos, estes professores expressam uma preocupação relevante: o da redefinição de seu papel numa sala de aula na qual o computador (alem dos SMS enviados pelos telefones celulares) “rouba” a atenção do aluno. Redefinir o papel do professor nesse novo ambiente tecnológico é um desafio que exige repensar o papel do pedagogo, de modo a que continue a ocupar uma função relevante. Parte considerável dos cursos de atualização dos professores concentra-se em questões tecnológicas, necessárias, mas que não enfrentam o cerne da questão: boa parte da geração nascida no mundo digital está à frente da maioria dos professores em habilidades técnicas.

A introdução sistemática de computadores no ensino público, como está sendo projetado pelo governo federal no programa Pro-Uca, ou por governos estaduais e municipais, deve ser acompanhada da criação de uma capacidade de avaliação e monitoramento contínuos, bem como da produção e avaliação de ferramentas educativas. Estas, sabidamente, abrem as portas aos lobbies empresariais que atuam na área, e que costumam reduzir o desafio da introdução de novas tecnologias à questão de criar o software adequado. Sem duvida, empresas privadas têm um papel a jogar neste domínio, mas certamente existe uma enorme quantidade de produtos de domínio público, disponíveis no Brasil e no exterior, que podem ser aproveitados e exigem catalogação e avaliação permanentes. Em uma área onde os recursos são insuficientes, a transição digital gera dilemas na sua alocação que deveriam ser previstos. A criação de um novo sistema pedagógico implica em investimentos enormes, onde, voltamos a insistir, enquanto continuam a existir carências básicas na formação e motivação dos professores, a distribuição de computadores é o menor deles.

Boas intenções não são suficientes. Se estiverem associadas a objetivos e a um plano pedagógico pré-determinados, os efeitos benéficos da distribuição de computadores (e certamente os haverão) poderão ser menores que seus efeitos disruptivos. Se as injunções políticas obrigam a agir sem ter clareza inicial dos objetivos e custos envolvidos, nunca é tarde para assumir a responsabilidade e aumentar a transparência sobre o que está sendo feito.

Flávio Grynszpan: em defesa de nossas universidades

Escreve  Fávio Grynszpan:

Aproveito o espaço do meu amigo Simon, na sua análise do ranking internacional de Universidades e o comentário do Creso Franco, que vincula o tema com a inovação no País, para sair em defesa das nossas Universidades. Trago alguns dados para apresentar a minha visão sobre o papel das Universidades na inovação brasileira e na sua internacionalização.

Tenho estudado este tema, não pelo lado das Universidades, mas para entender a capacidade de competição de nossas empresas no mercado internacional. Do ponto de vista empresarial, a competitividade é uma variável relativa, o que quer dizer que não basta inovar, temos que inovar mais que os nossos concorrentes. Se eles inovarem mais ou mais ràpidamente do que nós, estamos ficando para trás.

Defini, nesta primeira fase, que os nossos principais concorrentes no mercado mundial serão os outros países que compõem o BRIC: Russia, China e India. Mais tarde, vou analisar um BRIC expandido. Uso, para simplificar, as patentes concedidas pelo Escritório de Patentes dos Estados Unidos ( USPTO), porque o mercado americano é ainda o foco maior de qualquer empresa. Sei que a patente não é a única forma de se medir a inovação, mas é uma variável que reflete um posicionamento empresarial de proteção à sua inovação. Ainda mais, como estou olhando o quadro comparativo, ela é importante para analisar as tendências.

 

Pelos dados acima, estamos melhores que a Rússia, mas piores que a Indica, entretanto estamos mantendo o quadro constante nos últimos anos. Mas a China, é um outro departamento. Eles não só são muito mais inovadores que nós, mas a sua velocidade de crescimento é bem superior à nossa. Muito deste crescimento se deve à Política de “Indigenous Innovation” lançada em 2006.

Das 111 patentes brasileiras concedidas em 2010, só 77 são patentes de invenção. As demais 34 são patentes de design. Para meus comentários, vou me concentrar nas patentes de inovação.

 

A contribuição das ICTs é muito significativa. Representou 27% das patentes de invenção em 2009 ( quando tivemos 55 patentes de invenção) e quase 16% das patentes de invenção em 2010.

O problema é que as empresas brasileiras pouco inovam!!!

Como a inovação é um assunto empresarial (e não acadêmico), a participação grande das ICTs nas patentes reflete esta limitação de inovação das empresas brasileiras e uma certa pressão do Governo para promover a inovação a partir dos resultados das pesquisas das ICTs (Universidades mais Institutos de Pesquisa). O quadro mostra que a Petrobrás é, de longe, a empresa brasileira mais inovadora e que, com exceção de Embraer e a Cristália, as empresas nacionais quase nada contribuem. Dentre as multinacionais, que controlam grande parte dos setores considerados de alta tecnologia (indústrias eletrônica e telecomunicações, automobilística, farmacêutica, química), só aparece o grupo Whirlpool ( que inclui a Embraco, comprada há alguns anos). As demais, ou não inovam no País, ou registram suas patentes nas suas matrizes.

Uma crítica nesta análise tem sido que as concessões de patentes não refletem o estágio atual, pois há um certo lapso de tempo entre a entrada do pedido e a concessão da patente. Então, fui analisar as patentes solicitadas em 2010.

Houve 131 pedidos de patentes do Brasil no USPTO em 2010 ( em 2009 foram 121 pedidos).De novo os destaques são:

Petrobrás – 28 pedidos ICTs – 25 pedidos ( 19%)

Whirlpool – 13 pedidos

Em seguida: Tecban ( Tecnologia Bancária) – 4 pedidos Embraer e Bunge – 3 pedidos

As demais com dois ou menos pedidos, inclusive a Cristália (com 2 pedidos). A participação importante das ICTs se mantém.

Voltando ao nosso tema, vejo que as Universidades estão muito ativas no processo de internacionalizar a nossa inovação. A concessão de patentes pelo USPTO mostra uma avaliação positiva da qualidade dos resultados das nossas pesquisas. Acho que as nossas ICTs estão fazendo bem o seu papel, mas como elas dependem das empresas, este esforço não está aparecendo.

As dificuldades que enfrentamos na transferência de tecnologia para o setor produtivo nacional, gera um movimento de criação de start-ups de alta tecnologia. Este movimento é salutar, mas precisa ser avaliado ( custo/benefício). Até hoje não temos nenhuma empresa brasileira de alta tecnologia que está listada na Nasdaq ( Israel tem mais de 60 empresas). Mas isto é uma outra discussão.

Termino dizendo que concordo a necessidade de aumentar a exposição de nossas Universidades ao mercado internacional, seja atraindo alunos estrangeiros, seja criando campus avançados no exterior ( na China, por exemplo, como estão fazendo muitas Universidades americanas e européias). Isto vai ajudar a melhorar o nosso entendimento dos outros países. Mas não concordo em atribuir à Universidade todas as nossas mazelas.

 

Como usar o facebook

Existem muitas maneiras de usar o Facebook, e resolvi usá-lo somente para manter contato com pessoas com as quais tenho relacionamento pessoal; isto porque estava crescendo demais, já não conseguia acompanhar, e tenho outro recurso de comunicação: este blog, que é enviado por email a quem se inscreve, é divulgado pelo twitter (@sschwartzman) e está aberto a comentários.

Isto explica porque estou deixando de aceitar vários pedidos de novos amigos que me chegam no FB, e vou ir reduzindo o numero das pessoas que acompanho.  Para os demais, e também para estes, nos vemos no site!

Prova Nacional de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente

Recbi a seguinte nota de  Elaine Toldo Pazello, Diretora de Estudos Educacionais – INEP, em resposta ao comentário de João Batista Araujo e Oliveira publicado anteriormente:

Durante o ano de 2010, o Inep desenvolveu um amplo processo para a construção da proposta de matriz de referência para a Prova Nacional de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente. Esse processo foi iniciado com uma pesquisa sobre o perfil desejado para os docentes em diversos países que fizeram essa discussão recentemente ou possuem padrões ou avaliações nacionais de professores, tais como Austrália, Canadá, Chile, Cuba, Estados Unidos e Reino Unido. Na mesma época, foram analisados modelos de provas para professores aplicadas em diversos estados americanos como Nova Iorque e Massachusetts, bem como no Reino Unido e no Chile, bem como o modelo de avaliação de competências utilizado pelo PISA para os estudantes. Fomos ao Chile para uma reunião de trabalho com as equipes técnicas do MIDE (Centro de Medición) da PUC-Chile, instituto responsável pelas avaliações chilenas, e também recebemos no Brasil especialistas em avaliação de diversos organismos como a IEA (International Association for the Evaluation of Educational Achievement) e o alemão DIPF (Deutsche Institute für Internationale Pädagogische Forschung).

No entanto, por se tratar de uma prova que visa subsidiar a contratação de professores para a educação básica brasileira, tão importantes quanto as pesquisas com base na literatura teórica e empírica internacional são as consultas aos profissionais que realizam um notório trabalho nas escolas e na formação dos professores do país. Por essa razão tivemos seminários de consulta a profissionais de escolas de todo o país com bons resultados no Ideb e desenvolvemos todo o trabalho de discussões com a Comissão Assessora, que contou com a participação de 70 especialistas nas áreas relativas à Prova.

 

O Brasil no ranking internacional de universidades

Dimensões do Ranking Internacional de Universidades
Posição das Universidades Brasileiras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Times Higher Education de Londres acaba de publicar o seu novo ranking internacional de universidades, disponível aqui. Este ano, só participaram universidades que concordaram em mandar informações solicitadas pela publicação. No caso do Brasil, aparentemente, só entraram as três universidades estaduais paulistas, e nenhuma outra universidade da América do Sul aparece. Nos rankings anteriores, a USP já aparecia como a melhor da América Latina, mas longe das 100 melhores. Este ano, das 400 universidades analisadas, a USP está na posição 232. Este ranking é baseado em dados de cinco dimensões diferentes. Além desta lista, existe uma outra, de reputação, que lista as 200 universidades consideradas melhores por uma amostra de especialistas. Dos BRICS, esta lista inclui universidades da India e da Russia que não aparecem entre as 200 melhores pela listagem anterior, mas nenhuma do Brasil. A China aparece nas duas.

O ranking de reputação pode estar afetado pelo fato de que os especialistas consultados (cuja lista não está disponível) são provavelmente das principais universidades de lingua inglesa, mas a ausência brasileira confirma que o Brasil não está presente no circuito internacional de conhecimentos e troca de idéias e informações. O quadro com os escores parciais das universidades paulistas permite entender um pouco melhor aonde estamos pior: baixa internacionalização, medida pelo intercâmbio de professores e alunos; baixa atividade de inovação e capacidade de obter recursos do setor produtivo; baixa qualidade da pesquisa produzida, expressa no baixo nível de citações por artigo publicado.

Há razão para se preocupar?  Creio que sim. O  Brasil deveria ter pelo menos algumas universidades que fossem capazes de participar de forma mais intensa dos circuitos internacionais de conhecimento e cultura. Não acredito que seja um problema de recursos, mas de alguns outros fatores. Nossas universidades, mesmo as melhores, ainda são muito voltadas para dentro do país ou mesmo sua região ou cidade, embora muitos de seus professores tenham sido formados no exterior e participem de circuitos internacionais de pesquisa.  Elas não  têm estímulo e têm  dificuldade em admitir e apoiar alunos que venham de outros países, seja pelo uso exclusivo do português, seja pelos procedimentos burocráticos dos vestibulares, seja porque não podem cobrar anuidades destes alunos e usar os recursos para criar melhores condições para atendê-los.  Como repartições públicas, elas não têm estímulo para agir de forma mais agressiva na busca de talentos (não podem oferecer salários diferenciados, têm dificuldade para contratar professores estrangeiros) e no estabelecimento de vínculos mais estreitos com o setor produtivo. Em sua grande maioria, seus professores são formados por elas mesmas, uma situação de inbreeding que reproduz o provincianismo. Finalmente, nos últimos anos, os temas de inclusão social no ensino superior adquiriram uma prioridade quase absoluta nas políticas públicas de ensino superior, deixando em segundo plano a questão da excelência, que precisa voltar à agenda.

Acesso ao ensino superior no Brasil |Admissions to higher education in Brazil

O site Inside Higher Education – The World View publica hoje uma nota minha sobre o tema do acesso ao ensino superior brasileiro, a partir do novo sistema experimental de seleção que está sendo adotado pela Universidade de Campinas, que está disponível aqui

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