O programa “No Child Left Behind”, do governo americano, tem o ambicioso objetivo de acabar com as diferenças de desempenho escolar entre crianças e pobres e ricas e negros e brancos, problema que parece insolúvel, e que é mais grave ainda no Brasil. Este programa foi analizado recentemente em excelente artigo no New York Times Magazine, que resume a literatura sobre os deficits cognitivos das crianças que se desenvolvem em ambientes sociais menos favorecidos. Ele mostra, primeiro, que o “No Child Left Behind” não está conseguindo atingir seus objetivos; mas que, segundo, existem experimentos importantes, ainda que em pequena escala, que dão bons resultados, e que sinalizam o que é necessário fazer.
UFMG: Inclusão social nas universidades
No dia 24 de novembro, participei de um simpósio na UFMG sobre o tema da inclusão social nas universidades. O tema que mobilizava era a questão das cotas raciais. Na minha apresentação, eu insisti no que venho dizendo, ou seja, que o problema principal da educação superior brasileira não é a inclusão pura e simples, mas a ausência de uma política clara de diferenciação, aliada a uma politica efetiva de melhoria da qualidade, além, naturalmente, de uma política adequada para o ensino básico.
Também mostrei, com dados do ENEM de 2005, como a qualidade da educação média, e consequentemente do acesso ao ensino superior, depende fortemente da educação dos pais e da renda familiar dos candidatos; e que, controlando por renda e educação, o desempenho dos que se classificam como “pretos” é sempre um pouco inferior aos que se classificam como brancos ou pardos, diferença mais acentuada entre os candidatos de pais mais educados e de renda familiar alta. Para entender isto, tratei de ver outras caracteristicas destes grupos de alta educação e renda familiar, e encontrei algumas diferenças que talvez possam ajudar a entender o que está ocorrendo.
O texto, em versão preliminar, pode ser baixado aqui.
Reforma da educação: aonde começar?
Todos concordam que a reforma da educação é importante, mas, na hora de dizer o que deve ser feito, e por onde começar, ninguém se entende, ou se apresentam propostas que não levam a nada, ou até pioram as coisas.
João Batista Araujo e Oliveira, que tem trabalhado sobre o tema por muitos anos, no Brasil e no exterior, tem respostas muito especificas sobre o que deve e o que não deve ser feito, a partir de uma visão global e um diagnóstico bastante claro e objetivo da situação da educação brasileira nos seus diferentes níveis.
Recomendo a todos a leitura do livro, e a ajuda para divulgá-lo entre as pessoas que ocupam cargos de decisão ou formadores de opinião.
O livro pode ser aquirido da Editora Alfa e Beto, 31-3262-3229, por email ou no site do Programa Alfa e Beto.
José Roberto Militão: Estatuto da Raca e Cotas
José Roberto Militão, que se identifica como advogado e militante do movimento negro contra o racismo, envia como colaboração o texto “Projetos de Lei do Estatuto de Igualdade Racial e Lei de ‘Cotas Raciais’: A reflexão que vale a pena ser feita”, que pode ser baixado clicando no título.
Na sua mensagem, diz Militão: “Sei que vc. tinha ‘banido’ o tema cotas raciais do blog, porém, pondero pela avaliação da possibilidade de circulação na lista do blog, do artigo, tendo em vista que a palavra de ordem do movimento negro neste 20 de novembro voltou a ser os projetos de leis no parlamento. Bem, se o tema não morreu, vc. deve ser convocado para continuar atuando e intermediando os bons debates”.
É verdade que, tempos atrás, eu decidi parar de publicar notas sobre o tema, porque achei que a discussão estava esgotada em termos de idéias e os argumentos estavam se repetindo, embora a disputa política e ideológica certamente continue. É com prazer, no entanto, que abro esta exceção.
Guerreiro Ramos e a consciência negra
Em 1954, Alberto Guerreiro Ramos publicava “O Problema do Negro na Sociologia Brasileira“, uma crítica brilhante e que se tornou clássica do que até então os sociólogos e antropólogos chamavam de “problema do negro” no Brasil. Em 1981, editei um volume com uma seleção de artigos dos Cadernos de Nosso Tempo que incluia este texto, difícil de encontrar, mas que agora está disponível na Internet. Dia 20 de novembro é o Dia da Consciência Negra no Brasil, e este era, justamente, o tema central do artigo de Guerreiro Ramos.
Cronologia da Ciência Brasileira, 1500-1945
Esta cronologia foi preparada por meu colega Tjerk Guus Franken, como parte do projeto que desenvolvemos na FINEP nos anos 70 sobre a Formação da Comunidade Científica no Brasil. Ela foi publicada na primeira edição, de 1979, mas acabou não saindo na versão revisada em inglês, que é de 1991, nem na nova versão brasileira de 2001, que é baseada na versão inglesa.
Agora, para quem estiver interessada ou interessado, a cronologia está disponível na Internet. O texto completo do livro já estava disponível antes aqui
O aumento do trabalho infantil e a educação
Ontem eu publiquei uma nota comparando os dados da PNAD / IBGE de 2004 e 2005, tratando de entender o aumento do trabalho infantil ocorrido neste período, e sua possível relação com a redução da matrícula escolar, que vem aparecendo no censo escolar do Ministério da Educação. Ao contrário do que eu havia dito naquela nota, que por isto foi retirada, os dados na PNAD não acusam a redução da matrícula escolar, e sim um pequeno aumento, além de uma redução pequena, mas salutar, na proporção de jovens de 15 a 17 anos que ainda estão no primeiro grau. Minha hipótese, de que o aumento do trabalho infant poderia se dever a uma piora da situação escolar, não pode ser verificada com estes dados. Quando entender melhor o que está passado, digo.
Deus o ouça!
Presidente Lula, no discurso da vitória:
“Vamos fazer um segundo mandato muito melhor do que fizemos no primeiro. Muito melhor.”
Universidade para todos!
A revista The Economist publica esta semana uma excelente análise da crise de qualidade das universidades francesas, e qualquer semelhança com o que passa no Brasil não é mera coincidência. O texto completo pode ser lido aqui.
O manifesto dos reitores: me dá um dinheiro aí!
Vale a pena ler o documento divulgado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Institutições Federais de Ensino Superior – ANDIFES – entitulado “A ANDIFES e as eleições 2006 – aos candidatos à Presidência da República.”. É fácil de entender: segundo os reitores, existe uma grande ameaça, a expansão desordenada do ensino superior privado. O ensino superior público federal, que é ótimo, só não é melhor porque o governo ainda não lhe dá todo o dinheiro que gostaria de receber, e a autonomia para gastá-lo. As coisas têm melhorado um pouco nos últimos anos, mas poderiam melhorar ainda mais, com mais dinheiro, não só para as universidades, mas também para a pesquisa. Ah, claro, as universidades federais também têm responsabilidade com a educação básica, e para isto o governo precisa universalizar o acesso e pagar mais aos professores. Falta de dinheiro? Tudo se resolve aumentando os gastos públicos da educação para 7% do PIB, sem contingenciamento (hoje deve estar alí pelos 5%). Para isto, só falta vontade política!
Quem lê, até esquece que, ao lado de boas instituições e programas federais, têm muitos outros péssimos, que são igualmente subvencionados e não precisam mostrar resultados; que boa parte do mérito do ensino superior público brasileiro, sobretudo na pós graduação e na pesquisa, está nas universidades paulistas, muito mais que nas federais; que o crescimento recente das instituições federais tem sido e continua sendo tão ou mais desordenado do que o do setor privado, sem nenhum critério aparente de prioridades e necessidades; que parte da responsabilidade pela má qualidade da educação básica no país é das universidades federais, que não formam professores com a qualidade e competência que eles deveriam ter; e que o ensino superior público continua proporcionando um subsídio injusto para os estudantes de classe média e alta que se beneficiam dele à custa dos impostos de todos. Será que lembrar estas coisas é só intriga de quem é a favor do ensino particular como mercadoria?
Precisa dizer de novo? Então, vamos lá. O problema não é de universidades públicas ou privadas, mas de ensino superior de boa ou má qualidade. O país precisa apoiar o ensino superior, usando bem seus recursos, estabelecendo prioridades com clareza, e fazendo com que as instituições beneficiadas assumam a responsabilidade pela qualidade de seus produtos. O subsídio aos estudantes de nível superior não pode ser indiscriminado, mas precisa estar associado a critérios claros de necessidade individual e prioridade social. O setor privado, que já atende a 75% dos alunos, não pode ser demonizado, e precisa de um sistema adequado de regulação, tanto quanto o setor público. É importante aumentar os gastos com a educação, inclusive para o ensino superior, mas, sem políticas adequadas de qualidade e prioridade, este aumento de gastos pode significar, simplesmente, mais poder para os senhores reitores.
Quem será o candidato preferido dos reitores? Um aumento da verba de custeio para quem acertar!